Qualquer semelhança é mera casualidade
Quando J.K. Rowling redescobriu o filão das fantasias infanto-juvenis, primeiro na literatura e posteriormente nos cinemas, com a aclamada série Harry Potter, ninguém poderia imaginar que o gênero se tornaria uma verdadeira febre cinematográfica, daquelas difíceis de passar. Atualmente, estas produções surgem às pencas nas livrarias e rapidamente já migram para as grandes telas, tentando refazer os caminhos do citado (e bem sucedido) bruxinho. “Os Seis Signos da Luz” é o último representante desta fornada de clones harrypotterianos, demonstrando claramente a endêmica falta de novas idéias - algo muito preocupante se considerarmos os trailers - conceitualmente idênticos - exibidos nas salas comerciais antes deste longa-metragem similar.
Na história, baseada no conto de Susie Cooper, um sétimo filho de um sétimo filho carrega em si o poder - até então desconhecido - de procurar os objetos mágicos que dão nome ao título, quinquilharias estas, necessárias para a vitória secular do bem sobre o mal - na guerra travada há gerações. Muito original... Como manda o figurino “Rowlingiano”, o destino do mundo recai sobre um “poderoso” pré-adolescente, vivendo pacatamente com sua família sem se dar conta do quanto é “especial”. Nada que um velho (poderoso) sábio-guia (darei a ele o carinhoso apelido de Obi-Wan Kenobi) não possa mudar com algumas frases feitas e/ou treinamentos meia-boca.
Obi, aparece para instruir o jovem Harry, ops... Will Stanton (“interpretado” pelo desconhecido Alexander Ludwig) nos caminhos da “Força” (pois é...) da Luz, enquanto o “Cavaleiro Negro” (representando a maldade encarnada, óbvio) tenta recuperar suas energias - vide outro famoso Lorde das Trevas - para lançar suas sombras em (barata) computação gráfica por todo o planeta. Aparentemente, não existe nenhum grau de parentesco (tipo pai e filho) entre os antagonistas principais. Ainda bem. Seria cópia demais - para um filme de menos.
Enquanto tenta achar as horcrux genéricas, o herói se vê diante de “perigos” intransponíveis (hã... Corvos afro-descendentes?), além de confrontar diariamente uma ameaça ainda mais aterradora: a puberdade. E com ela, a súbita paixão por uma garota (que carinhosamente vou apelidar de Cho Chang). Talvez o maior obstáculo dentre todos os desafios enfrentados pelo protagonista. A capacidade de sedução da moça é proporcional a falta de atração entre espectador e trama, magicamente incapaz de enfeitiçar legiões de fanáticos - como nos inúmeros clássicos fantásticos dos anos 80, estilo “Cristal Encantado”, por exemplo. Sucessos absolutos para o mesmo (desejado) público-alvo de “Os Seis Signos”.
Recheado de situações desgastadas, a película se salva - numa boa vontade absurda - encarando-a nos termos de uma "Sessão da Tarde" daquelas bem vagabundas. No máximo. Pois, apesar do fator replay, a coisa toda consegue se amparar num razoável orçamento mediano - a cargo da mesma produtora de “Nárnia”, outra saga fantasiosa revestida com personagens cheios de espinhas pelo rosto. Deixando as bobagens comestíveis o suficiente - principalmente - para os “trouxas” desconhecedores das obras xerocadas por esta lamentável aventura pausterizada - anacronicamente - em cima dos principais rivais.

