"Resident Evil: O Roteiro Maldito"
"Resident Evil 2 - Apocalipse" começa no ponto em que os créditos subiram no filme anterior. Colocando Alice (Milla Jovovich), protagonista da primeira aventura, contra uma cidade (Raccoon City) infestada de zumbis. Arriscando-se, assim, em uma trama mais familiar aos fãs do jogo, até então maculada pelo sofrível enredo de "Resident Evil - O Hóspede Maldito".
Como continuação, "Apocalipse", sofre com os equívocos do filme predecessor, mas se torna uma continuação superior quando deixa de apenas flertar com os elementos do game. Incorporando, para delírio dos gamemaníacos cinéfilos, o enredo e os personagens da série. Como a heroína do jogo, Jill Valentine (Sienna Guillory), que ganha as telas e manda "chumbo" na "zumbizada".
Também dão o ar da graça Carlos Oliveira (Oded Fehr) e Nemesis, monstrão sanguinário que é conhecido por seu bordão: "STARS" (ambos são integrantes do elenco de videogame). Para os fanáticos, os detalhes farão a felicidade de quem ficar atento. A roupinha de Jill é deliciosamente igual ao que ela usa no game. Sua cena na cozinha, quando ela enfrenta Nemesis, é reconhecível para quem enfrentou a mesma situação jogando.
Outros detalhes, também, serão melhor degustados por quem aprecia videogame. A cena em que Nemesis, enfim, grita "STARS", vale o ingresso e o prazer de uma nova partidinha. E para quem conhece o game "Resident Evil - Code Veronica", fique esperto, pois a abertura desse jogo está reproduzido em uma ação envolvendo a personagem de MiIla.
O que estraga a festa, novamente, é o roteiro maldito. As escolhas do produtor Paul W. S. Anderson (que assinou a direção do primeiro filme e neste atua na produção e no roteiro) prejudicaram a série cinematográfica, ao focar suas atenções em uma história e protagonista que destoam das características responsáveis pelo sucesso da versão eletrônica.
Por exemplo, falando só de "Apocalipse", Alice (personagem criada exclusivamente para o filme) se torna uma espécie de super-heroina quando sua estrutura genética é modificada pela Umbrella (criadora do T-Virus que causa a mutação responsável pelo "fabricação" dos zumbis). Desenvolvendo super-poderes que no final... Bem, é melhor nem contar, contudo, o gancho de uma eventual terceira parte parece mais uma adaptação de "Psi-Ops" do que de "Resident Evil'.
Ainda bem que Milla, com toda sua beleza, faz valer cada take de sua personagem, porém, ao ser um elemento introduzido apenas na versão cinematográfica (ela é uma arma de guerra desenvolvida pela Umbrella, que cria o T-Virus com esse mesmo propósito), sua presença acaba prejudicando alguns detalhes primordiais de "Resident".
Caso da "STARS" (Special Tatics And Rescue Team), de onde saíram boa parte dos heróis do game - incluindo Jill Valentine. Isso aparece na adaptação para cinema como um mero detalhe, prejudicando, profundamente, o vilão Nemesis, que perde seu impacto e deixa suas atitudes um tanto débeis, pois sua obsessão pela "STARS" se deve a ele próprio ter sido um membro, antes de virar o mostro feio. Fato que passa batido para quem não conhece suas origens no jogo.
Por essas e outras, jogar "Resident" continua sendo melhor do que "assistir". Resultado final: não foi desta vez que conseguiram fazer de um filme baseado em videogame algo bom pra valer.

