Agora a névoa se dispersa. E só agora resolvo fechar os olhos e gritar por Romero, agora que os três cachorros enormes que antes latiam e agora miavam se foram para perto do chalé. Eu sinto que com esse grito, o torpor se afasta, sumindo na distância. Abro os olhos e realmente estou de volta à Fonte Sulfurosa Dr. Sousa Lima. Romero me olha de modo estranho pelo meu grito, mas também como se visse como o meu corpo astral se apresentava.
Minha perna esquerda. Não se recupera, não volta do formigamento, como se ela estivesse morta. Romero explica que a minha perna voltará ao normal, assim que o meu corpo astral estiver em ordem, o que por certo vai levar alguns dias. Contei como foi o caminho e ele disse que imaginava algo parecido ao ver o meu corpo astral tão retalhado. Disse que eu teria de passar sem o chaquinam por longo tempo, o que em termos práticos, significava que minha experiência tinha acabado. E acabado mal. Me resigno; nada mais posso fazer a não ser cumprimentar o Jorge por sua chegada bem-sucedida no final da experiência.
Na rodoviária, Romero tenta algumas frases no sentido de me reanimar, mas estou tranqüilo e chego mesmo a marcar algo para as férias de verão, coisa que ele aceita com grande entusiasmo.
Ao partir, deixo tomar conta de mim a certeza de que vou voltar em breve para mais aventuras no mundo misterioso do chaquinam, nessa cidade tão fascinante que Cambuquira pode ser. Por ora, não tenho muito para curtir a não ser o fracasso.