Robôs com um jeitinho brasileiro
Não tem o charme de um “A Era do Gelo” e também não é um filme sensação como os rivais “Os Incríveis” e “Shrek 2”, mas a mais nova animação das telas grandes, “Robôs”, garante algumas boas risadas e uma matinê divertida no escurinho do cinema. E nem importa que, para “nós”, a maior atração esteja atrás das telas, nas mãos do brasileiríssimo co-diretor da aventura, Carlos Saldanha, afinal, não é todo dia que um conterrâneo faz tanto sucesso no ramo dos desenhos animados!
Levado por uma seqüência de “gags” divertidas e um robozinho vermelho que é uma comédia, a mais nova animação da Universal não compromete, porém, apenas cumpre seu papel até a chegada de “A Era do Gelo 2”. Talvez a maior qualidade do longa seja sua premissa, uma cidade de robôs, vivendo em um cotidiano tão comum aos olhos do público que as situações engraçadas surgem exatamente nos acontecimentos diários mais triviais para nós humanos, como uma passadinha no banheiro e um reforçado café da manhã.
A sinopse do filme é mais ou menos assim: os dias de recauchutagens acabaram e os robôs que não podem comprar equipamentos totalmente novos irão para o lixo, para acabar com essa ditadura da moda robótica um grupo de atrapalhados autômatos maltrapilhos, liderados por um inventor, decide recorrer ao único ser mecânico capaz de parar com toda essa loucura: o robô construtor, recém desaparecido. Com uma história de conceitos interessantes e um visual adequado, que varia de um estilo “sofisticado” para os modelos de última geração para um visual clássico (tipo ficção científica da década de 60) para os biônicos mais rodados, tudo estaria certo para vôos mais altos, entretanto...
A animação não deslancha de vez porque, além do “vermelhinho”, os outros personagens, embora também sejam bonitinhos e carismáticos, não são assim tão divertidos. Deixando nas mãos das situações cotidianas - e não dos autômatos - toda a parte criativa de uma trama não tão inspirada. O próprio roteiro não trás grandes momentos, deixando todas as partes interessantes para o dia-a-dia dessa estranha sociedade. Destaque para as pequenas homenagens, os mais expertos vão notar citações a “Star Wars”, “James Bond”, “Cantando na Chuva”, e até “O Mágico de OZ” e seu famoso personagem “sem coração”.
O filme se daria muito melhor explorando os recantos de "Robópolis" e suas incontáveis possibilidades de (mais) situações inusitadas. Ou se ainda tivesse outros personagens tão interessantes quanto o “cover” de Britney Spears (acredite, a cena é impagável). Do jeito que está não decepciona, mas não é uma animação tão bacana quanto deveria.
Contudo, o que mais importa é desfrutar das pequenas passagens que só podem ter saído da mente de um brasileiro. Não, não estou me referindo a presença de uma robô “popozuda” (embora não refuto totalmente tal idéia) e sim de uma pequena impressão visual de quando o herói inventor da história, Rodney (com a voz de Ewan McGregor), começa a descobrir sua capacidades inventivas: menino, maluquinho, com uma panela na cabeça, confere! Recado dado, parabéns Saldanha, o mundo agradece por você ser representante da verde-amarelinha.

