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Crônicas de Diesel

DivulgaçãoVin Diesel lutou como pode contra pretensiosas continuações, sedentas em abocanhar mais uns trocados em cima do sucesso do seu precursor (ele chegou a desistir da continuação de “Velosos e Furiosos”). Não venceu a batalha. Sua participação em “Crônicas de Riddick” não só foi uma aposta contra as convicções da mais nova montanha de músculo de Hollywood, como também uma aposta em David Twohy, um diretor especialista em ficções de baixo orçamento (como “Submersos”) e responsável pelo inesperado "Eclipse Mortal", primeira incursão as telas do anti-herói Riddick, que ganha em "A Batalha de Riddick" uma continuação de orçamento muito maior.

Com uma produção generosa (se levarmos em conta o primeiro filme), Twohy até que tenta aproveitar a onda e ser mais ganancioso nessa continuação da aventura, até então, despretensiosa. Não conseguiu. Não é que os tormentos de Diesel tenham se justificado completamente, a seqüência em questão não peca porque tenta se “aproveitar” do material original, contudo, não honra suas origens ao desistir da simplicidade em prol de um enredo mais ambicioso e épico.

É lógico que a história, de uma seita interplanetária em sua “guerra santa” para angariar mundos - punindo com a aniquilação total todos aqueles que ficarem contra seus princípios - coloca Diesel como o astro que salva o dia, contudo, falha ao propor uma trama que em nenhum momento é bem aproveitada. Desbancando das alturas para um “filminho” recheado de cenas fúteis de ação, que vão da tradicional cena de perseguição até o mano-a-mano entre mocinho e bandido.

A pretensão em demasia impede o filme de aproveitar seu real potencial, um exemplo notório é a tão alardeada (principalmente pelos produtores) participação da atriz britânica Judy Dante, uma estrela de renome e esplendorosamente talentosa que volta ou outra é indicada ao Oscar. Um motivo de orgulho e uma “prova” da seriedade de um filme que queria mostrar mais do que diversão “pipoca”. Assim, no papel da elemental que desaparece com o vento, Judy, parece desaparecer igualmente no filme, de tão mal aproveitada. É um verdadeiro sacrilégio ver a poderosa "M" da série 007 largada numa pequena “ponta” que beira a figuração...

Surpreendente mesmo é que a ironia faz de Diesel a melhor coisa do filme, pois distante de ser um ator Shakespeariano, em nenhum momento se leva tão a sério como o resto do longa. E por isso, longe de qualquer ambição exacerbada, entrega com seu vozeirão habitual um personagem de ação correto para as limitações de uma narrativa pouco inspirada. Que inclusive pode prejudicar uma inevitável trilogia (pois o filme faturou pouco nas bilheterias).

Por último, a interessante participação de Karl Urban, o guerreiro de Rohan, Éomer, de “O Senhor dos anéis”, e a opção de um final (ATENÇÃO: SPOILER) bem ao estilo “Conan”, alçando o protagonista marombado ao trono e a liderança dos “vilões” da história (que ele, em principio, combatia). O que já prepara os desdobramentos para uma seqüência bem aos moldes de “Rei Conan”. Até que “Riddick King” não seria tão mal, seria?

 

Carlos Campos

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