No labirinto do Fauno
Visualise a violenta Espanha de Franco. Pense na candura da infância. O filme é de delicadeza única. " O Labirinto do Fauno" é uma impactante experiência onde a inocência e a dor se fundem num arpégio acre-doce.
Ofélia é a heroína (alguns enxergam a "Alice" de Lewis Carrol) - sua mãe grávida e ela são levadas por um feroz militar totalitário e seu séquito aquartelado para as montanhas, e é neste interím que a menina recebe de um fauno mensageiro advindo de um Universo Paralelo, por vezes lisérgico e metamitológico, a incubência de realizar três tarefas para que possa recuperar sua posição de princesa outrora arruinada.
Não confunda, não é imaginação da menina. Não é escapismo aleatório. Atenção especial para a cena em que o general encontra o segredo de Ofélia debaixo da cama da mãe convalescente. Belo e fremente, ensurdecedor e cândido, a valsa audiovisual de Guillermo del Toro trata de gratuidade emocional, renúncia e sacrifício. Um primor bipolar fortuito onde o desalento e a exultação são simultâneos e arvoram em poesia.

