ARQUÉTIPOS EM XENA: PRINCESA GUERREIRA
projeto IAXS #657 - Whoosh!
Por Carolyn Bremer
Copyright © 1998 ao autor
3635 palavras

Traduzido por Chris B.



Introdução (01-02)
Uma Definição de Arquétipo (03-04)
Um Vocabulário para Propósitos de Discussão (05-10)
Xena e Gabrielle como Arquétipos (11-13)
Tratamentos dos Arquétipos (14-16)
     Protagonista (17)
     Guardiã (18-19)
     Razão/Emoção (20-23)
     Companheira/Cética (24-26)
     Contagonista (27)
     Antagonista (28-29)
     Equilíbrios Arquetípicos (30-38)
Conclusões (39-44)
Biografia



Arquétipos em Xena: Princesa Guerreira



It slices, it dices, but wait!  There's more!

Xena: Arquétipo da Guerreira.


Introdução

[1] Este artigo irá discutir personagens arquetípicos e Xena: Princesa Guerreira (XWP). Eu acho o assunto fascinante, complexo, e difícil de se tratar com clareza e precisão. Eu imagino que ao menos alguma coisa do que eu escrevi vá se encontrar com uma sobrancelha erguida ou duas. Por favor, considere isto um material não-refinado para contemplação e não como uma verdade, e tire as conclusões abaixo no espírito do ponto de vista de uma mulher. Eu lhe convido a fazer comentários.

[2] O corpo deste artigo contém quatro sub-seções. Eu irei apresentar uma definição de "arquétipo", trazer um vocabulário para propósitos de discussão, modos de discutir Xena e Gabrielle alinhadas com os arquétipos, e então trilhar um caminho mais perigoso ao oferecer algumas opiniões pessoais sobre por que certos tratamentos dos arquétipos são mais controversos que outros.

Uma Definição de Arquétipo

[3] Um arquétipo, segundo o Dicionário Webster, é "um padrão ou modelo do qual todas as coisas do mesmo tipo são representações ou cópias". É um exemplo perfeito ou um protótipo. A palavra 'arquétipo' vem do grego 'archetypos', que significa "padrão original".

[4] Seus primeiros usos, antes de se tornar parte de discussões literárias, pode estar ligado à psicologia, e especificamente a Carl Jung (1865-1961). Jung trouxe o princípio fundamental sobre os arquétipos e o inconsciente coletivo. De acordo com Jung, o inconsciente coletivo é constituído de arquétipos, os quais são imagens e imagens e padrões que são compartilhados por todos nós, algo universal e não dependente de experiência pessoal. Arquétipos e o inconsciente coletivo são herdados. Na literatura, tanto o autor quanto o leitor instintivamente compreendem essas imagens e comportamentos "familiares". Não há uma lista definitiva de arquétipos. É mais um modo de considerar qualidades e características do que um único sistema literário ou representações psicológicas vigentes.


Um Vocabulário Para Propósitos de Discussão

[5] Para este artigo, eu tomarei emprestado os arquétipos principais como foram delineados em Dramatica, escrito por Melanie Anne Phillips e Chris Huntley, é uma teoria de como as estórias funcionam. É um modo complicado e bem-pensado de definir e usar os arquétipos no drama. Por favor, tenha em mente que eu uso os arquétipos de Dramatica a princípio como um trampolim. Dramatica abrange muito mais território do que o que eu trago a esta discussão. Se você está interessado em conhecer mais sobre  Dramatica, você pode encontrar o livro completo publicado na Web. E há uma versão demo do software que acompanha o livro.

[6] De acordo com Dramatica, há oito arquétipos principais. Esses aspectos de um personagem são freqüentemente combinados em personagens complexos. Eles podem ser vistos trabalhando em pares equilibrados. Eis aqui a incrivelmente condensada versão dos arquétipos, de acordo com a Dramatica.

  1. [7] Protagonista e Antagonista - A Protagonista é a patrocinador achefe e principal dirigente da estória. A Antagonista se opõe diretamente à Protagonista e tenta impedir que esta atinja seu objetivo. Em outras palavras, a Protagonista se move na direção do sucesso, e a Antagonista se dirige a minar esse sucesso.

  2. [8] Guardiã e Contagonista - A Guardiã é uma professora e ajudante, uma protetora, e alguém que ilumina o caminho. A Guardiã desempenha sua função tanto mentalmente quanto fisicamente. A Contagonista provoca, coloca obstáculos nos caminhos, atrai a Protagonista para longe de seu objetivo, e a desvia. Guardiã e Contagonista são a consciência e a tentação.

  3. [9] Razão e Emoção - A Razão é calma, lógica, moderada, até mesmo fria ou meio desumana. A Emoção é frenética, desorganizada, dirigida pelos sentimentos, e demonstra abertamente o que sente. Elas são o intelecto e o coração.

  4. [10] Companheira e Cética - Uma Companheira é o suporte fiel de qualquer personagem, embora usualmente ela esteja incorporada à Protagonista. A Cética desacredita e se opõe à Protagonista. Elas são a confiança e a dúvida.


Xena e Gabrielle como Arquétipos

Why do I feel like breaking out into a Bing Crosby/Louis Armstrong duet?


Gabrielle e Xena pescando.


[11] Tanto Xena quanto Gabrielle são notavelmente ricas combinações desses arquétipos. O fato de estas combinações mudarem e trocarem de lugar é uma das razões pela qual as personagens são tão vividamente tridimensionais e humanas. Dependendo do episódio específico em questão, essas combinações podem indomitamente alterar os equilíbrios, mas o que se segue são as bases das personagens de Xena e Gabrielle.

[12] Xena é normalmente a Protagonista que se dirige ao objetivo da estória. Ela é normalmente a Guardiã também, normalmente de Gabrielle mas também de inocentes e vítimas. Ela é mais Razão que Emoção, mas uma é normalmente temperada pelos efeitos da outra. Ela é uma Companheira para Gabrielle e raramente uma Cética.

[13] Gabrielle é às vezes a Protagonista que dirige a estória. Ela é a Guardiã de Xena, embora normalmente muito mais sutilmente do que Xena é a de Gabrielle. Ela é ocasionalmente a relutante Contagonista. Ela é mais Emoção do que Razão, embora ela possa se transformar em Razão sempre que necessário. Gabrielle é uma verdadeira Companheira, um suporte fiel. Ela ocasionalmente representa o papel de Cética.


Tratamentos dos Arquétipos

[14] O que eu acho fascinante e instigante é que há duas Protagonistas nesta série. O que acontece raramente na literatura, e inclusive muito mais raramente na televisão. Xena e Gabrielle normalmente trocam de lugar nesse papel. Nos episódios em que há uma estória A e B, Xena é a Protagonista principal enquanto Gabrielle desempenha uma Protagonista secundária em algumas cenas. Por exemplo, em CHARIOTS OF WAR (02/102), enquanto Xena e Darius fazem manobras pela paz, Gabrielle ajuda Sphaerus a aprender os caminhos de paz e rebelião contra um pai senhor-da-guerra. Essa divisão entre duas personagens principais é relativamente rara comparada com outras séries de televisão como Star Trek: The Next Generation (1987-94), Star Trek: Deep Space Nine (1993- ), e Star Trek: Voyager (1995- ) onde o esquema do plano A e B é usado quase que exclusivamente. Essas divisões ocorrem freqüentemente na primeira temporada de XWP.

[15] Os episódios que geram as respostas mais impetuosas dos fãs, tanto positivas quanto negativas, são aqueles que alteram o equilíbrio dos arquétipos. Fãs que sentiram bastante tal 'A Ruptura' da Curva poderiam argumentar que nós estávamos diante de uma Xena e/ou Gabrielle em um arquétipo inaceitável. Outros poderiam celebrar a expansão dessas personagens para dentro de um território inexplorado/desconhecido, tornando-as mais reais e significativas.

[16] Em alguns casos, não apenas não importa quem é quem nas categorias arquetípicas, e sim o fato de que há alterações e turbilhões que tornam a série mais forte. Por exemplo, o fato de Xena e Gabrielle serem ambas Protagonistas é maravilhoso! Ambas são Guardiãs. Ambas são Companheiras. Essa é uma incrível química, sinergia e equilíbrio, que nos dá tanto prazer e confiança nelas (e conseqüentemente em nós mesmas). Elas derrotam o modelo de pensamento patriarcal prevalecente que diz que você deve tomar o lugar de alguém para conseguir alguma coisa. Xena e Gabrielle compartilham; elas não destituem. Esses arquétipos complexos e compartilhados são o porquê de XWP ser uma série única. Muitas outras séries de TV (particularmente aquelas com elencos de grupos) têm personagens claramente definidos que nunca cruzam essas fronteiras de arquétipos.


Protagonista

Gabrielle is overcome by unidentified marketplace fumes


Gabrielle desfalece nos braços do Poderoso Joxer.


[17] Quando há uma única Protagonista, é mais comum que seja Xena. Gabrielle é a Protagonista exclusiva nos episódios com menos atuação de Lucy, como em FOR HIM THE BELL TOLLS (40/216). Também é possível ver A Amizade como Protagonista. Em alguns casos, realmente é preciso das duas juntas para resolver uma crise. Exemplos disso são THE PRICE (44/220), THE GREATER GOOD (21/121), e THE BITTER SUITE (58/312). Um arquétipo não tem que ser manifestado necessariamente em um personagem, e uma plausível Protagonista na série é A Amizade entre Xena e Gabrielle.


Guardiã

[18] Normalmente, Xena é a Guardiã física e Gabrielle a Guardiã moral ou mental. Há muitos exemplos disso. Xena é a Guardiã física em ONE AGAINST AN ARMY (59/313) e THE PRICE (44/220), enquanto Gabrielle é a Guardiã moral nesses episódios. Xena inclusive diz para Gabrielle que ela é a sua "fonte" em ONE AGAINST AN ARMY, e ela é então capaz de derrotar o exército persa sozinha (uma "coisa impossível") por causa de Gabrielle.

[19] Nós tendemos a desfrutar de papéis reversos com o arquétipo Guardiã. Esses reversos vão gradualmente se desdobrando entre as personagens enquanto a série se desenvolve. Compare a inabilidade de Xena ao final da primeira temporada em DEATH IN CHAINS (09/109), quando Gabrielle se vira apra ela buscando apoio moral, e Xena fica perdida sem saber como confortar Gabrielle. Na terceira temporada, Xena é uma Guardiã natural para Gabrielle na pira funeral de Joxer em BEEN THERE, DONE THAT (48/302). Xena aprendeu o papel de Guardiã moral durante o curso da série. Também, a princípio, Gabrielle estava excluída de lutar, mas na quarta temporada Xena confia nela para derrotar César em A GOOD DAY (73/405). Esses reversos de Guardiã física/moral ocorre ainda mais freqüentemente em 'fan-fictions'*, que indicam o quanto muitos de nós gostamos desses reversos.                               * histórias criadas pelos fãs.


Razão/Emoção

[20] Tanto Xena quanto Gabrielle podem ser chamadas de Razão e Emoção. Quando Xena se deixa levar demais na Emoção (seja por sua obsessão com César ou algo imposto a ela como pelas Fúrias), porém, alguns de nós não quer vê-la ali. Ela se torna menos acreditável quando está agindo demais no lado da Emoção. Similarmente, quando Gabrielle está extremamente fria, com falta de humanidade (o arquétipo da Razão), como a vimos ser em algumas partes de A Ruptura, nossos botões são igualmente apertados. Gabrielle muito raramente visita o lado Racional.

[21] Vamos olhar par isso por outra perspectiva. Quando Gabrielle fica emocional demais, frenética, ou desorganizada, isso aperta menos botões nossos do que quando Gabrielle vai demais para o lado Racional. Eu estou pensando aqui sobre sua necessidade de salvar Esperança em MATERNAL INSTINCTS (57/311), sem ouvir à Xena, e apenas ouvindo a seu próprio coração como Mãe. Ela faria qualquer coisa para salvar sua criança. Nós aceitamos isso, acho.

[22] Xena excessivamente no caminho da Razão parece melhor do que Xena como uma personagem intensamente Emoção. É mais fácil de acreditar quando Xena vai demais para o arquétipo da Razão. Tome THE PRICE (44/220), por exemplo. Ali, Xena dissolveu toda a emoção e seguiu puramente a lógica. Não foi um grande movimento de sua parte, e isso fez Gabrielle sair do caminho verdadeiro, mas essa incursão de Xena não aborrece a maioria de nós. Embora nós não amemos isso, nós o aceitamos. Por isso, Xena como intensa Razão está bem, mas intensa Emoção não. Gabrielle trilhando a intensa Emoção está bem, mas nós não queremos ela indo para o lado da intensa Razão.

Is that a chakram in your pocket or are you just happy to see me?

Xena fica feliz de ver Gabrielle em LOST MARINER.


[23] Uma seção-cruzada de tanto Razão quanto Emoção é o que nós mais gostamos de ver (e normalmente vemos). Xena estava um pouco emocional quando pulou no navio de Cecrops [LOST MARINER (45/221)]. Aquilo foi tudo bem. Ela se lançou de um lado para o outro entre Razão e Emoção em ONE AGAINST AN ARMY (59/313), e aquilo foi tudo bem, também. Além disso, em ONE AGAINST AN ARMY, Gabrielle era a sólida rocha da Razão mas não sem o alicerce da Emoção. Gabrielle se torna a Razão na cena fofa de  A DAY IN THE LIFE (39/215) quando ela estava tentando decidir se elas iriam atrás do senhor-da-guerra ou se iriam salvar o vilarejo do gigante (o que Xena resolveu com um ilógico cara-ou-coroa). Gabrielle se tornou a Razão em A GOOD DAY (73/405), mas equilibrou isso com Emoção. De fato, o ponto crucial - arremessar a lança no potencial assassino de Phlanagus - foi tão ambíguo (ela errou intencionalmente ou não?) que a transição da Razão (como comandante do exército) para a Emoção (chorando sobre o corpo de Phlanagus) foi sem emenda/costura. Não há um único ponto onde você possa ver a junção entre Razão e Emoção naquela cena. Foi um efeito impressionante, e ele demonstrou o quão notavelmente ricas e vibrantes essas personagens são.


Companheira/Cética

[24] Com a Companheira e a Cética, nós entramos em um território mais bravio. O papel original de Gabrielle na série era de Companheira (sidekick). Ela estava ali unicamente como suporte fiel da Princesa Guerreira. Mesmo antes do fim da primeira temporada, seu repertório de arquétipos começou a se expandir, mas a Companheira sempre permaneceu como sua base. Há poucas instâncias claras de Xena agindo como a Companheira de Gabrielle. Ela apóia a decisão de Gabrielle de entrar na ATHENS CITY ACADEMY OF THE PERFORMING BARDS (13/113) e de voltar para casa em THE PRODIGAL (18/118). (Será coincidência de que os episódios de uma só estória completa, incluindo THE XENA SCROLLS [34/210], e os episódios de menos participação de Lucy parecem ser os mais aptos a ter Xena como a Companheira?)

[25] Há alguns exemplos de Xena e Gabrielle como Céticas, mas são raros. Xena duvida da fé inquestionável de Gabrielle em Esperança durante A Ruptura. Gabrielle duvida dos motivos de Xena, achando que eles estão ligados à obsessão dela por César em WHEN IN ROME... (62/316), e ela duvida das decisões de Xena sobre tratar do homem agonizante em THE PRICE (44/220).

[26] Uma vez que se aceite que Xena e Gabrielle são suportes fiéis/confiáveis uma da outra, então está tudo bem. Tão logo esse equilíbrio seja derrubado, porém, se uma ou a outra delas desvia para terras céticas além do ponto alcançado em IS THERE A DOCTOR IN THE HOUSE (24/124), nós ficamos desconfortáveis. Assim, A Ruptura, quando elas duvidam uma dos motivos da outra e de sua própria amizade, isso se torna um ponto difícil na seqüência.


Contagonista

The tragic result of too much black leather


Thalassa é um dos finais não-resolvidos de Xena em LOCKED UP AND TIED DOWN.


[27] Na maioria das vezes, os atos passados de Xena, como Contagonistas, tentam desviá-la de seu objetivo. Um exemplo excelente disso é LOCKED UP AND TIED DOWN (75/407), onde é verdadeiramente uma invenção do seu passado que submerge para afastá-la de seu caminho. Quando Gabrielle toma o papel de Contagonista para a protagonista Xena, nós normalmente não gostamos disso. Em THE DEBT (52,53/306,307), por exemplo, Gabrielle tenta impedir Xena de matar Ming T'ien. Mesmo Renee O'Connor se sentiu compelida a pedir a seus fãs para "não ficarem com raiva de Gabrielle". Essa traição volta para atormentar a barda em FORGET ME NOT (63/317). Quando ela acredita que vai morrer em ONE AGAINST AN ARMY (59/313), ela traz isso para Xena em um esforço de colocar a questão para o resto.


Antagonista

[28] O mais inaceitável (ao que parece) é quando Xena e Gabrielle são colocadas como Protagonista e Antagonista, uma tentando minar os objetivos da outra. Nós fomos programados a nos fixar no Protagonista e contra a Antagonista, e nós entramos em um terrível enigma quando nós é solicitado a nos fixarmos contra Xena ou Gabrielle. Eu vejo exemplos menores disso mais comumente. Por exemplo, em FORGIVEN (60/314), Xena tenta "salvar" Tara, e Gabrielle apenas quer se livrar dela. Naquele cenário, Xena teve que aplicar e exercer seu papel de Guardiã com Tara. Eu acho que a idéia de Xena como protetora de Gabrielle (e vice-versa) é sacrossanto.

[29] Claro, há a cena emocionalmente carregada do "Arrastão da Gabi" em THE BITTER SUITE (58/312). Nossa zona de conforto foi completamente rompida naquela cena. Elas atacaram uma a outra, com intenção de matar, e nós não sabemos o que desejar ou em quem nos fixar. Os escritores jogaram com nossos instintos arquetípicos de bem x mal, de Antagonista x Protagonista, mas não fizeram esforço para proclamar quem era qual. Em um certo sentido, eles nos deram duas Antagonistas. No mínimo, eles nos ofrçaram a considerar complicadas emoções humanas de uma maneira raramente vista na televisão. Com o princípio fundamental de uma amizade multi-facetada no lugar, ainda que seja uma altamente comprimida pelos eventos de A Ruptura, nós fomos levados para fora da regra naquela cena, privada dos arquétipos convencional de Xena e Gabrielle, e imersas em um grupo de ações e reações distintamente diferentes do que nós tivemos visto antes em suas personagens. Tudo isso aconteceu no contexto de uma cena devastadamente emocional. Foi um enorme risco a tomar. O sucesso da cena ainda está sendo debatido, assim como seus motivos e significados.


Equilíbrios Arquetípicos

[30] O que se segue é um pequeno rabisco dos arquétipos nos "padrões" costumeiros da série.

[31] Protagonista: São Xena e Gabrielle em qualquer combinação, mas preferivelmente lado a lado. A Amizade também pode ser considerada uma Protagonista.

[32] Antagonista: Nunca Xena nem Gabrielle.

[33] Guardiã: Pode ser Xena e Gabrielle em qualquer combinação. Normalmente é Xena como Guardiã física e Gabrielle como o compasso moral, mas nós amamos quando há reversos disso.

[34] Contagonista: Xena e Gabrielle raramente são populares como Contagonistas, mas há exceções aceitáveis, especificamente quando a Protagonista está desencaminhada/desorientada. Um exemplo é Gabrielle como Contagonista para a Protagonista Xena em THE PRICE (44/220).

[35] Razão: Tanto Xena quanto Gabrielle usam a Razão, mas Xena mais intensamente e mais freqüentemente que Gabrielle.

[36] Emoção: Tanto Xena quanto Gabrielle usam a Emoção, mas Gabrielle mais intensamente e mais freqüentemente que Xena.

[37] Companheira: Originalmente, Gabrielle era a Companheira de Xena, mas A Amizade se desenvolveu, então esse papel se tornou mais equilibrado entre Xena e Gabrielle.

[38] Cética: Nunca Xena nem Gabrielle.


Conclusão

[39] As personagens representam muitos arquétipos, e nós podemos nos fixar nelas em diferentes aspectos de episódio a episódio. Isso é rico, recompensador, e é um barômetro para a vida real. Tanto Xena quanto Gabrielle podem portar cinco dos oito arquétipos em questão: Protagonista, Guardiã, Razão, Emoção, e Companheira. A incursão ocasional em Contagonista pode ocorrer quando a situação o garante. Nós aceitamos razões para essa deflexão em THE PRICE (44/220). Dois dos arquétipos são o botão-da-campainha. Quando Xena ou Gabrielle se tornam a Cética ou a Antagonista, isso é mais difícil de se justificar. Parece melhor (dada a escolha) ter uma Xena ou Gabrielle como Cética em vez de Antagonista. Nós levamos mais tempo para aceitar Xena e Gabrielle opondo diretamente uma à outra do que termos uma tentando desviar a outra de seu caminho.

C'mon Xena, try the eye liner.  You know you want to!

Xena e Alti compartilham um momento em Adventures in the Sin Trade 2.


[40] Às vezes esses arquétipos ficam muito complicados. ADVENTURES IN THE SIN TRADE (69,70/401,402) tem uma ex-Xena como Antagonista a uma atual-Xena como Protagonista, uma ex-Guardiã de Alti e uma atual-Antagonista de Alti, e uma ex-Contagonista e atual-Companheira das Amazonas. Foi um episódio confuso dessa forma, e o que estava faltando era a clara presença de Gabrielle em qualquer um dos papéis arquetípicos. Algumas pessoas pensaram que a diversidade/mudança foi efetiva, enquanto outras sentiram falta da força unificante da amizade de Xena e Gabrielle. Este é um episódio onde, para alguns, os arquétipos foram puxados e empurrados para longe.

[41] Onde Joxer se encaixa nisso tudo? Os arquétipos dele são muito mais difíceis para se determinar. De acordo com os escritores de Dramatica, é raro para um único arquétipo aparecer em mais de uma personagem ao mesmo tempo. Se Gabrielle é a companheira, então isso omite Joxer desse papel. Se Gabrielle é a Contagonista, cometendo erros que desviam e atraem para fora do objetivo [THE QUILL IS MIGHTIER...(56/310)], então isso desloca Joxer desse papel. Joxer certamente não é Antagonista ou Cético. Ele nunca trabalhou contra Xena e Gabrielle, e ele nunca duvidou delas. Ele não é um Guardião porque os escritores não lhe deram as ferramentas mentais ou físicas para preencher esse arquétipo. Xena e Gabrielle têm Emoção e Razão cobertas, então Joxer normalmente não entra nessa equação. Nesse tipo de análise arquetípica, ele é apenas uma espécie de... extra.

[42] Quando percebemos Joxer tanto quanto Contagonista ou Antagonista a A Amizade, particularmente quando A Amizade é vista no papel do Protagonista, ele está "no caminho". É particularmente difícil para aqueles que vêem o suporte principal do drama como o relacionamento entre Xena e Gabrielle verem Joxer colocado como Antagonista a esse relacionamento. Joxer não irá aborrecer a aqueles que não compartilham da opinião de que A Amizade é a Protagonista porque eles não conseguem ver ele agindo como Antagonista a algo que eles sequer percebem. Isso pode estar bem onde os dois campos delimitam suas fronteiras. É A Amizade um arquétipo? Joxer se torna o Contagonista a A Amizade, afastando Gabrielle de Xena?

[43] Quando a série desvia para essas "inaceitáveis" categorias, nó ouvimos muito mais vozes negativas no domínio dos fãs. Muitos de nós nunca quer ver Xena e/ou Gabrielle como Antagonista ou Cética. Alguns podem tolerar isso melhor, talvez porque eles são espécies otimistas que podem dar um passo atrás e ver o esquema inteiro como um arco completo, o qual tem Xena e Gabrielle caminhando para o pôr-do-sol juntas.

[44] O aspecto refrescante desta análise é a vasta variedade de arquétipos com que essas personagens são saboreadas. Isso as torna mais como nós, dando-lhes uma realidade (parecida com a vida) que emerge do anacronismo exagerado que a série aparenta. Nós temos uma peculiar sopa de realismo e verdade e uma paleta colorida para análise e interpretação que significa algo para nós pessoalmente.


Biografia

Carolyn Bremer Carolyn Bremer
Carolyn Bremer é uma compositora de músicas discutíveis, experimentais e políticas, e chefe de um programa de composição da Universidade de Oklahoma.
Episódio Favorito: A DAY IN THE LIFE (39/215)
Frase favorita: Escolher apenas uma superabundância de merecedoras candidatas é absolutamente impossível.
Primeiro episódio que viu: A DAY IN THE LIFE (39/215)
Episódio que menos gosta: FOR HIM THE BELL TOLLS (40/216) E eu realmente espero não dar de cara com um desajeitado Joxer na quarta temporada.


Bremer escreveu previamente para a Whoosh!:

"Anachronism Be Damned: A XWP Historiography. Part I: Timetable And Overview", Whoosh! #26 (9811)
"Anachronism Be Damned: A XWP Historiography. Part II: The Intersection Of Myth And History", Whoosh! #27 (9812)
"Anachronism Be Damned: A XWP Historiography. Part III: The Ancient Greek Arts", Whoosh! #29 (9902)
"Duality and Completeness: An Analysis of the Xena: Warrior Princess Theme Music", Whoosh! #20 (9805)

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