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O Defunto
de Ren� de Obaldia dire��o, cen�rio, sonoplastia, figurino e ilumina��o: Ant�nio F�bio elenco: Vera Barroso � Julie e Cl�udia Theo � Madame Cavan tradu��o: Cl�udia Theo programa��o visual: Jos� Nascentes recep��o: Socorro Guerra, �ngela Paiva e Marisa Guedes camareiros: Miriam Lucy, Lilian Fagundes e Gustavo Reinecken
Para entender "O Defunto"
Os te�ricos dos s�culos XVII e XVIII, respons�veis pelas tradu��es e interpreta��es da obra seminal da teoria teatral, "A Po�tica" do grego Arist�teles, instituiram os c�nones do que se considera uma "pe�a bem feita" . A pe�a bem feita sempre tem um enredo habilmente, uma tema apresentado, cuidadosamente desenvolvido e finalmente resolvido de acordo com as regras das tr�s unidades (a��o, tempo e espa�o). O texto original "O Defunto" do autor franc�s Ren� de Obaldia pertence a dramaturgia do Absurdo cuja caracter�stica � o rompimento com a linearidade aristot�lica. Segundo Eugene Ionesco ... "Absurdo � aquilo que n�o tem objetivo... Divorciado de suas ra�zes religiosas, metaf�sicas e transcendentais o homem est� perdido; todas as suas a��es se tornam sem sentido, absurdas, in�teis."
Na encena��o da montagem de "O Defunto", de prop�sito procuramos caminhos para provocar estranhamentos. A interpreta��o dentro da interpreta��o de atrizes que s�o tamb�m personagens, a farsa e a psicologia, a dor e seu espelho. Afinal, o que querem mulheres al�m daa apar�ncia do seu pequeno drama? julie � uma vi�va inconsol�vel com a perda do seu marido, V�tor. Madame Cavan � ex-amante do marido de Julie, V�tor. Duas mulheres e um homem, aparentemente.. Depois essas mulheres revelam-se outras, n�o mais Julie e Madame Cavan, e , sim, Honorine e Suzane, que dedicam-se a inventar uma realidade c�nica, falsa, fingida, para suportar a real condi��o de mulheres sozinhas e des�rticas. Na sua inven��o essas mulheres perdem-se, confundem-se e reencontram-se na sua infinita trajet�ria, no seu c�rculo eterno. O homem: o abismo da aus�ncia, o "monstro" que as espreita dentro do seu pr�prio labirinto, justifica a id�ia dessa constru��o m�tica, desse espa�o m�gico. A cadeira, s�mbolo da inven��o e ponte entre a realidade e a quimera.
Ant�nio F�bio
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