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O nome forte do cinema brasileiro

DivulgaçãoJá faz tempo que Selton Mello brilha nas telas verde-amarelas. Com dezenas de longas no currículo e infindáveis serviços prestados ao cinema nacional, por vezes largando mão de trabalhos televisivos bem recompensadores economicamente, o ator global segura as pontas (e assume as rédeas) de “Meu Nome Não é Johnny”, com a competência habitual de quem encarnou de vez - mesmo aos olhares mais incautos - o papel de representante maior da (moderna) cinematografia brasileira. Com decantada vantagem sobre os demais concorrentes, apesar do amplo sucesso hollywoodiano de Rodrigo Santoro.

“Meu Nome Não é...” conta a verídica derrocada de João Guilherme Estrella, traficante provindo da classe média que se tornou o rei da cocaína na zona sul carioca - nos idos da década de 80/90. Tendo como base o livro homônimo (escrito por Guilherme Fiúza) e seguindo uma temática já exposta em alguns sucessos recentes (vide “Tropa de Elite”), o filme escancara o problema das drogas (expondo sua ligação com as altas camadas sociais) reabrindo a discussão sobre a capacidade das instituições penais em recuperar (ou não) condenados pela lei. Independente de suas origens ou crimes cometidos. Tudo resumido num caso real que ganhou as manchetes dos jornais da época e agora se encontra traduzido e esmiuçado para o deleite dos amantes da Sétima Arte.

Com um roteiro muito bem articulado (autoria do próprio diretor Mauro Lima e da reconhecida produtora Mariza Leão), a vida de João Guilherme é retratada em dois universos paralelamente distintos, um resplandecendo as farras habituais (ao lado da namorada vivida pela atriz Cléo Pires) de um cotidiano sem limites e outro mostrando o preço cobrado por tamanho desprendimento delinqüente-juvenil. Mistura perfeita para deixar Selton carregar (de forma onipresente) tanto protagonista quanto película, transitando entre o drama e a comédia com uma facilidade indescritível. Fixando sua figura - quase fictícia - como um sujeito extremamente carismático, apesar dos equívocos responsáveis por sua saga no submundo da criminalidade - e concomitante dependência pelas drogas pesadas.

O título costura momentos divertidos e/ou traumáticos, despejando situações e personagem risíveis (destaque para a atrapalhada dupla de policiais) ou melodramáticos. Misturando-os paradoxalmente na figura dividida de Johnny, mocinho e bandido simultaneamente. Unilateralmente jogado num limiar de bondade e maldade difícil de ser controlado, fazendo a produção - aparentemente - suavizar o peso do “retrato histórico” para valorizar as ações bem-feitoras do controverso Guilherme Estrela. De certa forma, prejudicando uma das bandeiras levantadas pelo longa-metragem: a ressocialização dos ex-detentos após o cumprimento da pena. A “recuperação” perde um pouco de sentido levando-se em conta a amostragem "light" (cômica) desprendida ao narcotraficante. Nunca “mal” o suficiente para sustentar uma transformação realmente impactante...

Um deslize menor, contudo. Frente, principalmente, a emocionante e divertida interpretação de Selton Mello. O grande responsável pelo sucesso desta competente cinebiografia. Com seu jeitão bonachão e descolado, o ator sedimenta sua importância no avanço do cinema tupiniquim. Aliás, como já vinha fazendo ao longo de inúmeros trabalhos prévios. Seu nome pode (até) não ser Johnny, mas isso sequer tem alguma importância - justiça seja feita - uma vez que podemos chamá-lo simplesmente de “o cara dos filmes brasileiros”. Sem erro.

 

Carlos Campos

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