Telão-dramaturgia
O filme "Sexo com amor?" de Wolf Maya juntou o que a televisão tem de melhor. Atores bons de novelas, rostinhos bem conhecidos, traições e comédia. Tudo numa mistura de maridos/mulheres com seus tabus sexuais e um pouco disto refletido na vida dos filhos.
A história começa com o melhor dos personagens. Melhor para esta pessoa que voz escreve! Pode não ser para muita gente... Jorge (por José Wilker) é um “tiozão” que fala bem e é conhecido por ter um programa na TV sobre relacionamentos. Casado, ou “casado” porque o cara “pega” outra e não está nem aí para a oficial! Enfim, casado com a Mônica (a mãe do Cebolinha, Marília Gabriela) que já aprendeu com a experiência a diferença entre amor e paixão. Os dois numa mesa de restaurante servindo-se vinho para comemorar.
A experiente ironiza o acontecimento por não ser uma situação comum para o apresentador, marido infiel que nunca tem tempo para ela. Jorge prova sua excelência ao dizer que a comemoração é por causa de uma novidade na sua egoísta carreira profissional. Além de tudo, Jorge é agora colunista de revista, jornal, periódico, etc... E lhe diz tudo que a esposa sonhou um dia ouvir numa mesa de restaurante fino, a luz de velas, clima super-romântico: “esta comemoração é por começarmos uma vida nova, só nos dois, felizes para sempre, eu vou chegar mais cedo do trabalho, vou dar mais atenção para você, bla bla bla bla bla...”.
Mas eu falava do telão-dramaturgia...
Uma novela curta num longa-metragem. Uma seqüência de “cenas do próximo capítulo” sem comerciais ou créditos finais. Que apresentou os casais protagonistas, a família classe média, a família classe média alta e toda libertinagem inata ao homo-sapiens. Se não fossem três amiguinhos, da mesma escola, surpreendidos pelo inspetor na hora em que folheavam uma publicação sobre a luxúria do homem, enquanto matavam aula, nunca haveria uma ligação entre as histórias contidas neste conto sobre amor e sexo.
É que os pais de um dos três são a Mônica e o Jorge, os outros são Pedro (por Eri Johnson) e Mara (a “te conheço?” do Zorra Total, Maria Clara Gueiros). Além de Paula (por Malu Mader) e Rafael (por Reynaldo Gianecchini), pais da garotinha que completa o trio de pivetes. As crianças são alunos da professorinha Luisa (por Carolina Dieckmann) que, como diria o grupo insano de rock, quase extinto, Raimundos, na letra da canção “O pão da minha prima”, soltava a “tarraqueta” para o sofisticado Jorge, marido da pobre Mônica.
Falando em prima, em parente, mais precisamente em sobrinha, falo do Pedro. O Pedro, marido da Mara, que recebe em sua casa sua doce sobrinha (doce com pimenta! Se é que vocês me entendem...), que ele não via há anos. Desde os 9 para ser mais exato, porém agora um tanto quanto crescida! Para encurtar, na história, Pedro enfrenta o dilema. Aquele dilema. Talvez o melhor dos. Comer ou não comer a sobrinha? Ceder ou não ceder a ninfetação (ninfeta + tentação)? Sexo com amor? Só com a sabedoria dos povos Incas, Astecas ou do diretor Wolf Maya - que faz uma ponta como diretor de TV no programa que o Jorge apresenta - para se conhecer a resposta no final do filme.
Fica faltando o Rafael, o comedor Rafael (que está lado a lado na disputa com Florentino Ariza, de “Amor nos Tempos do Cólera”, na disputa pelo número de mulheres catequizadas). No currículo dele tem desde secretária até aeromoça, passando pela melhor amiga da sua esposa e pelo melhor amigo também! É, amigo!!! Para o Gi... Ops! Para o Rafael não tem tempo ruim também não (vix...).
Telão-dramalhão! Se não fosse por Felipe Lacerda, que assina como editor do filme, "Sexo com amor?" não faria muita falta para os homo-sapiens.

