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Um herói que nem o tempo parece capaz de matar

DivulgaçãoNão fazem mais heróis como antigamente. Só pode ser isso. 12 anos depois de sua última aparição, John McClane volta às telas para nos lembrar que só está nessa porque não há quem o substituta, caso houvesse tal sujeito, o cinqüentão Bruce Willis provavelmente estaria curtindo a aposentadoria de sua cara-metade fictícia. E não encarnando (novamente) o papel de “salvador do dia” em “Duro de Matar 4.0”.

Reviver o detetive “duro de matar” não somente nos faz relembrar dos antigos ídolos de ação, mas dos próprios filmes que fizeram o sucesso do gênero nos anos 80. Talvez por isso, o diretor Len Wiseman (da saga “Anjos da Noite”) tenha se esforçado tanto (apesar de suas limitações criativas) para criar um produto com as marcas características dos capítulos anteriores desta cinesérie. Não por acaso, as mesmas que redefiniram e qualificaram (lá trás) como estas produções de “ação ininterrupta” deveriam (e poderiam) ser realizadas.

A começar pela máxima (presente como nunca) “de sempre se estar no lugar errado na hora errada”, tão peculiar e típica de McClane. Aqui, apesar da idade, exibindo a mesma personalidade e capacidade de realizar feitos impossíveis para os meros mortais (obviamente, não dispensando a ajuda extra de alguns bons efeitos especiais). Willis entrega a mesma rude figura que sempre marcou sua cria e Wiseman encontra em “4.0” seu habitat cinematográfico natural - dotada de ação desenfreada, descerebrada e visual.

O (bom) resultado não insulta os longas anteriores e traz de volta um estilo (já clássico) de película “explosiva” que consegue agradar a contento quem procura por uma pura (e legítima) diversão escapista. Pena que o tempo pode ter sido injusto. McClane já não é mais o "referencial de herói" para uma geração inteira, e sua personagem icônica (parte primordial do sucesso da série) parece não surtir efeito nos mais jovens (não como antigamente). As coisas mudaram - e mesmo tentando injetar sangue novo, através da filha e de um hacker (bem caracterizado na pele do desconhecido Justin Long) protegido por John - a tendência é de que a empreitada perca seu impacto para o público atual.

Mesmo assim, fica difícil não concordar que MacClane, com seus jargões e comentários sarcásticos (principalmente após ter despachado o “obstáculo” da vez), mantêm a empatia de suas primeiras aventuras suicidas. Provando ser mesmo “O Cara” ao enfrentar uma força terrorista (com direito a capangas estereotipados) que invade as principais redes de comunicação do seu país. Um desastre em larga escala que é um espetáculo à parte. O vídeo dos invasores, criado através de uma montagem com falas (reais) de diversos presidentes americanos, demonstra como a trama foi bem bolada, sendo até mesmo verossímil - servindo inclusive como crítica - algo incomum para obras deste nível.

Contra a nova ameaça (virtual e moderna) o velho (e azarado) policial resolve tudo à sua maneira, explodindo o que está no caminho e encarando seus oponentes como se estes não fossem nada. Basicamente, aliás, seguindo o figurino dos blockbusters feitos há duas décadas atrás. MacClane, a partir de agora, deveria ser (re)conhecido também como um “cara duro de mudar”. Ainda bem. Principalmente pra quem gosta de "arrasa-quarteirões" com o gostinho (e "cara") dos anos 80.

 

Carlos Campos

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