Harry Potter: quem deu ordem nesse filme?
Tudo começa na praça de alimentação. Sentados à mesa, os membros deste site debatem uma questão em todos os seus aspectos. É a pré-estréia de “Harry Potter e a Ordem da Fênix”. Outras publicações periódicas anunciavam a condução desta obra produzida. Era de conhecimento geral que o diretor do filme (David Yates) chegava sem todos os créditos pelo trabalho. Não tinha qualquer dúvida sobre o comando de Harry Potter: Yates assina o que a autora do livro resolve.
Sugeriu-se um “Ratatouille”, onde Joanne Rowling fazia o papel do ratinho Remy e David Yates o de Linguini, o ajudante de cozinha. Na historinha do rato que vive em Paris e sonha em se tornar um cozinheiro famoso, o ajudante é a marionete para transpor o fato dele não ser humano. O “pau mandado” que mecanicamente realiza as idéias do roedor. Seu ordenador.
Mas H.P. (não é a marca de impressoras, scanners, nem grupo de pagode!) ainda não havia começado e nada do que se falava afetou as expectativas. Harry Potter mantinha em seu público a promessa de devaneio e cinema mesmo diante do pressentimento de não saber quem realmente era o diretor. Nosso estimulo quanto ao filme não foi atingido pela história do “Ratatouille” por trás de “Harry Potter e a Ordem da Fênix”.
A quem diga que se o diretor não puder contar sua própria história é o mesmo que proibir um piloto de Formula 1 de acelerar. Outros defendem que a adaptação de um livro de fantasia merece mesmo o dedo do autor, ou correria o risco de ser uma nova história com a eventual mudança do assunto original. De toda maneira, prega a cartilha que um filme apresente um autor e um diretor. E não um elemento “direautor” ou “audiretor”. Quem dirige não escreve e quem escreve não dirige. Se ainda assim persistir um caso do autor ser o mesmo indivíduo diretor, o chamamos de “Charlie Chaplin”.
Mas a questão do filme do Harry Potter não se resolvia a intitular quem leva o mérito pelo seu sucesso ou descrédito, por não estar apto e se tornar o pai de um fracasso. Era preciso assistir ao filme e concluir uma coisa: o responsável foi capaz de corresponder, de maneira audiovisual, o mundo do bruxinho? Sim e não.
Sim, porque, este pobre redator que vos escreve, no fundo gostou muito do que viu. Admirou a capacidade dos realizadores em formar um ato de conflito interior da personagem em filme. Observou com espanto o público crítico da sala, conhecedores da história, singulares encarregados de fiscalizar a fidelidade da peça. Convenceu-se de que um orçamento milionário torna qualquer coisa possível no Cinema.
E não, porque a história deixou um espaço vazio no momento em que precisou explicar os pensamentos de Potter. Faltou tornar a exposição do que se passava na cabeça do Harry mais ilustrativa. As cenas eram carentes de compreensão (pelo diretor também, que afirma não ter lido o livro). E isso está nos itens primordiais para entender toda a história.
Então, por que a dúvida sobre quem deu ordem no filme se ele dirigido por esse conjunto ficou no meio termo - em comparação aos filmes esperados para este ano - e não nos deu mais do que já tínhamos visto, e visto melhor? Mudaria nossa avaliação? Harry Potter perderia seus fãs?!
Penso que não. Não, não perderia seus fãs. E nem mudaria nossa avaliação porque sabemos que o diretor assume a bronca, mas depende da ajuda de todos para chegar ao resultado do filme. A dúvida era para ver se o pecado de “Harry Potter e a Ordem da Fênix” não surpreender estava relacionado àquele que assumiu responsabilidade “por” ou aquela que manda pôr. Nem um nem outro, é o encobrimento pelos outros filmes que responde a falta de sucesso daquilo que se esperava. Não se vê indicação para o Oscar (ou não...), mas se vê continuação graças ao nome que permitiu haver um Cálice, um Prisioneiro, uma Câmera, uma Pedra e agora uma Fênix em Harry Potter: J.K.Rowling.
Quem deu ordem nesse filme foi a disposição regular e metódica do público dos outros filmes, da Warner, dos leitores e nós que sentimos que temos que falar de cinema.
PS: Quem mandava no Pelé?

