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A "social butterfly" de Warhol

DivulgaçãoBem como todos sabem o filme é sobre a "social butterfly" - um ícone revolucionário doa anos 60 - a rica menina pobre Edie Sedgwick que se tornou uma expansão do alter-ego criativo de Andy Warhol e sua inacreditável máquina de gerar vanguarda. Linda, muito bem nascida, talentosa, culta e muito, muito fotogênica.

Sua árvore genealógica de notável ascendência britânica - seus ancestrais já eram ilustres pela magnitude de seus feitos e notáveis pela tendência à enfermidade mental e à síndrome bipolar.

Apesar da riqueza material e da fácil penetração social pela sua influência nobre, Edie sofreu uma infância de obstáculos terríveis e de repressão paterna. E dor. Perdeu dois irmãos no auge da juventude - ambos tiraram suas próprias vidas porque os Sedgwick eram muito excêntricos e resolviam seus problemas de forma muito imediatista e calculista.

Ao abandonar sua carreira de escultora na faculdade, Edie tornou-se uma “social butterfly” (imagine exatamente esta expressão, uma borboleta bela e colorida que está em todos os nichos e em nenhum deles simultaneamente) e assumiu sua porção esbanjadora ainda mais quando encontrou o ícone da pop art, Andy Warhol, que imediatamente a viu como uma espécie de deusa do écran. O polaco flamboyant resolveu fazer dela sua própria Marilyn e conseguiu. Edie se tornou uma referência de modernidade para os anos 60, assim como sua contemporânea Twiggy.

Warhol, como todos nós sabemos, era um materialista compulsivo. Moneysexual, para ser suave na definição. Ele explorou a fotogenia e a ingenuidade da bela socialite que viu toda sua fortuna se diluir - pois Warhol deu à ela o que ela pediu - fama e notoriedade, mas nunca lhe deu um centavo sequer. Porque na concepção do culto ao herói e à fama, Edie já havia nascido muito rica, e a fama se ajustava perfeitamente à sua figura de indício frágil e manipulável docilidade.

O filme é bem feito sim, o uso de gruas quase inexiste. Guy Pearce está famigerado quando emula as afeminações de Warhol, que se não fossem análogas ao gênio do pop - de fato - seriam caricatas e pejorativas.

Sienna Miller é Edie Sedgwick. Fisicamente são gêmeas. E sua atuação é um escândalo de entrega ao personagem. Hayden Christensen faz uma ponta como Bob Dylan - participação curta, mas decisiva, porque Edie se apaixonou pelo rock star, de fato, e ele (por sua vez) por ela. Porém, Dylan não suportou o processo de sufocamento e superficialidade que sujeitava a garota - litígio este que a infame (e arqui-criativa) factory boêmia de Warhol implicava a todos os seus "protégés".

Aos poucos, Edie saiu de cena e do estrelato. E isto a levou a se afundar no uso e abuso de drogas pesadas, levando-a inúmeras internações, reabilitações, até que de volta à terra natal se casou com um companheiro viciado e morreu de overdose de barbitúricos. É incerta a afirmação de suicídio, pois ela tomou, pelo laudo médico, devidamente o que havia sido descrito via receita. No entanto, parece que ela misturava tudo com álcool, e esta fusão pode ter lhe causado a parada cardíaca - no auge de sua juventude (e beleza) com apenas 28 anos.

Pontos fracos do filme: surge um maniqueísmo derradeiro. Warhol era de fato um blood sucker. Mas, qual artista pop não o é? Edie era instável emocionalmente e o filme a descreve como uma desequilibrada - uma junkie party monster. Um exagero sem precedentes. A carga autoral retira o foco do verossímil para transformá-la numa mártir cujo calvário foi desejar ser amada de forma genuína.

Enfim, uma lenda do cinema alternativo cujas proporções - de fato - remetem ao outro mito de analogia pop: a amante dos diamantes, Marilyn Monroe. E sua incrível máquina de fascínio nas telas seqüenciais.

 

Sidnelson

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