Tudo começou na manhã de 1 de Novembro de 1755, quando grande parte da população lisboeta se encontrava nas igrejas a celebrar o tradicional Dia de Todos-os-Santos.
Segundo a História de Portugal, consta que a terra começou a tremer por volta das nove e meia da manhã e terminou aproximadamente sete minutos depois. Dois minutos após o início do violento abalo os edifícios começaram a desmoronar-se, enquanto se abriam fendas nas ruas.
O terror da população foi indescritivel. Grande parte corria pelas ruas aos gritos, procurando local onde pudessem estar a salvo. Outros nem tiveram tempo de se aperceberem do que se estava a passar, sucumbindo sob os escombros. Era o apocalipse, ou, pelo menos, parecia.
As águas revoltadas do rio Tejo, que pouco minutos depois invadiram a parte baixa da cidade com ondas alterosas, complicaram ainda mais a situação.
À queda dos edificios seguiu-se o hurror dos incêndios, que começaram pelo palácio do Marquês do Louriçal e pela igreja de S. Domingos, segundo documentos da época, duraram cinco dias e cinco noites.
A família real nada sofreu. D. José, então rei de Portugal, encontrava-se na quinta de Belém, tinha por hábito ir à missa mais tarde.
Sepultar os mortos e cuidar dos vivos
O secretário dos Negócios Estrangeiros e Guerra, Sebastião José de Carvalho e Melo, (mais tarde Marquês de Pombal), foi o primeiro e aparentemente o único membro do Governo a reagir após a calamidade. Deu de imediato instrucções ao regedor de justiça para que, usando os militares, se sepultassem os mortos, se desentulhassem as ruas e revolvessem as cinzas e os escombros. Ficando célebre com a resposta que deu ao rei, quando este lhe perguntou, após a catástrofe, o que havia a fazer: em primeiro lugar, disse friamente, "enterrar os mortos e cuidar dos vivos".
Enorme perda para o património
Segundo documentos da época, terão morrido cerca de 30 mil pessoas e ruído 10 mil edifícios, destes merecem destaque o palácio real da Ribeira, o palácio real das Alcáçovas, o Castelo de S. Jorge, o arquivo da Torre do Tombo, então no Castelo.
Merecem ainda referência os palácios do Marquês de Gouveia, da Casa de Bragança dos Duques de Lafõ';es,dos marqueses de Távora, Niza e Valada, os Conventos de S. Francisco, do Carmo, da Trindade, de S. Pedro de Alcantara, das freiras da Anunciada, de Sant' Ana e de Santa Mónica.
As preciosidades artísticas e literárias que ficaram soterradas ou reduzidas a cinzas foram inúmeras.
Entre elas destaque para a bibliotaca do Paço da Ribeira, que o rei D. João V enriquecera com livros estrangeiros e inúmeros manuscritos.
