14

Sozinho no quarto. Procuro estudar, tirar o pensamento dessa paranóia em que estou. Ficar em Ribeirão Preto foi simplesmente a pior coisa que eu poderia ter feito de minhas férias. Não agüentei nem quinze dias ao lado daquele babaca do Oliver e nem a Cláudia para segurar a onda. A filha da puta só queria me explorar. Chegou ao cúmulo de dizer que se eu não preenchesse ao menos uma proposta de cartão de crédito, não olharia mais na minha cara. Gastou o pouco dinheiro que ela tinha em bobagens e todo o dinheiro que eu tinha no resto das bobagens. Sem dinheiro para pelo menos viajar para Cambuquira mais tarde e tentar consertar o caco de minhas férias, tudo o que me restou no final foi retornar para Santos. Amargo regresso, sem nada nas mãos.

O telefone tocou no saguão, o senhorio avisa. Imagino quem seja. O Jorge, ligando de lá de onde eu deveria estar desde o começo.

"Meu, por que não veio? Você não acredita cara, é muito mais do que eu podia sonhar! Muito mais do que tudo o que você já ouviu falar!"

Quando desligo o telefone, me vem à mente a cidade que imaginei ao ouvir pela primeira vez falar em Cambuquira. Procuro consolação em meus livros, meus discos. Digo para mim mesmo que outras férias virão e que desta vez eu vou estar lá. Saber o que é isso que é tão além da imaginação. Por enquanto me deixo ficar aqui, aquém da imaginação, tramando meus planos para o futuro. Para dentro dos estudos e para fora das escolhas já que não tive muito talento para elas destra vez.


Hosted by www.Geocities.ws

1