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Oeste

Acho melhor não investigar coisa nenhuma no meio dessa mata fechada. O que quer que seja essa luz, é bem misterioso e pode não ser boa coisa. Pode ser uma armadilha esperando por um ser incauto como eu, imerso nessa felicidade e facilidade astral. Eu me volto e começo a descer. Copas de árvores formando um túnel vegetal sobre a minha cabeça, o céu estrelado que de vez em quando emerge das folhagens e suas infinitas estrelas em rede fechada, girando como a estrada. Tudo gira no meu caminho, em minha volta, o próprio caminho gira para todos os lados, sem que eu me perca da trilha principal, o que eu começo a achar um grande barato.

Um som sibilante que vai crescendo junto com meu deslocamento, na mesma medida. Eu sinto esse som, mas do que ouço. O som é bem interessante, vai aos poucos preenchendo meus ouvidos. Minha sensibilidade se aguça. Realmente é som, não apenas sensação, percebo agora.

Aqui e ali, pequenas lanternas japonesas iluminando os galhos de árvores onde estão presas, oscilando suavemente com a brisa noturna, jogando sombras dos galhos de um lado para o outro. Sementes caindo das árvores, fluorescentes, protegidas por folhinhas que mais parecem pára-quedas.

O som sibilante cresce mais em volume e agora só pode ser ouvido, não mais sentido. Quero ver o que é isso que produz esse som de chiado de fita cassete. Algum aparelho de som que só o chaquinam poderia trazer para esta floresta. Noto um movimento no tronco de uma árvore, que é um movimento de levantar alguma coisa. Fixo nisso o olhar e descubro que é uma serpente. Ameaçadora, me olhando nos olhos acesos contra o escuro do alto das árvores.

Novos pontos de luz, novos movimentos e começo a me arrepender por não ter ido olhar o que era aquela luz na mata fechada. Vou me virando de costas para subir novamente para o Alto do Piripau, mas já há serpentes por todos os lados, enroscando em meus sapatos, em minhas pernas, tudo. Agora é tarde demais.

Eu grito apavorado; das árvores vizinhas começam a chover serpentes de todos os calibres, cores e tamanhos, mordendo, silvando e enroscando em todas as partes do meu corpo. Sinto sufocar, sinto-me próximo de uma morte simbólica que sei que é simbólica, mas também sei que é morte. Uma névoa densa começa a se espalhar rapidamente por todo lado, nublando a minha visão; antes que ela tome conta de toda a minha visão porém, no meio do ataque maciço das cobras, olho no alto de um galho e vejo ali a larva, sorrindo sarcasticamente, fumando o seu narguilê.


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