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Kill Bill reloaded

DivulgaçãoSem dó, nem piedade, o segundo volume da sanguinolenta saga de Tarantino chega com tudo: verborrágico como nos melhores momentos do diretor, sem deixar para trás toda a arte pirotécnica dos menosprezados filmes de Kong Fu.

"Kill Bill Vol.2" também desmonta seu antecessor ao recordar de forma mais clara os eventos que levaram à noiva Uma Thurman a querer matar Bill. Em uma odisséia que deflagra uma trama triste, bela, trágica e até mesmo romântica! Verdade! O embate entre protagonista e antagonista ocorre em um limiar entre amor e ódio, tristeza e beleza, onde o papel de mocinho e bandido ricocheteia entre Uma e Carradine (Bill) de forma comovente e convincente.

E não é só de vilões com alma e coração que fazem Kill Bill ser uma grata exceção. A predileção do diretor em homenagear os filmes de pancadaria encontra em Pai Mei, através de um espetacular flashback que nos leva à China, um representante legítimo dos ícones que inspiram à saga tarantiana. Mei, desde já, garante seu espaço sagrado entre as maiores personagens do gênero, que ele em si, personifica. Imortalizando a figura do mestre desalmado e impetuoso (porém, super poderoso) das clássicas epopéias de artes marciais.

É de se surpreender com a força da lente de Tarantino, nos conduzindo por caminhos que remontam aos velhos Westerns, captando de forma impactante todas as nuâncias da linguagem cinematográfica, seja no zoom para captar as expressões em profusão de Pai Mei ou no enquadramento claustrofóbico de uma imagem standard (aumentando aterradoramente a sensação de dor de B. Kiddo). Quentin parece querer brincar de fazer cinema, misturando numa agradável miscelânea o velho e o novo, as populares produções de matinê com as eruditas tragédias clássicas de uma infindável coleção de obras-primas, numa artimanha técnica que só alguém capaz de fazer malabarismos com uma câmera (abastecida com um multiverso cultural que incluí muita televisão, filme e videogame) poderia realizar.

Mas se a diversão garante a integridade da obra, ela se consolida na interpretação de Uma, que no papel de sua vida, sofre, apanha, chora, sente raiva, ódio, amor, tudo envolto no pacote premiado pela brilhante e melancólica filosofia de Carradine e pelas participações bacanas de James Madsen e Darry Hanna, capazes de levar uma noiva para o cemitério.

Se alguém duvidava do gênio criativo conhecido como Tarantino e sua capacidade de aglutinar a atmosfera cultural pop, fica sua leitura da mitologia do Super-Homem e como o sistema de auter-ego influência as ações do “herói”. Kevin Smith pode ter perdido, aqui, seu posto de nerd-mor do cinema americano, e nós, do lado de cá, agradecemos. Afinal, nunca foi tão divertido ver um filme tão “tosco”..

 

Carlos Campos

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