Destaques:

Coluna do Monkeybh

Em Foco:

Críticas

Xuxa em um sonho de fazer cinema

DivulgaçãoAno vem, ano vai, é sempre a mesma coisa, mais um filme da Xuxa estréia nos cinemas tupiniquins com a missão de conquistar o coração dos fãs da apresentadora - passando batido pela crítica e por todos os demais espectadores casuais. Com um ritmo invejável, Maria da Graça Meneghel está atingindo seu (ganancioso) objetivo de colocar anualmente (pelo menos) um longa-metragem em cartaz. De "Xuxa Requebra” (de 1999) até agora foram 9 consecutivos, com direito a uma passagem pela animação (“Xuxinha e Guto Contra os Monstros do Espaço” de 2005) e centenas de “participações especiais”, de pagodeiros à cantores sertanejos. Fora as personalidades “do momento”.

Todos estes longas tem um mérito intrínseco: agradar aos fanáticos admiradores da estrela global e/ou seus convidados. A contento. Pode parecer inacreditável, mas tem gente que (realmente) adora ver a “rainha dos baixinhos” aprontando todas (também) na tela grande. E o motivo é dos mais simples, o que um fã da Xuxa mais deseja? Ver a própria Xuxa, lógico. É exatamente isto que a loira entrega nas suas aventuras cinematográficas, transformadas em verdadeiros mosaicos expositivos, colocando os “ídolos” em diversas situações “embaraçosas” (aka engraçadas) que farão seus fieis consumidores - de longa data - corar de felicidade. Assim, a Xuxa sorri, chora, conta piada, faz cara de envergonhada...

Mostrando-se em diversas facetas para a festa de quem se entristecia quando o “Disco Voador” a levava embora. Quase como se estivéssemos em um de seus programas matutinos, onde a gincana da vez é brincar de “fazer filminho”. Este é o segredo, no fundo. A proposta de suas películas. Deixar Maria da Graça e seus amigos fingindo/atuando numa algazarra típica daquelas que são protagonizadas pelas crianças nos “Xhows” televisivos. E por isso mesmo, elas a adoram tanto. Naturalmente, os pequeninos entram no clima, automaticamente, entendendo “o espírito” desta brincadeira. Incompreensível. Para quem não dá a mínima para a bagunça... Ou para a Xuxa (principalmente). Por conta desta disparidade, os públicos se separam (forçosamente) em duas parcelas distintas, os que gostam e os que detestam o tal “querer, poder e conseguir”, lema tão decantado por ela - sobretudo - agora.

Para os últimos, sobram motivos para detratar qualquer produto que leve o selo “X” de “qualidade”. Nada resta para ser visto nestes títulos, por exemplo, para os que procuram por uma boa história, boas atuações, ótima direção, técnica... Já que nada disso importa, tanto, até pela agenda sempre corrida dos envolvidos. Tudo é feito a toque de caixa para garantir a meta e lançar, a cada 12 meses, um “quadro com os famosos”. Jogando as favas - repetidamente - talentos natos de nosso cinema. Em “Xuxa em Sonho de Menina”, o diretor Rudi Lagemann (do elogiado ganhados de Gramado, “Anjos do Sol”) limita-se ao básico, filmando como se largasse mão de qualquer inspiração artística para fotografar suas “criançinhas arteiras” bagunçando (alopradamente) diante da câmera. Apenas.

Como ocorrera em todas as demais tentativas “Xuxísticas” de pintar o set na Sétima Arte. De fato. E de direito. Afinal, Xuxa não tem culpa alguma de tentar agradar (exclusivamente) aqueles que lhe acompanham há muito tempo, independente, se por conta disso, ignoram-se os que buscam (simplesmente) por um bom passa-tempo. Com ou sem a já consagrada e (re)conhecida mamãe de Sasha. Mais a última opção do que a primeira... Por isso, desencane. E deixe-a sonhar e se fantasiar de atriz para entreter seu público-alvo. Só não espere pelo habitual “um beijo pro meu pai, para minha mãe e outro pra você” ao final da sessão. No final das contas, já seria demais - até para os participantes desta “séria” (e lucrativa) “arte” (no sentido mais faceiro da palavra) do faz de conta (que é filme).

 

Carlos Campos

Claquete Virtual | ©2006

Hosted by www.Geocities.ws

1