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Com grandes poderes vêm grandes sacanagens

DivulgaçãoFica fácil descobrir tendências em hollywood. Quando um “estilo” de blockbuster pensa em predominar, pronto, logo aparece um filme-expresso para parodiar o gênero (da moda). “Acabando” com os "homenageados" e faturando uns trocados em cima dos mesmos. Foi assim com a nova geração do horror nipo-americano, com o revival das produções catástrofes, na escatológica comédia adulta, com os épicos modernos, etc. Seguindo nesta linha, até demorou pra algum estúdio tentar “fazer graçinha” com os usuais super-heróis que pipocam todo ano nas telonas. Excepcionalmente comuns na filmografia dos “arrasa-quarteirões”, a onda criada por estes seres descomunais desembocou em “Super-Herói - O Filme”, que (re)visita o vasto-similar catálogo dos personagens da linha colante, apresentando um caricato "Spider" - de vulgo Libélula - e “destruindo sarcasticamente” o vasto universo onde está se inserido. Em qualquer sentido, positivo ou negativo.

Pautada pelo sucesso escarlate do amado “Amigão da Vizinhança”, a obra explora as palhaçadas de um - nerdístico - Peter Parker genérico - algo estupidamente condizente com os pré-requisitos necessários para protagonizar este tipo de comédia rasgada. Da mitologia do citado ícone Marvel, foram recriados (comicamente) outros personagens, entre eles, Tio Ben, interpretado - nada mais, nada menos - por Leslie Nielsen (da série “Corra Que a Polícia Vem Aí”), astro cativo destes produtos cinematográficos (nem poderia ser diferente, né?). Nielsen sequer precisou mudar sua forma de atuar para entoar o tal “Com grandes poderes, vêm grandes...”. Sua participação aqui é igual a todas as demais participações “especiais” já feitas pelo veterano ator - entregando uma atuação simplesmente costumeira, figura "Nielsiana" típica e enfraquecida pelos limites (originais) do papel. Esticado num “adendo pós-mortem” para (desta forma) reaparecer (após a pequena exposição inicial) ao longo da projeção (muito temerosa em largá-lo logo nas primeiras cenas, afinal).

Colhendo referenciais e soltando - diversificadas - gags por segundo, “Super-Herói” atira para todos os lados possíveis (cinematograficamente), tentando - desesperadamente - contentar o público. Acontece que, enquanto os marvetes-cinéfilos se beliscarão rindo com as situações “adaptadas” dos longas-metragens prediletos, a platéia geral ficará muda diante de tantas bobagens insossas. Para quem (eventualmente) não conhece o material ripado, a experiência passa (praticamente) incólume no quesito gargalhada. Pois, além da eventual "semelhança", o restante das piadas diverte tanto quanto uma aula de física quântica, trocando os austeros números pelo modo chulo com que as seqüências acabam sendo (mal) tratadas/filmadas.

Falando desta porcariada padrão (dummies), podemos entender (em parte, com boa vontade) a predileção adolescente pelas flatulências nojentas do cinemão “sem limites”, entretanto, momentos constrangedores como o “escapamento” intestinal da pseuda Tia May incomodam bastante. Mais que divertem. Gosto é gosto, mas alguns deles são realmente discutíveis...

Inadvertidamente, apesar de trazer (no cartaz) outros baluartes meta-humanos, a empreitada especializa-se em xerocar - estritamente - os elementos aracnídeos da trama. Deixando um hall de interessantes personas ausentes do conto geral - ou distribuídos por pontas rápidas - só para constar. Pamela Anderson está aí para não me deixar mentir. Pois, o nome da musa aparece destacado - comercialmente - nos créditos, entretanto, sua minúscula participação como “mulher invisível” dispensa os efeitos especiais atrelados. “Invisibilidade” basta o tempo de tela, já que a moça aparece e some numa questão de segundos. Piscou, perdeu.

Pra compensar, temos uma bacana aparição de Brent Spiner, o querido Data (figura predileta entre vários trekkers). Mostrando seu "rosto verdadeiro” (coisa rara para quem vivia maquiado como andróide em “Jornada nas Estrelas: A Nova Geração”) e um enorme talento/carisma, tão característico. Estes, muito superiores ao próprio projeto em si - bem fraquinho.

 

Carlos Campos

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