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O cinema do absurdinho

DivulgaçãoInaugura-se aqui uma nova estética audiovisual, a "do-absurdinho". Qual é a origem desta expressão? Vou assumir --- Erika Palomino *** e sua forte influência no underground foi quem engendrou esta expressão para definir --- há alguns anos atrás --- uma coleção do estilista John Galliano --- que ficava entre os contrastes do vanguardismo (como, aliás, a moda está sempre procurando definir e redefinir, tecer e entretecer) com certo conservadorismo de alfaiataria; ela "tascou" no lead -- algo assim: "é de um preciosismo absurdo --- de que tipo, Erika? Ah, tipo ABSURDINHO!" e entre outras expressões que ela involuntariamente criou, espalhou e fez vingar. Logo volto a ela.

Então, Ratatouille é uma inauguração deste gênero no audiovisual. É de uma singeleza fora do comum. De uma delicadeza formidável em que a graça é espontânea --- como a de meninos nos primeiros e mágicos dias de férias --- impressiona pelos seus atributos já comentados pelo Claquete. Algumas cenas são diferenciadas da animação costumeira, seja pela qualidade técnica ou pela dose de inusitado. Eu notei --- corrijam-me, caso isto seja um fenômeno isolado -- referências que a Disney não costuma fazer: a Paris de "Ratatouille" é uma versão diurna e radiante da Paris de "(o fabuloso destino) de Amélie Pouláin" --- existem cenas homônimas até.

A personagem 'Colette' --- seu cabelo, personalidade feminina confrontante, e claro, a sua moto ---- me parecem uma homenagem à 'Trinity' da trilogia "Matrix". O degustador e jornalista 'Ego' é uma homenagem ao lirismo dark - porém risonho - de Burton? Porque o crítico parece-se incrivelmente saído de "O Estranho Mundo de Jack" ou até mesmo do recente "Noiva Cadáver". Isto sem contar a analogia inevitável de Linguini e Peter Parker. Ambos assumem super-poderes --- todos sabemos --- através de alter-egos (egos alterados por algo alheio).

E o rato Remy, claro, como não poderia deixar de sê-lo é (a/o) Disney se auto-plagiando. Afinal, Mickey --- um roedor simpático e desengonçado --- pavimentou o caminho para que o carismático mestre-cuca Remy chegasse ao desejado estrelato.

*** Erika Palomino veio do Rio de Janeiro para São Paulo - trabalhou em vários jornais até chegar à Folha na extinta coluna "Noite Ilustrada" da editoria de cultura e lazer. Tornou-se um ícone da comunicação, fomentou a cultura underground - levando a cena da margem para o centro - tornou-se referência necessária da moda e é a papisa da música eletrônica no Brasil.

Acessem: http://www.erikapalomino.com.br

 

Sidnelson

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