Matéria Especial "O Bom do Brasil"
Medalhas para os maratonistas do SESC
Foi digna de um evento olímpico a disposição dos cinéfilos e simpatizantes na mostra “O Bom do Brasil” durante a terceira semana de julho em São José dos Campos. No espaço de Cultura da Câmara Municipal. Quatro dias de curtas e longas, além de debates e troca de idéias a respeito das produções nacionais e sua atual conjuntura.
O povo que se volta para o cinema na cidade buscou coisa nova. A reunião das peças do último ano de diretores relevantes e referenciais no período que reconhecemos como “Retomada” - cultura no audiovisual fabricada desde a década de 1990 até agora - foi projetada para o desfrutar e critica joseense.
Entre os filmes, destaque para o diretor Beto Brant que teve dois de seus trabalhos exibidos no final da mostra. Beto é atualmente o diretor com maior número de longas realizados no Brasil durante a fase da “retomada”. São cinco no total. O SESC trouxe os títulos “Crime Delicado” de 2005 e “Cão Sem Dono” de 2007. Filmes premiados no circuito nacional.
Em comum, os dois revelam a crise existencial de personagens e encontros sexuais - desafios para solucionar esta crise. São histórias provocativas. “Crime Delicado” coloca um crítico de teatro (caracterizado como distante e solitário nos relacionamentos humanos) diante da prova para o controle de suas emoções a partir de uma paixão que o convida a enxergar aonde a arte e a vida se confunde. “Cão Sem Dono” tem um jovem recém formado “cético e sem perspectiva”. Narrado no espaço do seu apartamento solitário, acompanhado de um cachorro sem nome. Depois de descobrir o amor, o jovem depara-se com a dialética entre a maturidade-sociável e seus próprios projetos, os individuais. O filme também tem o nome de Renato Ciasca na direção.
Os medalhistas também puderam ver “O Cheiro do Ralo”, produção (de 2006) é assinada pelo diretor Heitor Dhalia. Um filme engraçado e original. É um comprador de coisas velhas que sofre com o ralo de banheiro entupido do seu escritório. Insensível e consciente de como obter lucro, a personagem vive a paranóia de atribuir seus insucessos ao cheiro do ralo. A mostra ainda exibiu no último dia “Não Por Acaso” (2007. Dirigido por Philipe Barcinski). A obra retrata duas histórias que se cruzam a partir de um acidente. Tem-se um operador de transito e um “fazedor-de-mesa-de-sinuca” que se confortam no trabalho para não perder a segurança de administrar as emoções da vida sem uma parceira.
Bronze para as cadeirinhas confortáveis só até a segunda sessão, prata para o “Cine Plenário” e ouro para a parceria “SESC-Espaço Câmara de Cultura” e sua iniciativa. Ah, e medalha de honra ao mérito para nós, simples apreciadores.
PS: Só faltou o filme do Pelé nessa mostra! (Ou não...)

