1.02 Strange Days
Lanchonete Columbine's. Peter entra acompanhado por uma mulher (Mary-Margaret Humes).
Peter: Columbine's? Nossa! Que nome original! Será que tudo por aqui se chama assim?
Mulher [Mary-Margaret Humes]: Tenho que concordar que falta originalidade, mas foi o único lugar que achamos. (apontando para uma mesa) Vamos ficar ali.
Os dois se sentam em uma mesa e uma garçonete se aproxima e entrega os cardápios.
Mulher: E então, quais são as novidades?
Peter: (desanimado) Ah... Nada de mais, Clarice... Você sabe, né? É só que eu queria voltar para Nova York.
Clarice: Peter, não gosto quando você me chama pelo meu nome, parece que quer me dar esporro... Eu é que devia agir dessa maneira. Eu sou sua mãe! Dá pra ser normal e me chamar de mãe?
Peter: (entediado) Okay, mãe, se você quer eu te chamo de mãe, ok, eu te chamo! Mas será que agora você pode dizer o que a fez me trazer aqui?
Peter olha para a mãe, que o observa seriamente.
Ginásio do Columbine High School. Elisha
assiste ao treino de basquete e Erik está jogando. O treinador apita e alguns
alunos vão para o vestiário. Erik continua na quadra e Elisha corre até ele.
Elisha: Oi, Erik. Será que eu poderia levar uma palavrinha com você?
Erik a olha por alguns instantes e Elisha aparenta estar apreensiva pela resposta.
Erik: Lógico. E sobre o que seria esta palavrinha?
Elisha: É sobre a sua popularidade na escola. Eu estou fazendo uma matéria pro jornal da escola sobre isso, então eu queria te entrevistar. Você aceita me dar uma entrevista?
Erik: (sorrindo) Claro. Me encontra na lanchonete da escola depois das aulas da manhã, okay?
Elisha: Okay, a gente se vê lá. Vê se não fura, hein?
Erik: Eu não vou furar. (olhando-a seriamente) Não com você!
Elisha morde o beiço e Erik vai pro vestiário, deixando-a um pouco atordoada. Ela fica olhando pro nada durante alguns segundos, até que sorri e sai da quadra.
* Corta para a abertura.

Música-tema: Blue And Yellow - The Used
Starring:
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Guest Starring:
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Entrada do Columbine High School. Tom está
parado em frente a entrada, no primeiro degrau.
Photobooth
(Death Cab For Cutie)
Melanie: (irônica) Vejam se não é o mal educado que me empurrou outro dia, pois eu estava parada em frente à entrada, atrapalhando o fluxo de alunos.
Tom (olhando-a com desprezo) Ha-Ha-Ha. (sério) Ok... Eu sei que exagerei naquele dia... Me desculpa, ok? (nervoso) Mas eu fui expulso por sua causa. Se desculpe também!
Melanie: Ah, não me desculpo mesmo. Eu até aprecio esse seu gesto de se arrepender e me pedir desculpas, mas eu já disse e repito: Se você não sabe cochichar o problema é seu!
Tom: (indignado) Você é tão infantil, sabia? Me deu mó esporro outro dia e quando eu reconheço meu erro e peço desculpas, você simplesmente banca a mal educada. Você é tão... Infantil!
Melanie: (nervosa) E você é tão sem vocabulário! Não sabe me definir com outra palavra? Quer saber? Eu já tenho que pisar aqui todos os dias e não preciso ficar te aturando pra piorar ainda mais meu cotidiano... Tchau!
Tom: Hey!
Melanie se vira para encará-lo.
Tom: Saiba que eu fui eleito o aluno com o vocabulário mais extenso na minha antiga escola.
Melanie: (indiferente) E isso deveria me impressionar?
Melanie sai andando e Tom a olha sem acreditar. Ele ainda fica parado e Keri se aproxima.
Keri: Oi, você faz aula de literatura comigo, não faz?
Tom: É... Eu acho que faço. E também química, biologia, matemática, geogra---
Keri: (interrompendo-o) Tá, eu sei que você faz todas essas matérias comigo... Eu só disse aquilo pra puxar papo.
Tom: (sem graça) Ah, tá. Desculpe. O que você quer, então?
Keri: Você já fez aquele trabalho sobre os poetas mais importantes para a literatura americana?
Tom: Ainda não, mas vou fazer por esses dias. Porquê?
Keri: Sabe o que é, o trabalho é muito difícil e aí e... Eu pensei em fazer com alguém e... E co... Como eu não conheço ninguém por aqui e você me parece uma pessoa legal, pensei em fazermos juntos... Para facilitar o trabalho.
Tom: Por mim tudo bem.
Keri lhe entrega um pedaço de papel.
Keri: Esse é meu cartão. Tem meu telefone e meu endereço, caso a gente não se esbarre de novo hoje, me liga ou dá uma passada por lá.
Tom: Você tem cartão com telefone e endereço?
Keri: Sim, e é bem útil.
Tom: Bem fútil, você quer dizer?
Keri: (nervosa) O que você disse?
Tom: (sem graça) Eu disse que realmente é bem úúúúúúútil. Eu te ligo ou vou na sua casa.
Keri: Até mais, então. Tchauzinho.
Keri dá um tchau com a mão e se afasta, entrando na escola.
Tom: (olhando o cartão, resmungando) Muito fútil!
O sinal toca e Tom bate na testa.
Tom: (baixo e para si mesmo) Droga, eu não posso me atrasar pra aula de novo.
Sala de aula do Columbine High School. Peter está sentado pensativo e
Elisha entra na sala.
Photobooth
(Death Cab For Cutie) - Cont.
Elisha: Oi. Tudo bem?
Peter: Mais ou menos.
Elisha: Quer conversar a respeito?
Peter: Agora não, mas depois a gente conversa sobre isso.
Elisha: Okay. Só queria saber se tem como eu te entrevistar depois do almoço ou você tem alguma aula?
Peter: Não, meu horário tá livre. Que tal às 13:00?
Elisha: Esse horário está bom pra mim. Você realmente não quer falar o que está acontecendo?
Peter: Você não tem aula em outra sala?
Elisha: Ok, já entendi. Eu já vou.
Elisha olha para Peter, mas ele olha para o quadro e ela sai da sala. Pouco tempo depois, Tom entra na sala e se senta ao lado de Peter, totalmente emburrado.
Peter: Aconteceu algo, Tom?
Tom: Sabe a garota que eu falei? A que me fez ser expulso da aula do Nicholas?
Peter confirma com a cabeça.
Tom: Acabei de vê-la e ela... Argh! Simplesmente ela é uma infantil e... Argh! Não quero mais falar dela!
Peter: Oookay.
Tom: E o pior foi eu ter que tirar tudo da minha mochila na revista, porque o alarme não parava de tocar. (revoltado) E eu lá tenho cara de psicopata?
Quando Peter vai responder, o professor entra na sala e Tom continua resmungando.
Ginásio do Columbine High School. Vemos várias garotas vestidas com
uniforme da torcida e com pompons na mão. Entre elas está Keri que ensaia alguns
movimentos. Erik entra no ginásio, mas observa tudo de longe. Um grupo de garotas
se aproxima de Keri e a líder do grupo (Laura Vandervoort) cutuca Keri que pára de ensaiar no mesmo
instante.
Keri: O que foi?
Garota Líder [Laura Vandervoort]: Não sei por que vocês calouras têm mania de querer fazer parte da torcida. Você não tem a menor chance!
A garota e suas comparsas riem, deixando Keri sem graça.
Keri: Eu e todas as outras temos o direito de tentar entrar para a torcida, tá?
Garota Líder: Tentar até que vocês podem, conseguirem é que vai ser difícil.
A líder e seu grupo se afastam rindo. A líder do grupo avista Erik e caminha sozinha até ele.
Garota Líder: E aí, Erik? Veio ver os testes?
Erik: Vim ver os testes e lhe pedir um enorme favor, minha querida Ashley.
Ashley: E eu posso saber que favor seria este?
Erik: Sabe aquela garota com quem você acabou de ter uma conversinha “amigável”?
Ele faz os sinais das aspas ao dizer a última palavra. Ele aponta para Keri e Ashley afirma com a cabeça, indicando que sabe a que garota ele se refere.
Erik: Eu quero que você a coloque na equipe da torcida, mesmo que ela seja ruim e você não goste dela.
Ashley o olha totalmente boquiaberta. Ele a encara, esperando a resposta.
Erik: Então...
Ashley: Eu estou em choque! Simplesmente não sei o que dizer! Você tem noção do absurdo que você está dizendo?
Erik: Ash... É realmente importante pra mim... (implorando) Por favor!
It Belongs To
Me (Jennifer
Lopez)
Ashley: Ah, não! Vai me dizer que já me esqueceu e tá afim da nanica?
Ao dizer a última palavra ela aponta com a cabeça para Keri.
Erik: (rindo) Não, eu não estou afim dela, apesar dela ser bem gostosinha.
Ele diz isso dando uma olhada de cima a baixo em Keri.
Erik: E é claro que eu ainda não te esqueci. Aliás, esse seu ataque de ciúme foi realmente interessante. Me deixou bem excitado!
Ashley: Oh... Eu também estou! Mas agora não dá, querido!
Erik: Eu sei, mas voltando ao assunto principal... Eu preciso de uns favores dela e ganho muito com isso. Será que você poderia me ajudar nisso? Eu sei que você tem poder decisivo na hora da escolha. (sorrindo) Prometo que lhe recompensarei.
Ashley: Já que é assim, eu te ajudo. (insinuante) E pode ter certeza que eu cobrarei a recompensa.
Ashley e Erik caminham juntos para o interior do ginásio. Keri sorri para Erik que retribui o sorriso.
Ashley: Bom, vamos começar o teste para as líderes de torcida. No ano passado éramos um grupo de 8 jovens, mas 3 deixaram o colégio. Então entre vocês, escolheremos 3 e as outras 9 terão que tentar no próximo ano. Eu prometo ser boazinha com vocês! Ok, vamos começar com uma novata.
Ashley olha uma prancheta com nomes.
Ashley: Srta. Clarson. Julia Clarson.
Uma garota se aproxima e faz alguns movimentos. A imagem fica acelerada e vemos outras duas garotas realizando seus testes. A imagem volta ao normal e Ashley anuncia outro nome.
Ashley: Srta. O'Malley... Keri O'Malley.
Keri caminha para o centro do ginásio, visivelmente nervosa. A música continua tocando e Keri começa a fazer passos com os pompons ao som da música. A câmera dá um close no rosto de Ashley que parece estar compenetrada e anota algumas coisas numa prancheta. Corta para o rosto de Erik que também está bastante compenetrado e olha com atenção à perfomance de Keri . Agora corta para o rosto de Keri que sorri para todos, mas também demonstra que está compenetrada.
A câmera dá um giro de 360º na quadra e vemos algumas pessoas na arquibancada. Vemos Erik na arquibancada e Keri e mais algumas garotas estão lado a lado, à espera do resultado. Ashley e suas amigas estão reunidas e logo se aproximam.
Ashley: Bem, já temos as vencedoras. São elas: Julia Clarson, Annete Thompson e...
A câmera focaliza o rosto de Keri, que está triste.
Ashley: E... Keri O'Malley!
Keri fica bastante surpresa e comemora bastante. Erik sai da arquibancada e vai abraçá-la. Ele olha para Ashley, que lhe lança um olhar secante.
Lanchonete do Columbine High School. Elisha
está sentada sozinha em uma das mesas e olha para o relógio que marca 12:13.
It Belongs To
Me (Jennifer
Lopez) - Cont.
Elisha: (em voice over) Só falta o Erik não vir. Mas ele tem que vir, senão eu detono ele nessa matéria.
Melanie se aproxima e Elisha nem nota a presença dela.
Melanie: Oieeee!!!
Elisha: Ahn, oi, Melanie. Desculpa, é que eu tava viajando nos meus pensamentos.
Melanie está com uma cara feia. Elisha o olha estranho.
Mel: Me chame de Mel, ok?
Elisha: (sorrindo) Ah, tá. Desculpe por isso.
Mel: Sem problemas. Eu só queria saber se você já tem dupla para o trabalho de Literatura.
Elisha: Já, mas com certeza você vai encontrar alguém para fazer esse trabalho com você.
Mel: (desanimada) É, espero que sim. Posso me sentar?
Elisha confirma com a cabeça e Mel se senta à mesa.
Elisha: Então, o que você está achando da escola?
Mel: Ah... Pensei até que fosse ser pior. Tá certo que a revista que fazem na gente na recepção é chato, né? Mas de certa forma ajuda, apesar de não ser a solução pros problemas que ocorreram aqui. Se bem que depois de tudo que aconteceu aqui, toda precaução é válida. A verdade é que eu ainda não me adaptei totalmente e acho que a ficha ainda não caiu... Mas eu estou levando e por enquanto estou agüentando.
Elisha: É, estudar aqui é realmente diferente. Eu cheguei ano passado e a verdade é que eu ainda não consegui me adaptar. (olhando a cara de Mel) Mas lógico que você conseguirá mais rápido que eu. Eu também acho que as revistas não sejam a solução pro problema que aconteceu aqui, mas não importa o que façam sempre vai haver um grupinho fazendo bullying no colégio. E sempre há um risco de algo como aquilo acontecer novamente.
Mel: (triste) É... O pior é os que estavam aqui no dia... Os que morreram e as famílias deles...
Mel fica meio abalada, mas Elisha nem nota, pois olha nervosamente para o relógio enquanto Mel fala.
Elisha: É... Bem que alguns pais tentaram fechar a escola, mas como era muito absurdo, ela ficou aberta. Sabe... Eu ainda sinto calafrios passando pelos lugares onde aquelas pessoas morreram.
Mel fica ainda mais triste, mas Elisha novamente não percebe, já que olha no relógio mais uma vez.
Mel: (curiosa) Tá esperando alguém? Porque desde que eu sentei aqui, você já olhou pra esse relógio umas duas vezes.
Elisha: É... Estou. Eu tô em teste no jornal da escola como redatora-júnior e tô esperando um aluno para uma entrevista de uma matéria.
Mel: (sorrindo) Que legal você ser do jornal! Eu li a edição do início das aulas e achei bem legal. Só acho que falta falar de entretenimento. Podiam falar do cinema e os maravilhosos seriados americanos.
Elisha: É que o jornal é mais voltado para notícias do colégio, mas é só você ir lá na redação falar com o Greg. Ele é o redator-chefe e está aberto a sugestões.
Mel: É, vou ver se faço isso. Eu vou ter que ir embora almoçar, porque daqui a pouco tem aula de química.
Elisha: Ninguém merece química depois do almoço.
Mel: (rindo) Realmente ninguém merece. Você já almoçou?
Elisha: Já, senão até te acompanhava.
Mel: Tudo bem, eu vou sozinha mesmo. A gente se esbarra por aí.
Elisha: Ok, até mais. E boa sorte na procura de um companheiro para o trabalho.
Mel: Brigada. A gente se vê por aí.
Mel se afasta e Elisha olha para o relógio que marca 12:16.
Elisha: (em voice over) Onde será que o Erik se meteu, hein? Só falta ele me dar um bolo!
Mel volta e fica parada, olhando para Elisha. Essa a observa curiosamente.
Elisha: O que foi, Melanie?
Mel: (nervosa) Você pode me chamar de Mel, por favor?
Elisha: Okay.
Mel: É que... É que eu queria te pedir uma coisa. Tem como você conseguir uma edição antiga do jornal?
Elisha: Assim que eu realmente conseguir a vaga, acho que sim. (curiosa) Por quê?
Mel: É que eu queria ver a edição que falou sobre o que aconteceu aqui... Aquele dia fatídico... É realmente importante pra mim!
Elisha: (estranhando a situação) Ok, se eu conseguir a vaga, eu arranjo pra você essa edição do jornal.
Melanie: (aliviada) Obrigada... É realmente importante pra mim! Tchau, Elisha.
Elisha a observa se afastar com um olhar de curiosidade estampado na cara.
Elisha: (resmungando) Por que isso deve ser tão importante pra ela?
Vemos uma visão do alto da cidade de Columbine e
mostra-se o pôr-do sol
até que escurece completamente. A música de fundo continua tocando. A
cena dura cerca de 15 segundos.
Casa de Erik. Ele e Ashley entram na casa e se sentam num sofá.
Erik: Você quer beber alguma coisa? Tem vinho, se quiser.
Ashley: Não, Erik. Estar aqui contigo já basta.
Erik sorri e os dois começam a se beijar. Logo, o clima fica quente e algumas peças de roupa começam a ser tiradas.
Ashley: (ofegante) Que tal irmos lá pra cima? Você tem uma dívida pendente!
A cena corta bruscamente para o quarto de Erik. Ele e Ashley estão vestindo apenas suas peças íntimas e o clima é cada vez mais quente.
Ashley: (ofegante) Você tem camisinha aí?
Erik: (parando de beijá-la, muito surpreso) Você quer transar comigo? Ir pros finalmente?
Ashley: (confusa) É, Erik. Foi por isso que viemos pra cá, não? (desanimada) Você não quer? Por que você nunca transa comigo, hein? (quase chorando) Eu sou feia?
Erik: (desconfortável) Não, Ash... Você não é feia! É que... É que eu só nunca fiz isso.
Ashley: (confusa) Ahn... Como assim?
Erik: (nervoso) Eu sou virgem, Ash!
Ashley fica boquiaberta, começando a rir nervosamente.
Ashley: Você está brincando, não?
Erik: (nervoso) Não, não estou. E se você contar isso pra alguém, você já era. (deprimido) Eu só nunca consegui!
Ashley: (rindo nervosamente) Oh, não! Virgem e broxa?
Erik fica totalmente triste e Ashley se sensibiliza.
Lonely
Day (Phantom Planet)
Ashley: Erik, isso é totalmente normal. Mas se você não for até o fim, você nunca conseguirá!
Erik: Eu sei, Ash. Mas hoje não dá... Me desculpe.
Ashley: Ok, a gente marca outro dia e eu te ensino tudo direitinho. Não fica assim, meu lindo! Você vai ficar bem sozinho!
Ashley o beija no rosto e vai embora, carregando algumas roupas pra fora do quarto. Erik deita na cama e olha pra cima.
Erik: (decidido) Eu preciso conquistá-la logo! A minha primeira vez não vai ser com a Ash, vai ser com ela. (deprimido) Por que eu sou tão mulherzinha nessa hora?
Casa de Keri. Ela está na sala assistindo televisão quando a campainha
toca. Ela levanta e abre a porta. É Tom, que está com uma mochila nas costas.
Lonely
Day (Phantom Planet) - Cont.
Keri: Nossa! Não espera ver você tão cedo!
Tom: Tô te atrapalhando?
Keri: Não. Só tava dando uma olhada na TV, mas tá dando reprise de Veronica Mars e a programação está ruim.
Tom: (batendo na testa) Caraca, esqueci que hoje é dia de Lost.
Keri: Você gosta dessa série ridícula?
Tom: Ridícula nada, tá. Você que não deve ter capacidade de entender os mistérios e fica falando que é ridícula. E prefere Veronica Mars? Essa série é podre! É um atentado à inteligência!
Keri: E você acha que descobrir um monstro de uma ilha, onde todos possivelmente estão mortos, numa espécie de purgatório é inteligência?
Tom a observa sem saber o que dizer.
Keri: Foi o que eu pensei! Entre... E não critique mais a Veronica!
Tom: Ah, deixa de ser fútil, garota.
Keri o olha com raiva e fecha a porta na sua cara.
Tom: (em off) Hey, meu nariz.
Keri bufa e parece lembrar de algo. Ela abre a porta e Tom não está mais lá.
Keri: Droga, estraguei o plano.
Tom aparece do nada.
Tom: Booooo!
Keri se assusta e Tom ri.
Keri: Não teve a mínima graça
Tom: (rindo) Ah, foi engraçado!
Keri olha para ele fazendo uma cara de quem não gostou da brincadeira.
Tom: (confuso) Mas... Que plano que você estragou?
Keri o olha aparentemente sem entender e quando ela entende, fica sem reação. A música de fundo pára de tocar e Tom espera pela resposta de Keri.
Keri: Ah... Estraguei o plano de fazer o trabalho junto com você, oras!
Tom: (preocupado) Foi só isso mesmo?
Keri: (firme) Foi.
Fica um silêncio constrangedor entre os dois.
Keri: Oi, eu sou Keri O'Malley e você?
Tom: Isso não vai dar certo, ok?
O clima fica constrangedor de novo.
Tom: Olha, que tal você me convidar para entrar para realizarmos o seu “plano”? Pode deixar que eu não falo mal de você nem de Veronica Mars. A série nem é tão ruim assim!
Ela abre a porta e com a mão faz o gesto para ele entrar. Ela está visivelmente preocupada.
Keri: Você deve achar ruim porque não conseguiu adivinhar o assassino?
Tom responde, mas a conversa fica inaudível, quando a porta se fecha.
Quarto de Peter. Ele está ouvindo música e
chorando em sua cama.
Talk (Coldplay)
Ouve-se batidas na porta. Ele limpa o rosto e abaixa o som. A música de fundo é diminuída, mas continua tocando.
Peter: (enxugando as lágrimas) Pode entrar.
Clarice: (receosa) Oi, meu filho. O que aconteceu?
Peter: Nada, mãe. O que você quer?
Clarice: Conversar. Podemos?
Peter: Claro, mãe. Será que você vai me contar agora o que devia ter dito na lanchonete?
Clarice: (suspirando) Ok, filho, eu vou contar.
Peter: Então, qual é a novidade?
Clarice: Tem a ver com Nova York.
Peter: (sorrindo) Vamos voltar para Nova York?
Clarice: (séria) Nós não, mas eu sim.
Peter: (surpreso) O quê?!
Clarice: Meu patrão me ofereceu o dobro do salário para eu continuar em Nova York. E como eu amo o meu emprego, eu resolvi voltar pra lá.
Peter: (confuso) Mas e eu? E o meu pai? Como nós ficamos?
Clarice: Seu pai e eu tivemos uma longa conversa. Eu não posso te manter lá comigo, não por enquanto, mas daqui a alguns meses, isso será possível. E o seu pai precisa manter o emprego dele aqui e tem condições de te manter. Então, nós decidimos dar um tempo ao nosso casamento, que já não tava lá grandes coisas.
Peter: (muito surpreso e confuso) Mas vocês vão se separar e eu vou morar com ele? Eu podia ficar na casa dos meus avós!
Clarice: Nós não sabemos se vamos nos separar, estamos apenas dando um tempo. E com relação a você ficar na casa dos seus avós, isso não é possível e já foi discutido antes. (triste) Eu sei que é difícil, mas eu espero que você entenda.
Peter: (revoltado) Entender? Você quer que eu entenda que minha mãe vai me abandonar nesse fim de mundo no qual eu posso tomar um tiro a qualquer hora no colégio?
Clarice: Não seja dramático, filho!
Peter: Dramático? Você quer que eu seja o quê? Alegre? Você tem idéia do que é deixar uma vida inteira para trás? Eu fiz isso por vocês e agora você me diz que provavelmente vão se divorciar! (gritando) Eu não quero entender nada, eu só quero que você suma daqui agora. Sai daqui, mãe!
Clarice: (chorando) Filho...
Peter: (mais revoltado) Sai agora.
Clarice sai do quarto e Peter bate na porta e chuta uma caixa que está no chão. De dentro dela cai alguns CDs. Ele aumenta a música e deita na cama, começando a chorar de novo. A música chega a um volume bem alto, enquanto a câmera filma Peter chorando na cama. A cena corta para Clarice, encostada na porta do quarto de Peter do lado de fora. Ela também chora bastante e está sentada no chão. A música vai diminuindo lentamente, até parar de tocar completamente.
Lanchonete Columbine's. Melanie e Erik estão sentados em uma mesa.
Mel
olha tudo com um sorriso não muito amigável no rosto.
Tangled
(Maroon 5)
Mel: Alguém já avisou pro dono desse lugar que essa decoração e esse nome são ridículos? (espantada) Meu Deus, é podre!
Erik: Hey, calma. Eu só te trouxe aqui por que é o melhor lugar de Columbine para encontros.
Mel: Eu já falei que isso não é um encontro. Somos apenas dois amigos saindo para se divertir.
Erik: Okay, eu já entendi. Agora se anima que com o tempo você se acostuma com a decoração daqui.
Mel: Essa decoração é tosca! vou até aconselhar a Elisha a fazer uma matéria sobre isso... Quem sabe assim o dono se toca!
Erik faz uma cara de quem lembra algo.
Erik: (batendo na testa) Caraca, esqueci da entrevista com a Elisha... Ela deve ter me esperado muito. Droga! Desculpa, Mel... Eu vou ter que sair, mas já volto.
Erik se levanta e sai da lanchonete. Melanie observa tudo sem entender.
Mel: (alto e para Erik) Hey, volta aqui. (baixo para si mesma) Droga, fui me fazer de difícil, me ferrei. (resmungando) É, Mel... Mais uma noite sozinha pensando no Steve e naquela droga de colégio!
Sala
da casa de Elisha. Ela está digitando algo no computador. A câmera filma o
monitor. É possível ler no monitor: "Erik é o típico garoto popular:
idiota, malvado, burro e atleta". A campainha toca e Elisha continua no computador. A
campainha toca mais uma vez e ela se levanta, indo até a porta. Ela a abre e
vemos Erik,
que está visivelmente cansado.
Tangled
(Maroon 5) - Cont.
Erik: (ofegante) Antes de me xingar, me ouve... Eu tava no Columbine's com uma amiga e saí de lá porque lembrei que eu te dei um bolo. Não fiz isso por mal... Só aconteceu! Agora eu tô aqui todo suado, depois de ter corrido muito para te dar uma entrevista.
Elisha: (relutante) Eu poderia até te perdoar por você ter me dado o bolo se tivesse acontecido alguma coisa séria, mas não.... Porque até onde eu sei, você tava no ginásio comemorando com a Keri por ela ter entrado para a equipe das líderes de torcida.
Erik: Me desculpa, ok? Eu sei que o meu motivo não justifica eu ter deixado de ir à entrevista, mas tô aqui e é isso que importa.
Elisha: Tá bom, vou te desculpar só dessa vez, mas só porque eu realmente preciso de você. Entra aí.
Erik entra e Elisha fecha a porta. Ela vai até o computador e apaga o que escreveu. Ela desliga o monitor e se senta no sofá ao lado de Erik. Eles começam a conversar, mas a música encobre o que eles dizem.
Tela Preta. Não é possível ver nada e nenhuma música toca.
Mel: (em off) Sabe aqueles dias estranhos onde tudo acontece de forma natural e ao mesmo tempo estranha? É... Estamos vivenciando dias assim!
Aos poucos a tela começa a clarear e uma música tocar.
Times
Like These (Jack Johson) => Até o final do episódio.
Quarto de Keri. Ela e Tom estão sentados na cama, vendo uma revista e rindo muito. Após um tempo, eles se levantam e ela indica um lugar da casa para Tom, que segue o caminho. Enquanto isso, ela volta para o seu quarto e remexe na mochila dele. Ela acha a agenda dele e a abre rapidamente. Ela está lendo algo, mas ouve um barulho, joga a agenda embaixo da cama e fecha a mochila rapidamente. Tom entra no quarto e Keri sorri para ele.
Keri: (em off) Dias como o de hoje, em que fazemos a coisa errada para garantir a nossa felicidade, por mais que isso possa estragar uma possível amizade...
Porta da casa de Elisha. Ela está se despedindo de Erik que a
beija repentinamente. Ela
retribui o beijo, mas depois de um tempo o afasta, dando-lhe um tapa na cara. Erik a olha sem entender
e vai embora chateado. Elisha fecha a porta e fica olhando para o nada durante alguns
segundos. Logo, ela sorri, aparentando estar feliz.
Elisha: (em off) Dias em que o amor aparece na nossa porta e o medo faz com que não desfrutemos dele...
Exterior da casa de
Peter. Está de dia e Clarice está botando as malas num táxi que está parado em frente à casa.
Peter a observa da janela de seu quarto. Ele sai do quarto e desce as escadas correndo.
Quando a mãe já está entrando no táxi, Peter vai até ela, que percebendo sua presença,
não
entra no táxi. Peter abraça a mãe.
Peter: (em off) Dias em que pessoas que amamos nos magoam e vão embora. No entanto, não conseguimos deixá-la ir sem dizer adeus...
Quarto de Erik. Ele está em deitado na cama com uma expressão pensativa e chorando. Ele está abraçado a um travesseiro e o
joga no
armário que está de frente a ele. Ele começa a chorar mais.
Erik: (em off) Dias em que tomamos coragem para desfrutar do amor, mas as coisas não saem como esperávamos...
Ginásio do Columbine High School. Erik está se
aquecendo, quando Keri aparece e lhe entrega a agenda de Tom. Ela aparenta estar
receosa, mas entrega a agenda. Erik a abraça e ela vai embora apressada.
Keri: (em off) Dias onde mesmo sabendo que estamos errando, não conseguimos fazer o que é correto...
Jardim do Columbine High School.
Mel
e Tom estão sentados num banco, conversando. Os dois parecem
estar se entendendo.
Mel: (em off) Dias em que damos uma chance àquela pessoa que parecia ser chata e ela se mostra razoável...
Ginásio do Columbine High School. Keri, Ashley
e as demais líderes de torcida ensaiam, enquanto os jogadores treinam. Entre eles
está Erik, que faz um ponto e vibra. Tom aparece no ginásio e chama por Erik, mas
não ouvimos o chamado. Erik vai a sua direção e eles conversam, mas a
conversa é inaudível.
A expressão na cara de Erik é de fúria e ele empurra Tom, que cai no chão.
Enquanto todos riem, Keri olha chocada para cena e caminha em direção a ele na
intenção de ajudá-lo, mas desiste no meio do caminho. Tom olha a garota e fica
triste. Ele se levanta e se retira do ginásio.
Tom: (em off) Dias em que tentamos corrigir um erro e não conseguimos. E de quebra descobrimos que aqueles que pareciam estar do nosso lado, estão do lado oposto, nos deixando ainda mais triste...
Saída do Columbine High School. Elisha vê Erik e sorri. Ela corre para
falar com ele, mas quando se aproxima, ele se encontra com Ashley e a beija.
Elisha: (em off) Dias em que tomamos coragem para viver o amor, mas o perdemos. E a culpa disso é nossa!
A câmera focaliza os dois e vemos Erik sorrir ao mostrar uma camisinha pra ela.
Mel: (em off) São dias estranhos... Definitivamente!
A tela começa a escurecer lentamente, focada na expressão triste de Elisha. A música de fundo acaba e começam os créditos.
1.02 Strange Days
Created and Written by:
Chrystiano Porto
Cast:
Jon
Foster as Thomas Anderson
Kate Mara as Melanie Cruise
Chris Marquette as Peter
Adams
Tina Majorino as
Elisha Garnes
Edwin Hodge as Erik
Johnson
Mika Boorem as Keri O'Malley
Guest Starring:
Laura
Vandervoort as Ashley Huffman
Mary-Margaret Humes as Clarice
Adams
Opening Theme:
Blue And Yellow by The Used
Soundtrack:
Photobooth - Death Cab For
Cutie
It Belongs To Me - Jennifer Lopez
Lonely Day - Phnatom Planet
Talk -
Coldplay
Tangled - Maroon 5
Times Like These - Jack Johnson
Executive Producer:
Chrystiano Porto
Produced by:
Hybrid Productions
Television Series Network
® 2006.