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A Segunda Guerra |
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A Segunda Guerra Mundial (1939-1945) A aliança com a Itália, já prevista no Mein Kampf, rapidamente tornou-se realidade como resultado do ressentimento dos italianos contra a Inglaterra e a França, pela oposição feita à ocupação italiana da Etiópia. Em outubro de 1936 estava formado o "eixo" Roma-Berlim, e, pouco depois, o pacto contra a União Soviética, assinado com o Japão. Um ano mais tarde esses dois pactos foram referendados em um pacto único, o Eixo Tóquio-Roma-Berlim. Em novembro de 1937, Hitler delineou seus planos de conquista em um encontro secreto com seus líderes militares, decidindo começar pela Áustria e a Checoslováquia. Três anos antes, em meados de 1934, ele havia estimulado uma revolta entre os nazistas da Áustria, que reivindicavam a anexação à Alemanha. Com o apoio da embaixada alemã, organizaram um golpe e assassinaram o chanceler Engelbert Dollfuss. Mussolini, o ditador italiano, ainda havia mobilizado tropas para intervir contra o golpe, porém estas fracassaram. Hitler voltou à carga no início de 1938, assegurando-se primeiro do apoio da Itália. Quando o chanceler Kurt von Schuschnigg decidiu efetuar um plebiscito sobre a reclamada anexação, Hitler imediatamente ordenou a invasão da Áustria pelas tropas alemãs. Entrou gloriosamente em Viena, e proclamou então uma gratidão eterna a Mussolini por este não haver, desta vez, interferido. Seguiu-se a anexação da Tchecoslováquia, onde o nazismo também tinha seus adeptos e agitadores entre a minoria alemã. A questão pareceu solucionada com a interferência da França, Inglaterra e do amigo Mussolini, que propuseram a integração à Alemanha da parte da Tchecoslováquia cujos habitantes eram de origem alemã. Com esta solução, Hitler adiou apenas temporariamente seu plano de anexação total do país, até a desordem popular estimulada pelos nazistas lhe fornecer motivo para a invasão, proclamando assim sua anexação em março de 1939. Imediatamente após, suas ameaças fizeram que o governo lituano cedesse parte de seu território, na fronteira com a Prússia Oriental: um enclave alemão ao norte da Polônia. Concluídas as anexações, Hitler procedeu às conquistas necessárias a criar o "espaço vital" que desejava para a Alemanha. Seu primeiro objetivo foi a Polônia. Assegurou-se mais uma vez do apoio da Itália, que inclusive lhe forneceria tropas, através de um novo acordo, em maio de 1939. Em agosto, celebrou um pacto de conveniência com a União Soviética, para que esta não interferisse em seu projeto. A invasão da Polônia foi efetuada antes do inverno daquele mesmo ano.
Isto precipitou uma reação que Hitler não desejava para tão cedo: a Inglaterra e a França declararam guerra à Alemanha. Obrigado a voltar sua atenção para o oeste europeu, tentou negociar a paz com os novos inimigos, porém sem resultado. Iniciou então uma ofensiva contra a França e a Inglaterra, indiretamente, invadindo primeiro a Dinamarca e a Noruega, em abril de 1940, países antes não envolvidos e apanhados de surpresa pelas forças alemãs. Pelo norte apanhou de surpresa também a França, cujas linhas de defesa fortificadas no leste se tornaram inúteis. Entusiasmado, Mussolini também entrou na guerra em apoio aos alemães. A resistência a Hitler na França foi comandada por De Gaulle. Inicialmente, para resistir ao ataque alemão iniciado em maio de 1940, o presidente da França, Paul Reynaud, apelou para um herói francês da primeira guerra mundial, o marechal Pètain, que foi nomeado primeiro-ministro. O marechal concluiu porém que o exército francês não tinha chances contra a moderna máquina de guerra alemã, e pediu o armistício.
Hitler assinou o armistício com a França, vingando as arrogantes exigências dos franceses colocadas no Tratado de Versalhes, na capitulação da Alemanha em 1918. Como preço pelo armistício, Hitler exigiu o pagamento em matérias-primas e alimentos para o esforço de guerra alemão. O armistício incluía uma cláusula de trabalhos forçados aos jovens franceses nas fábricas alemãs, o que levou a juventude francesa a refugiar-se nos campos. Alguns deles se arriscaram e vários perderam a vida como heróis de resistência ao invasor, principalmente em atos de sabotagem contra o transporte de trabalhadores franceses e produtos para a Alemanha. O general Charles De Gaulle fugiu para a Inglaterra, de onde exortou os compatriotas a resistirem aos nazistas. De Gaulle voltaria, após a guerra, para governar a França. Pètain instalou seu governo em Vichy, na parte sul que restara sob autonomia francesa, abaixo de uma linha imaginária entre a fronteira com a Suíça, na altura de Genebra, a 19 km a leste de Tours, e dali para sudoeste até a fronteira com a Espanha, seguindo por 48 quilômetros até o a costa mediterrânea.
No verão de 1940, Hitler iniciou uma preparação a longo prazo para a invasão da União Soviética. mas alguns contratempos para esse projeto surgiram. Primeiro: Mussolini, sem saber das intenções de Hitler, adiantou-se na captura da Grécia. Como resultado desta e de outras aventuras, precisou do socorro dos alemães tanto nas Balcãs, como também no norte da África. Outro imprevisto foi o golpe de Estado na Iugoslávia em março de 1941, depondo um governo que havia feito um tratado com os alemães. Considerando isto um insulto à Alemanha e a ele próprio, Hitler ordenou imediatamente a invasão da Iugoslávia. Tudo isto representou um desfalque no seu ataque contra a União Soviética, que lançou em junho do mesmo ano. Apesar de tudo, estava tão confiante no seu sucesso, que não providenciou roupas de inverno para as tropas, prometendo aos soldados que estes estariam de volta ao lar antes do inverno.
A campanha porém, não teve o mesmo êxito de todas as invasões anteriores, prolongando-se até o inverno, para o qual as forças alemãs não estavam nem um pouco preparadas. No auge do frio, em dezembro do mesmo ano, os russos, apesar de inferiores em armamento e técnica de combate, começaram a contra-atacar com êxito. Ao mesmo tempo, ocorreu o até hoje incompreensível ataque japonês a Pearl Harbor. Sem querer por em risco o tratado que tinha com o Japão e a divisão das tropas russas, já que estes lutavam ao leste e ao oeste, Hitler declarou prontamente guerra aos Estados Unidos, do lado do Japão. Acreditando cegamente na superioridade racial germânica, Hitler não levou em conta a força que uma mobilização total dos Estados Unidos poderia significar, mesmo pressionado em duas frentes pelo Eixo: pela ameaça que vinha pelo Atlântico, da Europa nazificada, e da que vinha pelo Pacífico, do oriente fanatizado, o Japão. As batalhas se multiplicaram em várias frentes na Europa, no Atlântico, na África, na Ásia e no Pacífico.
Apesar de ocupado com uma conflagração mundial, Hitler estava confiante que imporia uma nova ordem mundial, e Himmler foi encarregado de preparar a nova
Europa. Os campos de concentração foram ampliados e a eles acrescentados
campos de extermínio como os de Auschwitz e Mauthausen, assim como criadas
unidades móveis de extermínio. Os judeus da Alemanha e dos países ocupados
foram aprisionados e executados, fuzilados ou mortos em câmaras de gás. A
conta geralmente apresentada é de 5 a 6 milhões de pessoas sacrificadas, no
que Hitler chamou de solução final para o problema judeu. Milhares morreram
também em experiências médicas alucinadas, e nas execuções indiscriminadas
de reféns, de adversários políticos e de membros da resistência nos países
ocupados. A propaganda utilizava o rádio e o cinema. A atriz sueca Kristina Süderbaum
tornou-se uma estrela dos filmes de propaganda do partido; sua figura nórdica
loura encarnou a ideologia racial Nazista. Casada com Veit Harlan, um dos
principais diretores de filme da era nazista, Süderbaum estrelou vários de
seus trabalhos, incluindo o profundamente anti-semítico Jud
Süss, de 1940.
Ao final de 1942 as derrotas na África, em el-Alemein, e na União Soviética, em Stalingrado, somadas ao bombardeio dos aliados, Inglaterra e Estados Unidos, sobre o território da própria Alemanha, indicavam uma reviravolta na guerra desfavorável aos nazistas. Hitler porém recusava-se a visitar as cidades bombardeadas e a ler ou acreditar nos relatórios de seus generais. Quando Mussolini foi preso, tentou uma operação para resgatá-lo, e enviou tropas para ocupar as posições das italianas que haviam se rendido. Continuou a resistir ao avanço russo às custas de grandes perdas para o exército alemão, tanto em número de mortos quanto em unidades aprisionadas. A batalha naval também perdeu fôlego, à medida que o inimigo aprendia a combater com êxito e destruir os submarinos alemães.
Apesar de escapar a vários atentados contra a sua vida (o mais perigoso deles a explosão de uma bomba colocada sob a sua mesa de reunião com seus generais no quartel de comando na Prússia Oriental, parte da atual Polônia), Hitler não esmoreceu. Em lugar de tentar uma paz que permitiria salvar ainda boa parte da Alemanha, retirou-se para uma fortaleza subterrânea em Berlim, a cidade que pretendia defender a todo custo com os últimos recursos de seu exército, não permitindo que este se rendesse. Quando as tropas soviéticas entraram na capital alemã, a luta nas ruas e os bombardeios aéreos reduziram a cidade a ruínas. Só então Hitler entendeu que era o fim e tomou duas últimas providências: casar-se oficialmente com Eva Braum e ditar o seu testamento aos seus auxiliares. Neste testamento, conclamou o povo a continuar a luta contra os judeus e apontou Karl Dönitz como chefe do estado e Josef Goebbels como primeiro-ministro. Recolheu-se com a mulher aos seus aposentos e esta tomou veneno. Não se sabe ainda se Hitler se matou também com veneno ou com um tiro. Seus corpos foram em seguida incinerados. Na França, após a libertação de Paris pelas tropas aliadas, De Gaule declarou nulo o governo de Vichy e o marechal Pètain, levado pelos alemães para um abrigo na Alemanha, retornou à França voluntariamente para ser julgado; faleceu na prisão em 1951, aos 95 anos de idade. Na Itália, libertada pelas tropas americanas junto às quais um contingente brasileiro teve presença marcante, Mussolini foi executado. O Japão foi o último a se render e apenas assinou a rendição após os ataques atômicos realizados pelos americanos contra Hiroshima e Nagasaki, ambos em 1945.
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