A última das armações de Laurentiis
Basta atentar. A produção tem a batuta de Dino De Laurentiis? Então, podemos supor (de antemão) que se trata (na melhor das hipóteses) de um produto mediano. Conhecido por seus usuais caça-níqueis sem qualquer valor artístico, Laurentiis até acerta de vez em quando, mas muito pouco para alguém que já produziu tanto. Durante tanto tempo. A bola furada da vez é esta pálida aventura de capa-espada - que parece ripada dos grandes épicos hollywoodianos de outrora.
Verdade seja dita, desta vez o estrago não foi dos maiores - resguardando a sétima-arte de maiores vexames. Ajudado por um saudável orçamento, “A Última Legião” passa como um longa-metragem ao menos decente. Com razoável suporte técnico e contando com bons nomes no elenco, encabeçado por Colin Firth (de “O Diário de Bridget Jones”). Até Ben Kingsley (ganhador do Oscar por “Gandhi”) entra nesta brincadeira, pena que se limitando a agir - automaticamente - como um “Gandalf” qualquer. Pois, não bastasse as similaridades óbvias entre os personagens, o próprio figurino parece cópia-carbono das vestimentas exibidas pelo mago na trilogia “O Senhor dos Anéis”.
Comparações à parte, nem as cenas de ação (baluartes destas produções) parecem capazes de causar algum impacto (mais profundo) neste engodo cinematográfico. A película (realmente) não apresenta nada de novo. Agindo como um reles produto genérico - despretensioso. Se contentando com sua - predestinada - posição secundária, limitado a “bater o cartão” e passar (quase) despercebido pelas sessões comerciais. Dito isso, seria mesmo uma temeridade enorme se arriscar nesta barca furada. Pena que este é um sentimento que surge (apenas) posteriormente - logo que a projeção acaba.
“Levemente inspirado” (como os próprios créditos nos contam) no livro “A Última Legião” (de Valerio Massimo Manfredi), a contraparte cinematográfica consegue se aproveitar de um belo cenário histórico (o estertor do Império Romano do Ocidente) para despertar o interesse de quem previamente se deleita com o tema. Causando uma atração natural, se valendo dessa predileção particular para seduzir o espectador desavisado. O suficiente pra ele pagar o ingresso e se aborrecer (tardiamente) na saída do cinema.
Depois disto, fica até chato comentar sobre a trama do filme - envolvendo o último dos Césares - ainda criança - tentando recuperar a supremacia de Roma com a proteção da espada mística de Julio César. Contando, para tanto, com a serventia da patrícia guarda particular, a Nova Invicta. Melhor mesmo é encerrar falando de Aishwarya Raí, atriz/modelo indiana (ex-miss mundo!) que se salva pela nata beleza - apesar de sua heróica personagem - tão prosaica. E de todas as (sucessivas) apostas equivocadas do clã Laurentiis.

