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Pancadaria sci-fi and terráqueas

DivulgaçãoAinda ouço os bulícios do “Autobot” voltar a ser um carro esportivo com um banco de couro que acomode qualquer gata. E que gata! Ainda vejo as faíscas, as luzes e os tiros dos “Decepticons” cortarem o ar. Que pancadaria! Até agora sinto os efeitos visuais do filme “Transformers”. E que efeitos! De novo a maravilha cinematográfica, aplicada ao que agrada o olhar, me convence do caminho que escolhemos. O cinema permite mais que admirar uma história, no caso de “Transformers”, o pasmo vem em gênero, número e grau. No grau máximo de explosões e perseguições ao melhor estilo da escola Hollywood de cinema. No número de transformações que não podem sofrer contestação - haja computador para tudo isso. E no gênero que diz respeito às mulheres. Uma produção que fatalmente terá sua premiação justa da academia (acabei de comprar uma bola de cristal).

Transformers é a espécie de robôs, de outro planeta, que brigam para ver se o bom se dá melhor que o mau. Muito mais evoluídos que os humanos, eles aparecem por aqui e começam a procurar uma coisa importantíssima. Desejada por qualquer robô inteligente. Um cubo-alienígena bastante poderoso que havia caído na Terra. Ingenuamente, um garoto - americano, diga-se de passagem - herda as coordenadas deste cubo perdido e passa a ser perseguido por máquinas cruéis.

O filme desperta um assunto controverso. De um lado Sam Witwicky, o rapaz inocente, que sonha com seu primeiro carro, e depois - com o primeiro carro - vai sonhar com uma deleitosa companheira para o banco do passageiro. De outro, Mikaela, que ninguém sabe bem o que pensa - e nem faz falta saber mesmo, mas nota-se o que quer. Como toda princesa, ter um final feliz para os assuntos do coração. Basicamente, um príncipe encantado que a convide para um cineminha no fim de semana, montado num quadrúpede e lança na mão, além da pomposa armadura. Porém, se vier com uns quatrocentos e cinqüenta cavalos dentro dum Chevrolet Camaro do ano, não precisa dos outros acessórios. Também resolve.

A questão é controversa porque o público feminino reluta em esconder os elementos atrativos numa relação além da amizade. Acredita-se que para ter valor, a maioria das mulheres disfarça o que merece atenção sobre àquilo que confere normas à conduta do julgamento na peneira do amor. Resiste-se em confessar o que gostam na hora de ser feliz para sempre. Escancarado no filme, o objetivo da fêmea é um só: dar um role de carrão. Como de forma a casar as coisas, o intuito do macho funda-se em ter este carrão para conduzir, guiar e convir os desejos de ambos... O que não indica, naturalmente, o caráter distintivo de todos os homens.

Na missão dos Decepticons, os Transformers malvados, dar um fim na força aérea dos EUA e hackear as informações, fazem parte do plano de localização do cubo-alienígena. Na dos Autobots, os Transformers bonzinhos, não deixar que isso aconteça, assegura a sobrevivência deles e a nossa também. O cubo é uma fonte de força que se usada para o bem garante a paz e a liberdade. Mas pode ser um fator incompatível com a manutenção da vida no universo nas mãos de robôs poderosos com outras intenções.

Sobre o romance, Sam Witwicky e Mikaela finalmente se juntam na história. O casal que se vê a sós, admirando um pôr-do-sol graças ao acaso veicular, nos apresentam o que a sétima arte pode ter de melhor. O ator Shia LaBeouf (Sam), revelação que filma o próximo Indiana Jones, mandou bem numa produção do tipo que o artista tem que dialogar com o nada para depois comporem a cena. E a atriz Megan Fox (Mikaela), bem revelada, “fez o papel que tinha que fazer” - segundo os comentários após a sessão. Mikaela não só entende de motores e o mundo do crime como também integra perfeitamente a “metade do par romântico de Transformers”. Atende a necessidade que máquina e potência exigem na hora de fazer um filme. E atende também a necessidade do público de entender porque sem isso a vida na terra seria chata demais.

As batalhas na avenida movimentada são o ponto máximo do filme. O bem e o mal “se pegando” pelo cubo-alienígena, gente gritando, estacionamentos varridos. Transformers em ação. Tudo o que o diretor Michael Bay precisava para apresentar sua habilidade. “Transformers” tem muito para levar o Oscar de efeitos especiais, realmente. Os planos compostos de robôs complexos nos detalhes, em lutas individuais, fascinam. Autobots e Decepticons realmente desejam possuir o tal cubo. Atraem irresistivelmente os espectadores à torcida pelos bons valores na Terra. Transformers veio poderoso entre os filmes deste ano e correspondeu ao que queríamos ver. Pancadaria sci-fi and terráqueas.

PS: Pelé faria 1286 gols com um cubo?

 

Wellybh Machado

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