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Fanfic ("Star Wars") Capítulo II:

Os Rebeldes Contra-Atacam

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Cena VIII: Relatório

Capitão klégio arruma sua mesa - milimetricamente bagunçada - enquanto observa o relatório entregue esta manhã pelos sobreviventes do esquadrão Delta 128. A espera dos comentários, Jonas e Willians permanecem de pé enquanto o agente imperial analisa a papelada burocrática.

Klégio: Humm... Então, com quantos tiros o Jedi morreu?

Willians: Creio que não foi possível contar, senhor. Mas foram muitos, posso assegurar.

Klégio: Vejamos... Sim... Apenas vocês dois sobreviveram ao massacre, não acham isso fora do comum? Pelo que consta no relatório, se este mestre era realmente tão forte, não entendo como ainda podem estar vivos?

Cadete Jonas: Sobrevivemos graças...

De relance o olhar de Willians se dirige a Jonas - que percebe a inquietação do amigo.

Cadete Jonas: (...) As habilidades de Willians e ao nosso treinamento. Nossos resultados na academia mostram que somos capacitados.

Klégio: Sim... Sem dúvida, muito habilidosos. Porém, indisciplinados...

Cadete Jonas: O quê?

Klegio: Viu como tenho razão.

Willians: Aonde quer chegar, senhor?

Klégio: Toda essa operação foi equivocada, sejamos sinceros. Senhores, se as instruções fossem seguidas ao pé da letra não teriam caído na armadilha.

Willians: Nossas instruções?

Klégio: Hum... Onde está? Ah! Aqui... Suas ordens foram: “verificar o local, assegurar o território e encontrar a equipe desaparecida”. Apesar disso, desandaram em uma perseguição ensandecida pela cidade industrial.

Cadete Jonas: Não poderíamos ficar passivos quanto à presença rebelde nas imediações. Precisávamos fazer alguma coisa!

Klégio: Sim... A “coisa” que deveriam ter feito era comunicar a base e esperar que a equipe apropriada cuidasse do caso. Como de praxe.

Cadete Jonas: “...”.

Klégio levanta-se para ajeitar o uniforme vagamente amarrotado.

Cadete Jonas: Mas nós vencemos os Jedi. Estávamos preparados...

Klégio: Meu rapaz, vocês sobreviveram graças ao acaso. Se fossemos depender apenas das escolhas equivocadas do velho comandante, vocês estariam mortos agora.

Willians: Com. Dode é um grande homem.

Klégio: Fora. O tempo dele já passou, um descendente direto dos velhos clones da República, seus métodos não são mais eficientes na nova conjectura galáctica. Precisamos manter a ordem soldado, não sucumbir ao caos provocado por atitudes irracionais como as que Dode tomou.

Cadete Jonas: Então... Não seremos promovidos?

Klégio: Não... Vocês serão remanejados para a companhia 378.

Willians: Senhor! Somos soldados... A 378 é responsável pelo almoxarifado.

Klégio: Exatamente, e lá permanecerão fora de ação até que o caso esteja devidamente encerrado.

Willians: Teríamos menos burocracia se tivéssemos morrido, não é mesmo?

Klégio: Ao menos a ordem natural das coisas estaria preservada. Lembre-se, Trooper, o Império, para manter assegurada a organização, não pode aceitar anormalidades em suas operações.

Cena IX: Encostados

Assumindo seus cargos temporários e com as armas penduradas momentaneamente na parede, os soldados sobreviventes da companhia Delta 128 tentam entender a situação:

Cadete Jonas: Isso não é justo! O que fizemos foi um ato heróico!

Willians: Calma, conhece o alto escalão, fazem as coisas à sua maneira. Só vai piorar as coisas arranjando encrenca... Então, vamos aceitar passivamente a posição do capitão.

Cadete Jonas: Eu sei, mas eu já contava com uma promoção... Soube que a 501st. abriu novas vagas, sempre sonhei em entrar pro esquadrão, desde os temos de academia...

Willians: Quanto ao que você falou para Klégio... Sobre meu treinamento na academia, você não citou...

Cadete Jonas: Num esquenta, eu jamais iria mencionar esses seus truques de mágica. Afinal, o comandante tinha razão em confiar em você, suas habilidades salvaram nossas vidas. Além do mais, que mal agradecido eu seria se por minha causa os burocratas te mandassem descascar batatas?

Willians: Hehe... Obrigado.

Resignados e com novas tarefas no posto do almoxarifado, Jonas e Willians afogam as mágoas no trabalho de catalogar os mais diversos utensílios recolhidos nos confrontos contra os rebeldes.

Willians: Estou com dificuldades. Não consigo identificar essa arma...

O soldado mostra o item citado para o colega.

Cadete Jonas: É uma carabina a laser, modificada da antiga BAW E-5 usada pelos velhos Dróids de batalha da Federação de Comércio.

Willians: Você entende muito de armas, soldado.

Cadete Jonas: (Suspirando) A vida toda eu sonhei em chegar até aqui. Cresci ouvindo sobre as tropas de elite do Império... Como os Stormtroopers venceram a traição Jedi e ajudaram o Imperador a reorganizar a galáxia... Escolhi fazer parte da tropa, entrar para a academia. Não para acabar onde estou agora... Pejorativamente guardando velharias e sucata numa reles função administrativa.

Willians: Você... Deliberadamente se doou para servir ao Império? Mesmo podendo seguir por outros caminhos?

Cadete Jonas: Você não?

Willians: Não precisei fazer tal escolha cadete, sou da 28ª geração Clônica, um adendo genético ao genoma das tropas originais. Assim como os Clonetroopers eu nasci única e exclusivamente para servir ao Imperador.

Cadete Jonas: Então, preferia não estar aqui, vestindo sua armadura Mandaloriana?

Willians: Não almejo nenhuma outra vida além daquela que conheço, nem teria condições pra isso...

Cadete Jonas se deixa admirar pelo seu companheiro.

Cadete Jonas: Você é nesno um guerreiro nato... Gostaria muito, meu amigo, de trocar de papel contigo, viver sua vida e você a minha.

Willians: Lamento que isso não seja possível... Mas o que foi isso?

Cadete Jonas: Isso o que?

Um imponente estrondo chacoalha o salão de ponta a ponta. De ouvidos bem treinados, imediatamente os imperiais reconhecem a origem do barulho, uma explosão ocorrida não muito longe do local onde se encontram. Em silêncio, mas com um andar apressado, eles pegam suas armas guardadas num canto e deixam suas atividades de lado para verificar o acontecido.

Cena X: Ataque

O tumulto toma conta do primeiro piso:

Cadete Jonas: O que está havendo?

Soldado Stevens: Fizeram um ataque, uma bomba explodiu na frente da base.

Soldado Matheus: Os rebeldes ainda estão lá fora, vamos Troopers, precisamos de mais gente para contra-atacar!

Willians: Estamos em funções burocráticas, não podemos...

Cadete Jonas: Se preocupamos com isto depois!

Willians: Sim! Vamos deixar o oficio pra depois, vamos!

Os soldados deixam seu prédio em direção ao combate, ao fundo tiros e gritos se misturam numa sinfonia macabra, onde o palco da peça encontra-se em ruínas. Rochas e fumaça dominam a paisagem castigada. O ataque rebelde foi visivelmente devastador, e pelos sons, a luta não acabou.

Soldado Stevens: Por aqui, as tropas estão enfrentando os rebeldes no bloco D5!

Passando pelos escombros, Willians começa a perceber e se dar conta de uma coisa:

Willians: Temos que socorrer as pessoas!

Cadete Jonas: Outros o farão! Estamos quase cercando os rebeldes!

Willians: Outros? (Willians segura o braço do cadete, fazendo-o se virar para a devastação e perceber que todos os soldados estão em combate, nenhum deles ficou para socorrer quem ficou no meio dos escombros).

Cadete Jonas: Droga!

Jonas e Willians se separam do confronto e adentram novamente a zona atingida pela explosão. Willians corre para socorrer dois humanóides logo à sua frente, ajudando-os a andar para longe da fumaça. Jonas habilmente coloca uma tala em um ferido no chão, removendo-o em segurança antes que a parede de fundo despencasse no local exato onde estavam momentos atrás. Um Trooper ferido é carregado nas costas por Willians:

Trooper Juno: A explosão afetou as construções em volta, tudo vai desmoronar em nossas cabeças se não agirem rápido!

Cadete Jonas: Homens!

Três Soldados ao longe olham para Jonas.

Cadete Jonas: Ajudem aqui!

Soldado Tree-sam: Estamos indo para o combate!

Cadete Jonas: Quem já está lá pode cuidar dos malditos sozinhos! Ajudem aqui ou vamos ser enterrados vivos!

Os soldados se entreolham momentos antes de correr em auxílio aos camaradas Jonas e Willians. Das cinzas uma moça se levanta e é salva por Jonas - antes de mais um mortal desabamento. A nova ajuda aumenta a eficácia do resgate, Tree-sam e seus colegas ajudam no socorro de meia-dúzia de feridos. Willians se concentra, sentindo o clamor de toda a destruição em sua volta, empurra com muito esforço o concreto de uma pilha caída e encontra uma fraca respiração vinda do interior dos destroços...

Willians: Aqui!

O cadete chega as pressas e o ajuda a levantar o restante dos estilhaços. Do chão uma pequena figura tenta se levantar, escoriações marcam seu rosto, Willians, mesmo assim, é capaz de reconhecer aquela mulher.

Willians: Você de novo?

Dos escombros surge a mesma moça que as tropas abordaram durante a operação da noite passada.

Catwyn: Socorro...

Cadete Jonas aponta sua arma para a mulher.

Willians: O que pensa que está fazendo?

Cadete Jonas: Ela estava no beco! Agora está no meio de outro ataque. Acho que temos nossa primeira suspeita rebelde.

Willians: Deixe disso! Ela está ferida, me ajude aqui!

A moça grita e chora de pânico. Uma imensa sombra cobre os soldados, um enorme paredão começa a se trincar e desabar por cima dos três. Os Troopers se olham em desafio. Jonas insiste com a arma em punho e Willians tenta defender Catwyn.

Cadete Jonas: Droga... Não temos tempo pra isso! Vamos tirá-la daqui...

O soldado ajuda a libertar a moça e carregá-la para longe, pedaços da parede caem próximos as grupo, uma espessa fumaça surge do impacto e circunda os personagens. Jonas se joga ao chão com Catwyn, protegendo-a dos detritos que voam para todos os lados. Willians é obrigado a saltar para não ser acertado por um grande bloco de concreto. Jonas tenta se levantar, aturdido, agarra a jovem e tenta seguir em frente. A sombra de um enorme paredão começa a preencher seus rostos. Outra parede está caindo em sua direção. Willians se levanta e assiste seu colega impotente diante do desastre. Rapidamente, volta suas mãos para a construção que desaba... Porém, sem acertar o chão! Catwyn e Jonas assistem o Trooper usar mais uma vez a Força e levitar a encosta desabada, lançando-a em um outro lugar - mais seguro. Lentamente, o soldado e a mulher se recobram e encaram assustados (e encantados) seu exausto salvador. Ao fundo, o som dos tiros finalmente findava... O confronto havia acabado. Dando lugar a sirene atrasada da verdadeira equipe de resgate...

Cena XI Interrogatório

A central está um caos, um entra e saí de soldados e oficiais imperiais. Jonas e Willians escoltam Catwyn em meio à turva e a balbúrdia provocada pelo ataque. Com dificuldades eles chegam a sala de um superior.

Cadete Jonas: Comandante.

Com. Fhitu: Um minuto, cadete...

Dois Troopers carregam um prisioneiro para dentro da sala.

Soldado1: Pegamos um rebelde, senhor!

Com. Fhitu: Um maldito trapo humano...

Diz Fhitu ao receber o inebriante bafo expelido pelo homem de roupas amarrotadas.

Hurgi: “...”.

Willians: Comandante.

Fhitu mantém sua atenção em Hurgi, ignorando o novo chamado, o olhar do oficial imperial é de puro nojo.

Cadete Jonas: Encontramos essa mulher no local da explosão. Acreditamos que ela possa estar envolvida de alguma forma com o ataque.

Willians: Ela também foi abordada na noite do massacre...

Fhitu: Você reconhece essa mulher?

O comandante vira o rosto do homem preso em direção a Catwyn.

Hurgi: Sim...

Fhugi: É mesmo?

Cadete Jonas: Confirme. (Virando-se para a acusada) RESPONDA!

Catwyn: Eu... Nunca vi esse sujeito...

Com. Fhitu: De onde a conhece?

Fhugi: Vadia da cidade, concubina de quem lhe pagar melhor...

Willians se inquieta em seu traje, mas permanece calado, observando. Seus sentidos aguçados lhe dizem que o rebelde está escondendo o jogo... O soldado 1 rapidamente se encarrega de checar os dados da rede Imperial.

Soldado 1: Temos a identificação de todos os rebeldes envolvidos, senhor! A garota não está na lista dos procurados.

Fhugi sorri levemente.

Com. Fhitu: Escuta aqui, seu miserável, vamos encontrar seus amigos. Enquanto isso, você vai sofrer por todos aqueles que escaparam.

Willians: Então, podemos dispensá-la?

Com. Fhitu: Não! Interroguem-na até que não reste mais dúvida de sua inocência nessa história.

Cadete Jonas: Estamos em funções administrativas, não podemos...

Com. Fhitu: Considerem-se momentaneamente reincorporados ao pelotão. A casa está uma bagunça, não tenho outros homens disponíveis para interrogar a guria. Agora vão!

Os Troopers abandonam a conversa levando Catwyn sob custódia. Willians percebe que Fhitu os observa cautelosamente enquanto deixam a sala. Na sala do interrogatório eles falam.

Cadete Jonas: Você viu aquele sujeito...

Willians: Sim... É o mesmo que estava no pub quando a Padawan nos atacou...

Catwyn: O q-que ele d-disse, sobre mim... Como ele ousa... Dizer tantas blasfêmias...

Cadete Jonas: Finalmente parece disposta a falar, não é? O comandante pode não ter percebido, mas eu sei que está envolvida até o pescoço nisso.

Catwyn vira o rosto para não responder. Willians coloca a mão sobre os ombros do colega para impedir uma reação animosa do amigo e complementa:

Willinas: Não estou te acusando de nada. Contudo, não adianta mais esconder, eu sei que você e aquele homem se conhecem.

Catwyn: Não sei do que está falando.

Willians: Sabe sim...

Cadete Jonas: Que tal começar a abrir sua boquinha para nos dizer a verdade desta vez. Ou você acha não percebemos o jogo de cena entre os dois, lá atrás?

Catwyn: “...”.

Jonas se mostra irritado com o silêncio da mulher, mais uma vez seu amigo se adianta para coibir qualquer reação do parceiro.

Willians: Naquele dia você não estava atrás de comida, não é mesmo?

Catwyn encara Willians e começa a perceber que não é mais possível continuar mantendo as aparências.

Catwyn: A “Força” é realmente poderosa dentro de você...

Cadete Jonas: Hum?

Willian: Como...

Catwyn: Eu sei? Da mesma forma como sabe que eu menti quando disse que não conhecia seu prisioneiro.

Cadete Jonas: “...”.

Catwyn: Não é normal um imperial ter clarividência sobre a Força. Imagino que não deva ser fácil conciliar os dois pontos de vista. Um Stormtrooper deveria ter repulsa natural por essa crença...

Willians: Imagino que também seja difícil seguir a antiga religião enquanto se é ativista da Aliança.

Catwyn: Às vezes, soldado. Eu admito que me sinto como se estivesse deslocada. Sei que também não deve se sentir confortável, tanto quanto eu. Acha que se tivéssemos nascidos em uma outra época, nós teríamos se transformado em...

Willians: Jedis?

Cadete Jonas: Espere um minuto... Nós é que fazemos as perguntas, moça.

Willians: Porque está ajudando os rebeldes, o Império poderia muito bem...

Catwyn: Olhe para os lados soldado, o que acha que o Império faria ou tem feito? Ordem social... Reorganização... Imposições malditas de um mandatário que se prolonga no poder enquanto o resto de nós convive com todo tipo de fome e miséria... Que saída acha que temos? Lutamos pela sobrevivência, não pela porcaria ideológica de Mon Mothma!

Willians: Quer um conselho? Use a Força e poderá sentir que sua luta não resultará em nada... No momento você não está na mira do Império, deixe a Aliança enquanto ainda é tempo...

Catwyn apenas limita-se a soltar um revigorante suspiro.

Cadete Jonas: Se te pegarmos de novo, vai lamentar não ter ouvido o soldado.

A rebelde se levanta emburrada, olha para seus interrogadores e sem soltar um pio se vira para a porta. Na entrada da sala, Klégio interrompe sua passagem. O capitão olha para a moça com fúria.

Klégio: Ela já está dispensada?

Cadete Jonas: Sim, senhor!

Klégio: Soldado Willians, acompanhe a senhorita até a saída.

Willians: Imediatamente.

O soldado acompanha a “senhorita” até a porta, deixando o cadete a sós com o Capitão.

Klégio: Ainda interessado naquela promoção, Cadete Jonas?

Cadete Jonas: Por quê?

Klégio: Recebi um relatório alarmante sobre as habilidades de vocês...

Jonas sente um tremor na espinha.

Klégio: Parece que sua capacidade é digna das tropas de elite. Infelizmente, o mesmo não pode ser dito sobre o soldado Willians. Os resultados dele foram... Um tanto quanto não-ortodoxos.

Cadete Jonas: Ele salvou minha vida.

Klégio: Imagino que deve estar muito grato, quem sabe até admirado pelas estranhas capacidades premonitórias do soldado, afinal, não é comum ter um Stormtrooper com o dom da "FORÇA"...

Cadete Jonas: “...”.

O capitão ajeita seu uniforme enquanto caminha vagarosamente pela sala.

Klégio: Estou preocupado cadete, ter um indivíduo tão único em nossas tropas não parece correto. Ele não se encaixa no perfil do Trooper comum e isso poderia resultar em situações um tanto desagradáveis para ambas as partes...

Cadete Jonas: Devo reconhecer que não ía com a cara de Willians, senhor. Mas aprendi a respeitá-lo ao vê-lo em combate. Sua lealdade aos ideais do Império é admirável.

Klégio: Diria que a devoção dele ao Imperador é inquestionável?

Cadete Jonas: Creio que sim, senhor!

Klégio: Caso contrário você me diria, não é mesmo? Sabe que prender um traidor é uma bela forma de se conseguir uma promoção...

O capitão sorri de forma até desdenhosa. Jonas não assiste a saída do capitão (que se retira da sala apressadamente) seus pensamentos estão janela abaixo, onde ao longe ele percebe a silhueta do amigo acompanhando a rebelde recém liberada do interrogatório.

Na rua...

Catwyn: É uma pena, soldado, se as coisas tivessem sido diferentes, quem sabe você não teria se tornado Padawan do próprio mestre que morreu por suas mãos.

Willians: A época dos Jedi terminou, não resta nada além do Império.

Catwyn: (A moça sorri) Por que acha que encontraram os Jedis naquele dia? Nada acontece por acaso, o mestre Jedi percebeu sua presença. Ele abraçou o seu destino porque acreditava que você faria o mesmo: use seus sentidos e a Força te guiará para seu verdadeiro caminho.

Catwyn olha novamente para Willians, o mesmo olhar que ela já lhe dirigirá anteriormente, sem precisar se despedir verbalmente, a moça deixa o soldado e caminha de volta para casa.

Anoitece.

Willians está desconfortável. Levanta da cama e deixa o alojamento em direção aos vestiários, na cama ao lado, Jonas acorda com o levantar súbito do amigo e se apressa em segui-lo.

Cadete Jonas: O que aconteceu?

Willians: Um mau presságio. (Suspira) Sinto que algo terrível está para acontecer.

Cadete Jonas: Acha que é uma premonição? Afinal, dizem que através da Força se pode prever o futuro...

Willians: Eu não sei... Nunca senti isso antes, meus sentidos estão confusos...

Cadete Jonas: A ponto de se voltarem contra o Império?

Willians: Do que está falando?

Cadete Jonas: Capitão klégio está desconfiado de você, ele acha que a crença na Força pode desvirtuá-lo e fazê-lo deixar de servir ao Imperador.

Willians: O quê? Mas eu sou um clone! Que outra utilidade eu tenho se não servir ao Império?

Cadete Jonas: Precisamente.

Willians parece cansado e aborrecido. Jonas percebe no caminhar combalido do companheiro o peso do presságio em seus ombros. Seja o que for que esteja sentido é com certeza algo muito sério.

Cadete Jonas: O capitão pediu para que ficasse de olho em você e que qualquer conduta suspeita fosse prontamente relatada...

Willians: Então é isso, você veio até aqui para me espionar?

Cadete Jonas: Não. Eu estou aqui para te ajudar. Seja lá o que for fazer...

Willians: Então, vou confiar com você! Preciso ver Catwyn, ela também sente a Força, quem sabe ela pode me ajudar a decifrar o que estou sentindo.

Cadete Jonas: Você... Vai se encontrar com a... Rebelde? (A voz de Jonas parece engasgar no final da frase. O que seu amigo poderia querer com seus inimigos?).

Willians: Jonas...

O Soldado se aproxima e segura os braços do cadete que ouve do amigo:

Willians: Isso não tem nada a ver com guerra entre a Aliança e o Império, há algo maior acontecendo aqui e eu preciso descobrir.

O soldado termina de se vestir enquanto Jonas observa.

Willians: Perdoe-me amigo, mas preciso que você confie em meus julgamentos, não posso ficar parado esperando essa “possível” catástrofe acontecer. Isso é algo que eu tenho que fazer. Sozinho.

Jonas não parece questionar o desejo de Willians que lhe dá um tapinha nas costas. O soldado se despede do amigo e deixa a base sem ser notado pelos outros guardas. Na surdina, Jonas continua a contemplar o amigo - que tanto admira e na qual tanto se inspira.

Cena XII: Covil

Catwyn está em polvorosa, olha para todos os lados para se certificar que está sozinha. Toma coragem e entra cuidadosa no pub. Com calma, olha para os lados até encontrar um rosto conhecido.

Fetyui: Catwyn!

A moça abraça o rebelde com alegria.

Fetyui: Estou aliviado em vê-la. Não sabíamos o que tinha acontecido contigo. Eles te pegaram?

Catwyn: Na verdade me salvaram, fiquei presa nos escombros e eles me tomaram como vítima. Mas o que aconteceu lá?

Fetyui: Ficou perigoso, os soldados estavam desconfiando e a bomba foi acionada antes da hora, mal deu tempo para escapar.

Catwyn: Antes da hora? Ora, eu poderia ter MORRIDO!

Fetyui: Quieta... Não fale assim tão alto, desde que os soldados entraram aqui naquele dia temos que tomar todos os cuidados para proteger nosso covil...

Catwyn: É que aconteceu tanta coisa.... E nosso plano não foi suficiente para vingar a morte dos Jedi...

Fetyui: Não se preocupe, foi apenas o início. Nosso próximo passo será tão definitivo que acredito em uma mudança definitiva nos rumos desta guerra galáctica!

Willians: Que espécie de “passo” seria este? Do tipo que arriscaria a vida de milhares de inocentes?

Fetyui: Quem... ?!

De espreita o soldado reaparece para os conspiradores.

Catwyn: Calma, ele é um amigo, ou assim o considero.

Willians: Como pode ver não estou aqui de uniforme. Não quero provocar nenhum confronto.

Catwyn: Como me achou?

Willians: Imaginei que estaria pelas redondezas. Pelo visto você sempre anda por estas bandas... Então... Resolvi te esperar.

Catwyn: Esteve me esperando? Que lisonjeio... Aconteceu alguma coisa?

Willians: Ainda não percebeu? O distúrbio na Força é tão claro pra mim quanto é para você. Uma tragédia está para acontecer. E acredito que a causa para tamanha desgraça seja a próxima empreitada da Aliança.

Fetyui: Mas do que você... ?!

Catwyn: Meus sentidos não estão claros quanto a isto, como pode ter certeza?

Willians: Simplesmente eu sei, não posso explicar. Mas se acredita na Força, pode acreditar que ela é forte em mim. Eu sei que algo grave está para acontecer. Por isso, eu peço, seja lá o que for que estejam planejando, deixem para trás, existem alternativas, não precisam recorrer a atitudes extremadas!

Feytui: E o que você sabe sobre extremismo, filhote imperial? Nada que ocorra nesta guerra poderá se comparar ao mal causado pelo Imperador e seus asseclas!

Catwyn: Talvez ele esteja certo.

Feytui: Mas...

Catwyn: As coisas estão fugindo ao nosso controle, nosso último ataque foi um desastre... O que acontecerá se nossos planos não funcionarem novamente?

Willians: Quer mesmo que eu repita tudo o que disse até agora?

Feytui: Eles vão funcionar! Não comece a fraquejar agora. Estamos planejando isso há tanto tempo! Nada vai sair errado...

Catwyn: Temos certeza disso?

Willians: Eu poderia estar aqui com uma escolta e aprisioná-los, entretanto, escolhi uma alternativa mais viável: a do diálogo. Estou fazendo um grande sacrifício por isso, mas se ninguém estiver disposto a ceder... Não vejo outro futuro que não seja nossa aniquilação total. E é exatamente isso que eu quero evitar aqui.

Feytui: Está certo.

Catwyn dá um leve abraço de aprovação em Feytui.

Feytui: Eu desisto de nossa operação sob uma condição. Um companheiro nosso, Hurgi, foi preso por vocês, se conseguir a libertação dele... Você tem a minha palavra de que não agiremos de forma extremada.

Willians: Farei o possível para honrar esse compromisso.

Willians se despede do homem com um leve aceno de corpo, Catwyn o abraça antes que possa repetir o gesto. Em seus ouvidos ela sussurra:

Catwyn: Honre o manto dos Jedi, é só isso que eu peço.

Com um leve beijo no rosto, a rebelde se despede do soldado que deixa o local apressadamente. Não sem antes escutar um novo aviso da moça:

Catwyn: O mestre Jedi ficaria muito orgulhoso de você!

Os rebeldes se voltam para o balcão, mal notando que estão sendo observados por Jonas. Ele espera Willians deixar o local para vestir seu elmo. Ao menor aceno de suas mãos uma tropa prontamente invade o local. Seus freqüentadores são rapidamente dominados diante da agilidade das “tropas da tempestade”.

Fetyui: O que está acontecendo aqui?

Cadete Jonas se posta a frente.

Cadete Jonas: Vocês estão sendo presos. Por conspiração contra o Império.

Fetyui: Maldito!

O rebelde parte para cima do Cadete. Jonas usa sua arma para desferir um direto que leva o homem quase ao nocaute. Seu lábio sofre um rasgo enorme, sangue escoa do canto da boca até o chão.

Cadete Jonas: Escória rebelde!

Ainda no chão, o homem lamenta:

Fetyui: Era... Uma armação, o maldito nos traiu!

Catwyn: (Sussurrando) Willians...

O dia amanhece. Willians aguarda um chamado de seu capitão para entrar na sala. O soldado madrugou na porta de Klégio, esperando o momento para falar com seu superior. De dentro, o sistemático homem o chama:

Klégio: Entre, soldado. O que o trás aqui tão cedo?

O capitão nem encara seu subalterno, está ocupado demais arrumando sua escrivaninha para um novo dia de trabalho.

Willians: Capitão! A mulher que interrogamos nos deu valiosas informações e acredito que estou prestes a confirmar um possível ataque rebelde contra nossa organização.

Klégio: Isso... É muito sério, soldado, continue...

Willians: Mas estou em contato com pessoas que garantem que a Aliança pode topar desistir de seu próximo ataque...

O capitão, enfim. olha para Willians, que continua:

Willians: (...) Se libertarmos um de seus homens, preso no último atentado.

Klégio: Deve saber, Trooper, que não faz parte dos procedimentos imperiais negociar com qualquer tipo de corja rebelde.

Willians: Eu sei... Capitão! É que diante da situação...

Klégio: Que situação?

Willians: De extremo perigo. Estamos diante de um ataque aterrador e eu temo que uma catástrofe sem precedentes ocorra neste planeta.

Klégio: Acredita mesmo que este possível ataque seja, assim, tão mortífero?

Willians: Sim, meu senhor! Estou seguro de que só teremos a perder se não aproveitarmos a chance de abrir esse canal de diálogo com a Aliança Rebelde. Uma solução pacífica seria muito proveitosa diante do perigo que estamos enfrentando.

Klégio: Suas convicções são muito fortes, soldado. Não é normal encontrar clones que sejam capazes de formular seus próprios pensamentos. Com certeza...

O soldado prontamente lembra-se do aviso de Jonas - ele está sendo testado por Klégio, que dúvida de sua lealdade ao Império.

Willians: Eu só penso em servir ao Imperador.

Klégio: É mesmo?

O capitão se volta para a janela, arrumando seu uniforme impecavelmente apresentável.

Willians: Capitão! Essa é uma ameaça grande demais para ignorarmos...

Klégio: De fato! Mas não se preocupe... Todas as providências já foram tomadas.

Willians: O quê?

Klégio: Graças a você descobrimos o esconderijo rebelde e todos os conspiradores já foram presos e a ameaça rechaçada.

Willians: Mas...!

Klégio: Ficará orgulho em saber que seu amigo Jonas se incumbiu pessoalmente de efetuar as prisões.

Willians: Jonas... Ele me disse que... Nunca...

Klégia: O cadete é um bom rapaz, sua lealdade ao Império é incontestável, não acha?

Willians: Mas a ameaça ainda...

Klégio: Os rebeldes já foram encaminhados para a carceragem imperial e lá farão companhia para seus companheiros já aprisionados.

Willians: Não!!! Essa é a ameaça!

Klégio: Como assim?! Explique-se soldado!

Na carceragem Hurgi coça sua cabeça, até seus dedos encostarem no pequeno e quase imperceptível dispositivo colocado sob a pele de sua nuca. Em um suspiro ele o aciona.

Willians: Meus instintos me dizem que os rebeldes esconderam detonadores térmicos em seus corpos! Que só podem ser ativados pelo homem preso no atentado! Se eles ficarem juntos... Poderão ativar a bomba e...

Uma sirene toma conta do prédio. Um leve tremor é sentido na sala do capitão. Klégio rapidamente aciona o Intercom.

Klégio: O que está acontecendo?

Intercom: Senhor, uma forte explosão parece ter ocorrido no setor D54!

Willians: Então, aconteceu...

Klégio: Sonda! Dê-me todos os detalhes...

Intercom: Aparentemente todo o setor foi afetado, senhor! Por enquanto não temos nenhum sinal de que possa ter havido sobreviventes...

Klégio: Willians!

O Soldado - que acaba de deixar a sala - não escuta o chamado de Klégio, seus passos apressados já o conduziam diretamente para o local do atentado...

Continua...

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