6.
RDSI
Até a década de 60, a Rede Telefônica Pública Comutada (RTPC) era totalmente analógica: centrais de comutação, entroncamentos de transmissão entre centrais de comutação, rede de acesso ao assinante e aparelhos terminais de assinante.
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O primeiro passo rumo a digitalização foi dado no entroncamento de transmissão. O desenvolvimento dos sistemas de transmissão, utilizando a técnica PCM (Pulse Code Modulation), foi substituindo os cabos troncos analógicos gradualmente, cedendo lugar à transmissão digital:
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O próximo passo aconteceu durante a década de 70, com o surgimento das CPAs (Centrais por Programa Armazenado). As CPAs, com tecnologia digital, substituíram as centrais analógicas do tipo crossbar e passo a passo.. No Brasil, a digitalização da comutação deu-se à partir da década de 80 e a primeira CPA foi instalada em São Paulo, na Vila Mariana.
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Este é o estado de digitalização em que se encontra a maior parte da RTPC brasileira. Temos uma rede de comutação e transmissão digitalizada, mas o acesso até o assinante continua analógico. Algumas operadoras já deram mais um passo e estão comercializando o serviço RDSI - Rede Digital de Serviços Integrados – onde o acesso também é digital. Além da melhoria da qualidade da comunicação proporcionada pelos meios digitais, vários novos serviços puderam ser agregados ao serviço de telefonia convencional, daí o título de rede digital de serviços integrados.
6.1.
INTRODUÇÃO A RDSI
A RDSI foi desenvolvida na década de 70, após a CPA e o PCM, e tinha os
seguintes pontos:
·
Agregar
serviços às redes já digitalizadas;
·
Prover
conexão digital fim a fim;
·
Suportar
serviços de voz, dados e imagens;
·
Padronizar
um número limitado de interfaces.
Vários
serviços foram disponibilizados, como:
·
Número
Múltiplo de Usuários;
·
Identificação
do Número Chamador;
·
Linha
Direta;
·
Conferência;
A padronização funcional definiu interfaces e equipamentos padrões que permitem diversos fabricantes desenvolverem seus produtos RDSI.
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ET1
– Equipamento Terminal compatível com a RDSI;
ET2
– Equipamento Terminal não compatível com a RDSI (tel. comum);
AT
– Adaptador de Terminal para compatibilizar um ET2 com a RDSI;
TR2
– Terminação de Rede de usuário (comutação/concentração local);
TR1
– Terminação de Rede na linha de assinante (modem de usuário);
TL
–
Terminação de Linha na estação (modem de central);
TC – Terminação de Central (distribuída na central telefônica).
6.2. INTERFACES PADRONIZADAS
Além dos componentes apresentados no ítem anterior, existe os pontos de referência, ou interfaces padronizadas, denominadas R, S, T e U.
O ponto
de referência R
é a interface entre o Adaptador de Terminais (AT) e o Equipamento Terminal
Comum (ET2).
O ponto de referência S
é a interface a 4 fios, usada entre o Adaptador de Terminais (AT) e a Terminação
de Rede de usuário (TR2), ou entre um Equipamento Terminal RDSI (ET1) e uma
Terminação de Rede de usuário (TR2).
O ponto de referência T
é a interface a 4 fios, usada entre a Terminação de Rede de usuário (TR2) e
a Terminação de Rede de linha de assinante (TR1).
O ponto de referência U
é a interface a 2 fios da linha de assinante.
O ponto de referência V é a interface entre a Terminação de Linha da estação (TL) e a Terminação de Central (TC).
6.3.
ACESSO BÁSICO
O acesso básico, também conhecido com BRI – Basic Rate Interface, é uma categoria de acesso da RDSI, que define duas linhas digitais em um único par fios, além de um canal de sinalização.
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No
acesso básico, a interface R é um acesso analógico a 2 fios, com 4KHz da
banda de fonia. A ela se conectam aparelhos telefônicos tradicionais, aparelhos
de fax analógicos e modems analógicos.
Já a interface digital S é uma interface a 4 ou 8 fios, com velocidade de 192Kbps. São 4.000 pacotes de 48 bits transmitidos por segundo. A interface S é um barramento RDSI do usuário. Nele é possível conectar até 8 terminais com números distintos, sendo que somente 2 terminais podem falar simultaneamente.
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A interface T não existe fisicamente, pois as implementações atuais de
Terminações de Rede para RDSI – acesso básico, fundiram o TR1 e o TR2 em um
único equipamento, conhecido por TR (em inglês, NT - Network Terminal).
A interface U é a interface física da linha de assinante. Transporta os dados
à velocidade de 160Kbps:
·
2
x 64Kbps (canais B - linhas telefônicas digitais),
·
1
x 16Kbps (canal D - sinalização),
·
1
x 8Kbps (canal de manutenção e controle) e
·
1
x 8Kbps (canal de sincronismo de quadro).
A
interface V também não existe fisicamente para o acesso básico, sendo apenas
acadêmica. Os componentes TL e TC estão implementados na placa de assinante,
muitas vezes em um mesmo chip.
Na
interface U, a velocidade é de 160Kbps, mas a banda de transmissão é de
80KHz, devido à codificação 2B1Q (2 Binários / 1 Quaternário).
O acesso básico RDSI é também denominado de acesso RDSI Faixa Estreita, ou simplesmente RDSI – FE.
6.4.
ACESSO PRIMÁRIO
O acesso primário, também conhecido com PRI – Primary Rate Interface, é uma categoria de acesso da RDSI-FL, ou Faixa Larga. O padrão ITU-T (americano) define 23 linhas digitais (canais B) e 1 canal de sinalização (canal D) em 2 pares de fios, totalizando uma taxa de transmissão de 1.544Mbps. Já o padrão ETSI (europeu), define 30 linhas digitais e 1 canal de controle (30B+D), totalizando a taxa de 2.048Mbps, também sobre 2 pares de fios. O Brasil adotou o padrão europeu.
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O
acesso primário, no padrão ETSI, leva 30 linhas digitais de 64Kbps e um canal
de controle, também de 64Kbps, até o assinante. Este sinal obedece a recomendação
G704, que transporta 31 canais digitais de 64Kbps (30 canais B + 1 canal D) e
utiliza 1 canal de 64Kbps para alarme e sincronismo. O padrão G704 totaliza 32
canais de 64Kbps, ou 2.048Kbps, ou ainda 2Mbps e é conhecido como canal E1
estruturado.
A conexão entre a central telefônica e o assinante dá-se através de modems
especiais, capazes de transmitir dados a 2Mbps. Esses modems são,
respectivamente, o TL e o TR1. A tecnologia utilizada por estes modems é
conhecida por HDSL – High bit rate Digital Subscriber Line. Estes modems, além
empregam a técnica de codificação 2B1Q (2 Binários / 1 Quaternário) ou CAP
(Carrierless Amplitude Phase Modulation - 64). Independentemente da técnica de
codificação, a taxa de transmissão em cada um dos pares é de 1.168Kbps full
duplex.
Portanto,
na interface física U, a velocidade de transmissão é de 2Mbps e a banda de
transmissão é de 584KHz devido à codificação.
6.5.
PARÂMETROS DE TESTE DA REDE METÁLICA
O acesso RDSI foi desenvolvido exclusivamente para operar sobre a rede metálica
convencional, substituindo linha telefônica analógica tradicional por um serviço
digital de valor agregado. Portanto, a viabilidade dos acessos RDSI – BRI ou
PRI – dependente totalmente das condições da rede metálica. Para que o
serviço possa ser vendido para o cliente, o setor comercial necessita saber
antecipadamente se a rede que atende o cliente, está apta para suportar o serviço.
Para responder ao setor comercial, o setor técnico efetua estudos teóricos da
rede e compara com os parâmetros exigidos pelo serviço que está sendo
contratado. No momento da instalação ou, às vezes, do estudo, são executados
testes práticos que garantem a qualidade do serviço.
6.5.1. PARÂMETROS
PARA O ACESSO BÁSICO – RDSI BRI
|
Freqüência
de Referência |
40KHz |
|
Resistência
CC de enlace máxima |
1300W |
|
Perda
de inserção máxima, medida em 40KHz |
42dB |
|
Perda
de retorno mínima a 40KHz e 135W |
16dB |
|
Desbalanceamento
mínimo na faixa de 4 a 160KHz |
55dB |
|
Atenuação
mínima de paradiafonia (NEXT) |
67dB |
6.5.2. PARÂMETROS
PARA O ACESSO PRIMÁRIO – RDSI PRI (HDSL)
|
Freqüência
de Referência |
150KHz |
|
Resistência
CC de enlace máxima |
700W |
|
Perda
de inserção máxima, medida em 150KHz |
30dB |
|
Perda
de retorno mínima a 150KHz e 135W |
16dB |
|
Desbalanceamento
mínimo em 150KHz |
42dB |
|
Atenuação
mínima de paradiafonia (NEXT) |
60dB |
6.5.3. EFEITOS
DO PARALELISMO SOBRE OS ACESSOS RDSI
Para o cálculo teórico da atenuação, é preciso também considerar as perdas
provocadas por paralelismo na rede. O cálculo da perda provocada pelos
paralelos é complexo e é mais facilmente obtido através de curvas de perdas
por comprimento do paralelo/bitola do cabo.
As perdas dependem do comprimento do paralelo, da bitola do paralelo e da freqüência do sinal que será transmitido pelo par.
6.6.
APLICAÇÕES PARA A RDSI
A
tecnologia da RDSI vem a atender a necessidade de aumento de banda de transmissão,
melhorar a qualidade da conexão, disponibilizar serviços de valor agregado,
entre outras facilidades que ela implementa. A padronização desta tecnologia,
oriunda da recomendação IEEE802-9.
6.6.1. APLICAÇÕES
PARA O ACESSO BÁSICO – RDSI BRI
A
primeira aplicação que vem a mente quando se fala em RDSI, é o acesso à rede
internet. Quando o usuário está conectado à rede internet, sua linha telefônica
permanece ocupada, não sendo possível originar ou receber uma chamada telefônica.
Outro inconveniente desta conexão é a qualidade, pois ela utiliza a modulação
analógica, normalmente limitada a 56Kbps sob excelentes condições de linha
telefônica.
O
acesso básico disponibiliza duas
linhas telefônicas digitais através do mesmo, e único, par de fios que
atende a linha analógica. Entre outras tantas facilidades que o serviço
proporciona, está a possibilidade de se dedicar uma linha para as conexões à
internet e a outra para originar ou receber ligações telefônicas,
simultaneamente aos acessos à internet.
Outra
vantagem é a qualidade da conexão, que agora é digital a 64Kbps. Ainda há
outra vantagem: é possível utilizar os 64Kbps da outra linha para compor uma
velocidade total de 128Kbps no acesso da internet. Se durante este período
houver uma chamada telefônica, o usuário pode optar por reduzir a velocidade
da conexão para 64Kbps, sem desligá-la, e atender a ligação telefônica pela
outra linha.
Serviços de videofonia, transmissão de fotos e aplicações interativas são algumas das aplicações possíveis entre dois terminais RDSI – acesso básico.
6.6.2. APLICAÇÕES
PARA O ACESSO PRIMÁRIO – RDSI PRI
A principal aplicação para o acesso primário é a digitalização
de PABX. Uma variação muito semelhante a este tipo de atendimento, é o acesso
digital à rede de telefonia pública dos provedores de acesso internet. Nesta
modalidade de atendimento, é possível fornecer 30 linhas digitais, a 64Kbps,
através de 2 pares telefônicos. Além da qualidade das conexões digitais,
temos a simplificação da rede, que normalmente utilizaria 30 pares para levar
estas linhas analógicas. Também no ambiente do usuário as instalações ficam
bastante simplificadas.
O acesso digital primário a 2Mbps, permite a instalação do serviço
DDR – Discagem Direta a Ramal – nos clientes que necessitam de grandes
quantidades de linhas telefônicas. Este serviço permite que qualquer assinante
possa chamar diretamente os ramais internos, como se eles fossem linhas telefônicas
individuais comuns.
O acesso a 2Mbps é transportado pela rede metálica, através de modems que utilizam a tecnologia xDSL, mais precisamente HDSL, capazes de transmitir 2Mbps em ambas as direções.
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