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De Springfield para o mundo do cinema

DivulgaçãoForam longas 18 temporadas ininterruptas, o recorde para animações na televisão americana. Mais de 400 episódios, sem contar os brinquedos, jogos, camisetas e todas as demais quinquilharias possíveis de serem criadas no mundo capitalista. Em duas décadas de sucesso, “Os Simpsons” se tornaram um fenômeno cultural sem precedentes - e aparentemente - sem fim. Pois a idéia dos produtores era terminar a série no cinema, lançando o tão comentado longa-metragem apenas após o encerramento do famoso desenho da Fox - o que não deve acontecer tão cedo. Obrigando o criador Matt Groening a repaginar sua cria, transformando o filme numa festa (literalmente) em prol da longevidade de Homer e Cia.

Antes, o fim planejado, agora o evento comemorativo pelos 20 anos dos Simpsons (surgidos como curtas em 1987), o "presente cinematográfico" entrega aos fãs (apenas) um pouco mais daquilo que eles já se acostumaram a ver na telinha. Naturalmente, o mais desavisado (e alheio a atração exercida por Bart, Lisa, Maggie, Marge...) pode encarar a sessão festiva sem problemas, afinal, boas piadas são bem-vindas em qualquer ocasião (como qualquer bom pedaço de bolo - ou rosquinha). Mas a festa será melhor aproveitada (sem dúvida) por quem for íntimo o suficiente para se confraternizar (verdadeiramente) com os aniversariantes do dia.

Para a alegria dos expectadores mais fanáticos, todos os seus personagens favoritos dão o ar da graça - mas alguns dos coadjuvantes mais queridos aparecem pouco (muito, muito pouco), contudo. Evidentemente, era virtualmente impossível encaixar centenas de criações em parcos 90 minutos. Para compensar, existem algumas participações especiais aqui (Tom Hanks e Green Day), referências pop ali (as melhores são os hilários porco-aranha e Harry-porco!) e algumas revelações importantes (uma delas deixa a entender qual é o estado onde a fictícia cidade de Springfield se localiza, um segredo até então - piada que o público brasileiro acaba perdendo pela falta de conhecimento sobre a geografia norte-americana). Ah! Nem pense em perder os créditos de encerramento, um momento (desde já) histórico acontece exatamente nos letreiros finais - envolvendo a mais nova dos Simpsons.

De resto, a qualidade técnica da animação é notavelmente superior ao que assistimos no formato televisivo, porém, nada de muito acachapante ou inovador. Novamente, a força (como de costume) está nos personagens - e não nos visuais extraordinários (a produção é - inclusive - barata, ficando na casa dos 70 milhões de dólares, valor abaixo do que se pratica em obras semelhantes). A película, portanto, não passa de um episódio típico da saga - só que um pouco mais longo - aos mesmos moldes do que (já) estamos acostumados a ver (e costumeiramente aprovar) na TV. Para o bem ou para o mal de quem esperava por algo além do trivial - nudez de Bart à parte.

Interessante é que até Homer não faz cerimônia sobre este “defeito”, ele mesmo abre o filme (depois da simpática e divertida aparição de “Comichão e Coçadinha” - em um longa fictício só deles) reclamando sobre os motivos que o levaram a pegar um cineminha só para assistir exatamente a mesma coisa que ele está acostumado a ver confortavelmente (de graça) no sofá de sua casa. Sobre o fato, depois de termos caído direitinho na jogada (e na piada), só nos resta remedar o próprio Sr. Simpson: “D’oh!”

 

Carlos Campos

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