A POESIA DOS CIGANOS
Nascimento no acampamentoNascí entre as
velhas tendas, Nascí na miséria,
entre os campos Nascí num dia
triste de outono Nascí, e minha
mãe morria. |
Rac saví ni bistaravSováv ánde mi
kampína |
Uma trágica noiteDormia no meu
carroção |
Ánde mol hi o chachipéÁnde mol hi o
chachipé |
In vino veritasNo vinho está
a verdade |
Nós
Ciganos só temos uma religião: a liberdade.
Em troca dela renunciamos à riqueza, ao poder,
à ciência e à sua glória.
Vivemos cada dia como se fosse o último.
Quando se morre, se deixa tudo: um miserável
carroção ou um grande império.
E nós cremos que naquele momento é muito melhor
termos sido Ciganos do que reis.
Não pensamos na morte. Não a tememos, eis tudo.
O nosso segrêdo está em gozar a cada dia as
pequenas coisas
que a vida nos oferece e que os outros homens não
sabem apreciar:
uma manhã de sol, um banho na nascente,
o olhar de alguém que nos ama.
É difícil entender estas coisas, eu sei.
Ciganos se nasce.
Gostamos de caminhar sob as estrelas.
Contam-se coisas estranhas sobre os Ciganos.
Dizem que leem o futuro nas estrelas
e que possuem o filtro do amor.
As pessoas não creem nas coisas que não sabem
explicar.
Nós, ao contrário, não procuramos explicar as
coisas nas quais cremos.
A nossa é uma vida simples, primitiva.
Basta-nos ter o céu por telhado,
um fogo para nos aquecer
e as nossas canções, quando estamos tristes.
Hom jek SíntoHom jek Sínto An u súni Dúnkel gibén Mit u tréni |
Sou um SintoSou um Sinto Nos meus sonhos Vida obscura Com as lágrimas |
U star nágliPenéla u parmísso: Jek vintákri
ciáj dikjás, Jek kórkoro
ciordásli, Unt Jov viás
kiáke nágaldo. U stárto náglo
ciás i sinténgro gi Penéla u parmísso. |
Os quatro pregosDiz a lenda: Viu-os uma
filha do vento Um apenas
subtraiu, E Ele assim foi
crucificado, O quarto prego
comungou a dor Diz a lenda. |