Ao som de Grant e Barrymore
Letra e Música não é um filme ruim. Aliás, em sua primeira metade, soa como uma comédia interessante e pouco mais autoral. O problema é que, como quase sempre acontece, as boas expectativas dos espectadores e, porque não, as boas intenções do diretor, se rendem ao inevitável (incansável e repetitivo) jogo de junta, separa, junta de novo, das comédias românticas.
O que pesa a favor do filme é a atuação, sempre hilária, de Hugh Grant como cantor pop em decadência, acompanhada por aquele mesmo tipinho de sempre (doidinha, talentosa e adorável) de Drew Barrymore, que é repetitivo, mas convence mesmo assim.
O longa começa com um clip da banda "POP", uma espécie de Menudos, que estourou vários hits nos anos 80 entre os adolescentes. Acontece que, atualmente, a banda se separou e um de seus líderes, Alex Fletcher (Grant) ainda aproveita os resquícios de sua fama se apresentando para quarentonas em pequenas casas de shows, parques, etc..
Quando Fletcher recebe um convite para escrever uma música que fará parte da nova turnê de Cora Corman (interpretada pela jovem Haley Benett) amálgama de Britney Spears, Shakira e "daquela-que-não-ousamos-nomear" - um dos bons elementos do filme, ele vê a chance de voltar às paradas.
É aí que entra a maluquinha hipocondríaca Sophie Fisher (Drew), cuidadora de plantas que revela um surpreendente talento como letrista, ramo que Fletcher não domina. A química entre os dois acontece logo de cara, a partir daí, eles lutam contra o tempo para cumprir o prazo estipulado por Cora. O românce é inevitável.
Tudo vai muito bem até aí. É quando a trama começa a ficar previsível, já que os dois se desentendem e tudo irá acabar naquela redenção romântica e naquela carinha de "ai meu Deus, não acredito que ele fez isso por mim" que já deve estar no contrato de Drew Barrymore. Vale a diversão, entretanto, fica a decepção de um filme que estava indo bem, com roteiro inteligente e tudo mais, cair na mesmice.

