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Oeste

Meu medo de desarmonizar o clima desta festa tão rara e tão bonita é maior. E pela posição da larva sobre a caixa acústica, tão sóbria, contemplativa e discreta, acredito que nada de mau virá daquela estranha, mas quieta criatura. De mais a mais, meu primo Rodrigo pode acabar pensando que sou maluco, olhando para o nada, ou o que supõe ser o nada. Acompanho Rodrigo até a varanda e o meu pai está lá, reclamando da minha ausência. Entro na roda de conversas, beliscando mariscos e mexilhões de uma travessa de metal dourado.


Esqueço-me completamente dentro da conversa, até que a sala lá dentro se enche de gritos de pavor. Todos olham atônitos para o fogo que arde sobre o carpete e só eu consigo ver de onde esse fogo vem: o narguilê da larva, derrubado no chão, quebrado, brasas espalhadas para todos os lados. Corro para dentro e procuro um modo de apagar o fogo. Meus parentes correm em sentido contrário como loucos. Eu bem que tento puxar alguns deles para me ajudar a apagar esse fogo que já vai chegando à viga do teto que separa o primeiro andar do andar de cima da casa.

Corro até lá em cima, saber onde estão meus sobrinhos. Já tem fogo por todas as partes da casa, sem que se possa explicar exatamente como ele se propagou tão rápido. Meus sobrinhos já não estão mais lá, devem ter abandonado a casa, só eu fiquei. Dou um passo adiante para fazer o mesmo, vendo que não era mais possível apagar coisa nenhuma. Debaixo de meus pés, o chão se afunda e, num grito de horror que pareceu ter durado uma eternidade, desabo junto com o vigamento e madeiramento da casa, onde toda a estrutura vem me cobrir e soterrar.

Ao meu lado, as brasas vivas e astrais queimam minha pele; percebo que finalmente tudo se perdeu. A névoa que a fumaça do incêndio forma toma conta de minha visão até que não consigo enxergar mais que a escuridão do entulho por cima de mim.


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