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Você pensa em ter ou em ser?
Com
tristeza constatamos hoje em dia a ênfase exagerada e o enorme
valor dado ao TER. A pessoa é olhada, analisada e admirada pelo que
ela tem. A grandeza de suas posses e o saldo bancário disponível.
Aquele ou aquela não enquadrada nas personalidades possuidoras
de tudo isso são simplesmente esquecidas, mais um ou mais uma no
meio da multidão. Talvez até desprezível e de pouca
valorização. Possivelmente, julgam, uma pessoa de pouca
inteligência.
É, sem dúvida, uma infeliz e amarga inversão de valores. Não
que a posse de bens é condenável. Pelo contrário, deve ser até
elogiada desde que traga sempre um bom uso. Mas, transformar essas
posses e esses bens em deuses da vida é simplesmente medíocre,
pequeno e deturpador negativo do mundo interior.
É tentadora a obsessão em ter, porque afasta o ser humano dos
reais valores da vida. Valores esses que efetivamente estruturam e
dão real sentido à razão de viver que é o SER e não o ter.
Perdendo o real sentido da vida, perde-se também o respeito, a
dignidade e o devido direito do próximo.
A ganância ganha cada vez mais espaço e destaque no mundo
interior humano e não se estabelece mais limites em busca do
desesperado desejo de ter, ter e ter cada vez mais. Pouco interessa
e pouco vale o outro. As posses, os bens materiais e os prazeres
mundanos falam bem mais alto sobre qualquer outro assunto ou
atividade.
Claro, os resultados só podem ser catastróficos. Enquanto
milhares e milhares de pessoas passam pelas mais sérias
dificuldades, não tendo sequer o alimento necessário para a
própria sobrevivência e a dos seus familiares, deparamos com a
mais descarada corrupção, propinas, falcatruas e outras coisas
mais. Corrupção e falcatruas que muitas vezes encontram amparo, em
algumas situações, nos três poderes democráticos. O valor do
dinheiro e poder falam bem mais alto. O outro,simplesmente é o
outro e nada mais.
Milhões, milhões e milhões de dólares desviados para os
famosos paraísos fiscais. Dinheiro do povo cujos tributos são
pagos com enormes sacrifícios. Todos esses recursos desviados
ilegalmente seguem para a região do Caribe, as ilhas Cayman, ilhas
Jersey, paraíso fiscal da Inglaterra, bancos no exterior, terras
públicas griladas, cobrança de juros escorchantes e o mercado
financeiro com lucros exorbitantes explorando o povo indefeso.
O mais ridículo e inaceitável são aqueles políticos
aparecendo nos meios de comunicação com aquele olhar de mansidão
e de bondade, às vezes até abraçando criancinhas como
"grandes beneméritos do povo". O negócio, para eles, é
ter, ter e ter. Quando deparamos com falsificações de alimentos e
de medicamentos, chegando aos crimes hediondos do reaproveitamento
de cateteres, indevida e ilegalmente reciclados ou então, a venda e
contrabando de órgãos humanos, sem dúvida, parece que chegamos ao
fundo do poço da imoralidade e do desequilíbrio mental. A
paranormalidade totalmente danificada, desestruturada e prejudicial
à vida.
É a falta de Deus no ser humano. Não adianta criar deuses
falsos. Somente o Criador pode dar sentido real à vida humana e
esse sentido está no SER, nunca jamais no ter. É preciso aprender
a SER, para fazer e depois ter. Jamais pensar em ter, para fazer e
então SER. Não podemos inverter os valores da vida, senão os
prejuízos serão seus e refletem seriamente na comunidade. Esta,
por sinal, sempre mais fragilizada. Vale a pena pensar um pouco com
mais critério e discernimento.
A vida humana alcança o seu limite, conforme as estatísticas,
entre 65 a 75 anos. Claro, ocorrem exceções e espero também ser
eu uma delas. Porém, tudo aquilo que você vai levar para a
eternidade é exatamente o conteúdo do seu mundo interior em sendo
gente. Nunca, jamais a ilusão do ter. Logo, não pense na
existência de urnas funerárias do tamanho do seu ter. Dos seus
bens. Do seu patrimônio. Estes perecem e são corroídos pelas
traças.
Pense, isto sim, no tamanho da bondade do seu coração, da sua
generosidade, da sua amorização com visão elevada no Criador. Por
tudo e pela vida pense mais em SER e não em ter. Isto sim é viver
a felicidade. O resto é simplesmente resto.
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