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Eles estão de volta: Santa Tartaruga!!!

DivulgaçãoJá notaram o atual clima saudosista de nossos cinemas? Rocky Balboa voltou a lutar, os Transformers ganharão sua vez no meio do ano e em cartaz, saídos diretamente dos anos 80, temos a volta das Tartarugas Ninjas. O objetivo, claro, é apelar para a lembrança do público mais velho e tentar ressurgir - aproveitando a onda do revival oitocentista - conquistando as novas gerações e garantindo a série para os anos que se seguem.

E isso fica evidente no retorno das “Tartarugas”. Por um lado, as aventuras dos “Ninjas Mutantes” evoluíram bastante. O clima é mais dark (seguindo a fonte dos quadrinhos - de onde surgiram), sombrio na medida em que os heróis trabalham apenas na surdina - pulando de telhado em telhado, sempre na calada da noite. Obviamente, as mudanças tentam acrescentar novos elementos a velha química. Por outro lado, apesar de ter deixado de ser live-action, como nos três filmes passados (e enveredando-se para a animação computadorizada), o filme, de forma geral, mantém muito do espírito tradicional da série e seus derivados, seja televisivos ou cinematográficos.

Apostando novamente naquele “mistão” já conhecido de ação, aventura e algumas pitadas de comédia. Com brigas entre os irmãos (fazendo jus ao nome de “Mutantes Adolescentes” - ostentando muito da rebeldia da idade), alguns (bons) pedaços de pizza e muita confusão dentro dos esgotos e nos subúrbios de Nova York.

Pena que o filme começa mal. O enredo, envolvendo a lenda de uma força sobrenatural e a abertura de um portal a cada 3000 anos, quando as estrelas se alinham, é mais passada do que o mestre Splinter. Não dava para partir de um ponto mais original? Afinal, tenta-se uma renovação, ao ponto em que vilão (e a trama) principal do filme nada tem a ver com o arquivilão da série, “O Destruidor” - que parece ter sido guardado propositadamente para uma eventual continuação (como uma das personagens deixa a entender no decorrer da produção).

Contudo, “Santa Tartaruga”! Mesmo com um enredo sofrível, é bom rever esses ninjas empunhando seus cascos de novo. Principalmente por, desta vez, elas cruzarem o écran do cinema como desenho. Mais condizente com os personagens, se levarmos em conta seu passado nos gibis e nas séries de TV matinais. Curiosamente, o filme parece até brincar com o tempo em que os heróis eram atores fantasiados - através da nova roupa de trabalho de Michelangelo. A piada com a fantasia de Tartaruga é (de longe) a mais inspirada do longa.

Falando em Michelangelo, outro lamento é o pouco espaço dado a ele e a Donatello. Ambos cumprem uma função secundária na história, que coloca Leonardo (na difícil missão de se tornar o legítimo líder do grupo) contra Rafael (o rebelde da turma - que não aceita a liderança do irmão). Michelangelo até consegue se fazer notar por ser o alívio cômico de plantão, mas Donatello, com seus dotes de cientista, parece não ter nenhuma serventia ou função na trama. April O'Neil e Casey, acreditem, aparecem mais do que a quarta Tartaruga. Para desespero de quem (como eu) sempre escolhia o personagem nos antigos fliperamas...

Pelo menos, para mim, a qualidade técnica da animação foi o suficiente para suplantar esse detalhe (não tão pequeno assim). Confesso que fiquei surpreso. O trailer em nenhum momento faz justiça às imagens do filme. Desde a caracterização dos heróis e vilões, passando pelos ótimos cenários (com texturas incríveis) e belos efeitos, a sensação no final é de que a animação é muito melhor do que se aparentava a princípio. Normal, se formos notar que o mesmo se aplica ao filme. Se os erros cometidos neste forem corrigidos em um próximo, “Cowabunga”! Sejam bem-vindas de volta, Tartarugas Ninjas.

Ps: Nem vou comentar muito sobre o conjunto de vozes que o público brasileiro acaba perdendo pela ausência de cópias legendadas do filme. Dentre os astros que emprestam seus talentos vocais e a maioria das pessoas sequer vão poder escutar, estão: Laurence Fishburne, Ziyi Zhang, Patrick Stewart, Kevin Smith, Chris Evans e Sarah Michelle Gellar (como April O'Neil). Sério. Não dá raiva de não poder ouvi-los no cinema?

 

Carlos Campos

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