Atualização semanal

Publicado no Jornal

Sorocaba, 14/04/99
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Homens em guerra


A moderna tecnologia traz para dentro de nossas casas os mais angustiantes lances dos mais diversos conflitos em qualquer parte do mundo. Tudo quase instantâneo nos mínimos detalhes aterrorizantes. São, sem dúvida, cenas chocantes com famílias trucidadas com crueldade, famílias separadas, crianças agredidas e separadas dos pais, totalmente indefesas. Sozinhas, sem proteção, totalmente desamparadas com um futuro seriamente comprometido. São as guerras. Pesadelo supostamente desaparecido da humanidade em vista do holocausto medonho da Guerra Mundial.

Infelizmente é a realidade. Tudo choca, aborrece e exige grande esforço psíquico para não se deixar abater e, em conseqüência, abrir as portas mentais para a mais horrenda fossa. A revolta interior por cenas tão agressivas e insensatas é quase um sintoma natural.

Entretanto esse universo está fora de nosso alcance. Distante de qualquer ação de nossa parte. Pouco ou nada podemos fazer para suavizar tanto sofrimento. E é esta situação que mais nos incomoda. Nossa impotência frente ao tamanho descalabro.

Porém, se analisarmos o nosso mundo, o nosso ambiente, vamos nos deparar com situações senão tão dramáticas, mas com sofrimentos e dores como aquelas. Talvez até mais sentidas.

Será que isso também nos incomoda? Será que nos revolta? Será que nos choca? Nos aborrece ou escandaliza? Muitas vezes pelas atitudes e julgamentos observados, parece que não.

No nosso bairro, na nossa cidade, no nosso Estado e País, encontramos muitas famílias em situações de sobrevivência tão ou mais sofridas daquelas envolvidas nas incompreensíveis guerras modernas. Sem teto, sem trabalho, sem agasalho, sem comida, sem assistência médica, sem água e luz, enfim, sem qualquer perspectiva de vida melhor e nós, quantas e quantas vezes passamos ao lado, indiferentes. Às vezes, quanto muito damos algumas sobras, quando julgamos que há sobras e nada mais. Achamos que fizemos muito. Um grande ato humanitário.

O dízimo do tempo é muito difícil e para ele quase nunca temos tempo. Fala mais alto o materialismo. A lei de "levar vantagem em tudo". Quantas promessas recebemos, mas na hora de se efetivar essas promessas logo são esquecidas.

Entretanto aquelas cenas das guerras no mundo nos chocam e chegam a nos levar às lágrimas. Mas estão distantes, nada podemos fazer para ajudar e também afastar um pouco o sofrimento. Porém, aquelas que pertencem ao nosso cotidiano não merecem de nossa parte uma atenção especial.

Às portas de novo milênio, o homem está ainda, no relacionamento social, na ação humanitária, na idade das pedras. Exige, cobra, crítica, sempre achando seu direito em tudo, mas o coração continua de pedra. O mundo interior desequilibrado.

Penso ser esta a razão de tanto vazio humano. O homem ainda não se encontrou interiormente. Não vive o equilíbrio físico, psíquico e espiritual. Claro, sem dúvida há exceções, mas são poucas. São insuficientes para perfumar o ambiente e trazer mais luz ao mundo.

O desequilíbrio do mundo interior coloca o homem em estado permanente de guerra. Para ter mais e ser mais materialista, vende a alma ao diabo. A maioria assim decide em recente programa de TV.

Para melhorar o mundo, começando pelo nosso interior, vale a pena enfrentar a guerra nossa de cada dia. Lembrando Khalil Gibran: "Vós pouco dais quando dais de vossas posses. É quando dais de vós próprios que realmente dais. Tudo o que possuis será um dia dado. Dai agora, portanto, para que a época da dádiva seja vossa e não de vossos herdeiros".

Não se angustie se você não tem bens a oferecer. O bem mais valioso é o seu tempo. Ofereça-o pois para muitos ele basta.


Cartas e consultas para a coluna Parapsicologia devem ser enviadas ao Prof. Franceschini A/C da Parâmetros Holísticos de Formação Humana, à rua Oswaldo Segamarchi, 15, bairro Santa Rosália, CEP. 18090-050 - Sorocaba - SP.

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