Penetrei nos corredores sombrios da sua escuridão.
Invadi - foi-me permitido - os cantos sem luz da sua alma.
Fui expectador insígne da sua queda.
Olhei de perto suas feridas, sua desolação, seu desespero.
Ouvi seus gritos, mudos , estrangulados...
Uivos!!! A dor era intensa... machucava, cortava...
Você perdia pedaços ... você estava aos pedaços.
Gritava pela perda, o vento varria os cacos, que viraram pó...
E foram levados...
Senti sua dor e "doí" consigo.
Fiquei quieto, silente ao seu lado, esperando um movimento, um sinal.
Rejubilei-me com seu esforço de voltar.
Iniciei longo vôo .
Você me via simples, em trapos... minhas asas, escondidas...
Abri-as para você.
Abri-as por você.
E a sua volta elas se fecharam ... casulo estranho...
Nelas, você descansa sua alma atormentada.
No vôo, você deixou suas trevas às suas costas.
Mas esta cansado, exausto...
Não consegue ver luz, tudo é névoa.
O vôo sofre vácuos.
Meu passageiro dorme um sono inquieto.
Suas feridas, semifechadas, gotejam amargura.
É como fel... ardem...
Mancham minhas asas com tons tristonhos, cores tristes.
De vez em quando existe um movimento espamódico...muitas vezes apenas um esboço...
O passageiro dorme...
O anjo vela...

Claraluz

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