Um subestimado bicho domesticado
Dia sim, dia não, opa... Mais uma produção da Walden Media chega aos cinemas. Especializada em fantasias infanto-juvenis, a produtora responsável pela cine-série “Nárnia” desenvolveu - nos últimos anos - uma linha de montagem (padrão) para suas peças fictícias, extraindo de cada uma delas o básico - do básico - para lançar produtos meramente qualificados, por vezes ou outra, até criando suvenires mais atraentes. Mas quase sempre entregando alguns toy-movies fúteis - feitos para o consumo fast-food dos grandes multiplex. “Meu Mostro de Estimação” - aleluia! - vale (ao menos) os trocados investidos na compra do ingresso. Dá inclusive pra se esfacelar numas pipoquinhas de tamanho médio, guardando umas moedinhas para pagar o - facultativo - estacionamento (aka passagem de metrô/ônibus).
Dos filmes recentes saídos do maquinário da empresa, este acaba - inusitadamente - ajudado pela simplicidade típica (e costumeiramente maléfica) dos longas co-irmãos - estabelecidos habitualmente com “graves/sérias restrições orçamentárias” (vide “Os Seis Signos da Luz”). O (bom) lado “comum” da coisa já aparecia no texto original, escrito por Dick King-Smith (autor do sucesso “Babe: O Porquinho Trapalhão”), uma literatura homônima de fácil/rápida leitura. E isto foi claramente traduzido para as telas. A história (envolvendo uma criatura do folclore escocês chamada de “Cavalo do Lago”) é visivelmente normal (amizades entre crianças e animais - mágicos ou não - aparecem aos montes na Sétima Arte), sequer carregando maiores ambições, numa honestidade simplória enternecedora.
No conto, o destaque fica mesmo por conta da ambientação, espetacularmente re-trabalhada na película. A narrativa se beneficia da época (Segunda Guerra Mundial) e do local (o paradisíaco litoral celta), nada muito original, é verdade, entretanto, ambos inegavelmente capazes de proporcionar/invocar alguns temas interessantes (o cinismo dos tempos de luta em contraponto aos sonhos de infância). Além de garantir uma belíssima fotografia, esta, maximizando a natural - cinematográfica - paisagem encontrada neste recanto de mundo. Desviando inadvertidamente (só um pouquinho) a atenção do espectador babão. Pois, as imagens são tão lindas que elas se sobrepõem ao próprio longa-metragem. Não se assuste ao ouvir (durante a exibição) algumas (audíveis) expressões públicas entusiasmadas (seguidas de palavrões - no bom sentido) a respeito deste cenário embasbacante.
Turismos à parte, nada sobraria (senão a idéia) se o tal “monstro” título não funcionasse. Evidentemente. Usando uns bons efeitos especiais, o ser mágico ganha escopo - sabiamente - quando suas aparições começam a lembrar-interceder com a famosa lenda do Lago Ness. Um toque curioso de realismo-fantástico extremamente interessante. Bem aproveitado para quem (já) se interessa pelo (discutível) assunto. Despencando (exclusivamente), contudo, no retrato cômico destinado para determinadas passagens, falsas e/ou caricatas (como num desenho animado, para a alegria da criançada), utilizando um humor extrapoladamente pastelão - ao clássico estilo “Tom & Jerry” de perseguições amalucadas.
Atrapalha também - um bocado - o fato do longa-metragem ter seus (irritantes) momentos “Free Willy”. Sem estragar resoluções (adiantar mudanças com relação ao livro) ou contar qualquer Spoiler maior, fica fácil supor como a saga de um menino (que tem medo de nadar) e seu - diferente - animal de estimação (marítimo!) acabará. Some os pontos e teremos uma torturante meia-hora final de clichês e cenas - assustadoramente - sem surpresa alguma. Tudo bem, novidades não são o forte neste caso, como salientado desde o primeiro parágrafo, entretanto, era possível (muito bem) evitar os aspectos medíocres de findar (sem qualquer remorso) “na média” do óbvio (lulante) “Voe Willy, Voe!!!”.

