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"Ele não estará morto enquanto lembrarmos dele"

DivulgaçãoEm 21 de julho de 2004 o mundo do cinema se despediu de um de seus compositores mais iluminados: Jerry Goldsmith. O músico, vitimado pelo câncer, foi o autor de obras díspares e de grande sucesso como as trilhas de "Planeta dos Macacos" (1968) e "Blade Runner" (1982). Mas foi a partir de sua obra máxima, "Star Trek The Motion Picture" (1979), que seu nome se consagrou no Hall dos grandes artistas.

Se o filme da extinta série de TV pegou o vácuo no inesperado sucesso de Star Wars, a trilha que Goldsmith criou caminhou lado-a-lado com o score composto por John Willians para a "space ópera" de George Lucas. Valendo para Goldsmith mais uma entre tantas indicações ao Oscar e um Globo de Ouro pelo remake da peça para a série "A Nova Geração" (1988).

No lançamento da edição do diretor em DVD, Star Trek - o filme, ganhou uma merecida restauração que deixou a pujança de sua trilha sonora ainda mais maravilhosa. Nos proporcionando uma chance prazerosa de escutar com uma qualidade ensurdecedora toda a força musical de uma partitura que merece ecoar nos melhores home theaters. A competência da trilha é tamanha que o diretor do longa, Robert Wise (como revelou nos comentários de áudio do primeiro "Jornada"), não teve alternativa e usou a música de Goldsmith em substituição aos efeitos sonoros, sustentando, muitas vezes sozinho, todo o visual apoteótico dos efeitos especiais aplicados ao filme.

Wise chega a homenagear seu compositor inserindo sua linda partitura em uma cena prévia ao início do filme no DVD, disponibilizando para nossos ouvidos a romântica trilha que pauta o relacionamento de Decker e Ilia sem a interferência dos cortes ou de outros sons que entrecortam a música quando era surge no decorrer do filme. Um verdadeiro resgate histórico de uma peça lindamente composta e conduzida.

Mas o tema romântico serve apenas como um aperitivo para o verdadeiro deleite que é ouvir a música tema de Star Trek (adicionada ao tema original da série clássica composta por Alexander Courage). Apresentada nos créditos de abertura e - depois - retornando em momentos-chave, como a chegada na Frota Estelar e a Doca Espacial. Transformando a cena em que Kirk retorna a famosa Enterprise no mais emocionante de toda a saga. Não existe trekker no mundo que não se emociona com os acordes do tema central de Star Trek, mais do que uma trilha, sua força a transformou em hino legítimo do grupo de fãs devotados a série.

E não só as partituras principais se destacaram. O que dizer da marcha composta para os Klingons - que assim como o tema principal - ecoou em toda a série? Sendo relembrada e usada nas outras encarnações de Jornada nas Estrelas, tanto no cinema quanto na televisão. E que predileção tão precisa fez o compositor encontrar em um instrumento chamado "Blaster Beam" o som tão perfeitamente acoplado ao que V'Ger (a sonda "vilã" do filme) representa?

Diante de uma composição tão formidável, a única coisa que fica para registro é um dos princípios da cine-série de Jornada nas Estrelas: "Ele não estará morto enquanto lembrarmos dele". E disso nossos tímpamos nunca vão esquecer. Obrigado Jerry Goldsmith, que sua música continue a preencher nossos corações por incontáveis gerações. Afinal, parafraseando "The Motion Picture": A aventura da humanidade está apenas começando...

 

Carlos Campos

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