Arthur, Luc Besson e os Minimoys
Arthur é um menino de 10 anos, inventivo e aventureiro, igual ao avô desaparecido. Luc Besson é um prestigiado cineasta que ainda menino teve a idéia que o levou a filmar, anos mais tarde, “O Quinto Elemento”. Ambos são parecidos. Mas enquanto Besson se aventura pelas raias dos cinemas, Arthur (interpretado pelo ótimo Freddie Highmore, de “A Fantástica Fabrica de Chocolates”) se aventura pela ficção na fantasia que o levou até os Minimoys - criaturinhas diminutas que freqüentam os jardins de sua casa - e a imaginação do já citado diretor francês.
Misturando cenas live-action com animação, “Arthur e os Minimoys” nada mais é do que a realização dos mesmos sonhos infantis que Besson e Arthur compartilham. Visto assim, os Minimoys não são tão diferentes de gnomos, fadas e outras tantas criaturas mágicas que imaginamos quando criança - vivendo em seus reinos e longe dos olhares humanos. Nada neles é diferente de tudo aquilo que já conhecemos, e o filme é exatamente desse jeito, recheado das mesmas idéias que freqüentam esse tipo de fantasia - costumeiramente infantil.
Isso tudo seria um grande problema se não fosse à habilidade de Besson em dar vida ao minúsculo povo que habita o quintal da avó (vivida por Mia Farrow) de Arthur - tanto na série literária de sua autoria quanto nessa primeira incursão (de muitas, por sinal) dos Minimoys às telas do cinema. As criaturas são tão encantadoras que, apesar dos problemas, o longa acaba por ganhar a simpatia do público, enfeitiçado (imagino) pelo primor técnico desprendido na confecção de cada um desses seres míticos.
Visualmente instigantes e bonitos, os Minimoys - mesmo esteticamente caricatos - são de um realismo incrível. As nuanças e os detalhes (no rosto, nos olhos, nos movimentos) são responsáveis por dar essa sensação que não se quebra nem quando a animação se contrasta com as imagens reais.
Esse “foto-realismo” serve não só para encantar as crianças (elas ficam inebriadas com as belíssimas imagens), como também chama a atenção dos adultos, provendo elementos que serão mais perceptíveis para os crescidos. Sem, contanto, menosprezar a inteligência daqueles que não tem idade para ir ao cinema sozinho, adicionando a trama e as ações de cada personagem, viesses que acabam atingindo e servindo igualmente a todos os públicos. Como o “affair” romântico de Arthur com a princesa dos Minimoys (papel "daquela-que-não-vamos-nomear") ou a engraçadíssima cena na danceteria, onde entre bebidas e diversões os mocinhos enfrentam os bandidos seguindo o ritmo e o balanço das diversas músicas que pontuam a cena.
A lastimar apenas a sempre temerária falta de cópias legendadas para as produções desse porte. Que privam o expectador (especialmente os maiorzinhos) de escutar as vozes originais - mais atrativas - se levarmos em conta que a dublagem é uma ferramenta que (nesse caso) visa facilitar a vida da parcela mirin do público. Dessa forma, fica até chato comentar que David Bowie e Robert DeNiro emprestam suas vozes a dois importantes personagens de “Arthur e os Minimoys”. De que adianta dizer se ninguém vai poder ouvi-los? Uma pena. E o pior, não espere que o erro seja “magicamente” corrigido até a chegada das continuações. Ou você acredita em Duendes e Minimoys?

