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 3.               CARACTERÍSTICAS ELÉTRICAS DE CABOS METÁLICOS 

 

As redes telefônicas são constituídas basicamente por cabos telefônicos, fios telefônicos e dispositivos associados a estes elementos. É fundamental conhecer as características físicas e elétricas dos fios condutores, que se constituem nos elementos básicos de composição do cabo, cujas características e parâmetros associados determinam diretamente a qualidade da transmissão dos sinais.

Vamos descrever rapidamente os principais parâmetros e sua nomenclatura. 

 

3.1.     PARÂMETROS ELÉTRICOS DE UM CONDUTOR

A Resistência (R), ou a resistência de corrente contínua, resistência de enlace, resistência de “loop”, ou ainda resistência ôhmica é a parte real da impedância e representa a resistência à passagem da corrente contínua. É medida em Ohms [W].

A Indutância (L) é a propriedade de um circuito em fazer oposição à qualquer mudança na circulação da corrente. É a propriedade de um circuito em desenvolver uma força contra-eletromotriz, quando uma corrente variável circula pelo circuito. É medida em Henries [H].

A Condutância (G) é a capacidade de conduzir a eletricidade num circuito de corrente contínua. É o inverso da resistência. Medida em Mhos.

A Capacitância (C) é a propriedade que dois condutores, separados por um dielétrico isolante, têm de armazenar cargas elétricas. A unidade básica é o Farad [F].

A Reatância (X) é a oposição à circulação da corrente alternada devido aos efeitos da indutância e capacitância do circuito. Também é medida em Ohms [W].

A Impedância (Z) é a oposição total de um circuito à passagem tanto para o sinal alternado como para o contínuo. É a resultante da soma da resistência e da reatância do circuito. É medida em Ohms [W].

 

3.2.     CIRCUITOS SIMÉTRICOS

Os circuitos utilizados para transmissão de sinais em uma linha telefônica são formados por dois condutores idênticos, formando um par. Em telefonia, denominam-se os condutores do par por fio a e fio b.

Denominamos de circuito simétrico a um par de fios de mesmas características físicas e elétricas (comprimento, bitola, resistência, isolação, etc.).

Os circuitos bifilares, que são circuitos simétricos, são caracterizados pelos seus parâmetros distribuídos (por unidade de comprimento). No caso dos cabos telefônicos, estes parâmetros são apresentados em suas respectivas unidades por quilômetro de cabo.

 

3.3.     RESISTÊNCIA ELÉTRICA DE UM CONDUTOR

A resistência elétrica de um fio está associada ao material condutor r, ao comprimento L do condutor e à área de condução S:

R = r ( L / S)   [W]

Para o caso dos cabos de telefonia, o fabricante do cabo fornece o valor da resistência do condutor por quilômetro de cabo, em função da bitola do cabo. Os valores típicos para Corrente Contínua / canal de fonia são: 

 

BITOLA # (mm)

0,40

0,50

0,65

0,90

Resistência (W/Km)

140

90

54

28

Para corrente alternada, a resistência sofre um aumento, devido a outros fatores inerentes à construção do cabo:

-         Efeito pelicular: quando a freqüência do sinal aumenta, aumenta a repulsão entre as cargas elétricas no interior do condutor, provocando a migração da corrente elétrica para a superfície do condutor. Este efeito pelicular reduz a área útil que conduz a corrente, provocando o aumento da resistência de condução.

 

 

 

-         Efeito da proximidade: entre dois condutores (a e b) submetidos a uma DDP, surge uma força elétrica entre as cargas elétricas presentes nos condutores. Na figura da esquerda, existe uma força de repulsão, empurrando as cargas de mesmo sinal para as superfícies opostas dos condutores. Já na figura da direita, ocorre a força de atração entre as cargas opostas. Consequentemente a área útil de condução reduz-se ainda mais, aumentando a resistência de condução.

 

 -         Efeito de indução: a corrente circulando pelos condutores a e b em sentido oposto, provoca o aparecimento uma força magnética de repulsão, que também provocará o aumento da resistência do condutor.

 

 

 

 

 

Resistência no cabo 0,40 de plástico rígido

Freqüência (KHz)

Resistência (W/Km)

Até 20

140

100

145

150

151

200

158

300

175

500

209

700

240

1000

283


3.4.     CONDUTÂNCIA ENTRE FIOS

A condutância representa as perdas que se tem fora dos condutores, através do dielétrico. Ela é composta das perdas através da resistência de isolação do dielétrico e da capacitância distribuída ao longo do cabo. Quanto maior a freqüência, maior tende a ser a perda pelo dielétrico.

 

 

 

 A resistência de isolação depende do material utilizado como isolante dos condutores e da distância entre eles. A capacitância também depende destes fatores, além do comprimento do cabo. Os condutores correndo paralelos constituem um capacitor.

A condutância para os cabos com isolante de papel aumenta com o aumento da freqüência.

A condutância para os cabos com isolante de PVC diminui com o aumento da freqüência. Os cabos com isolação de PVC mais empregados em instalações internas.

Os cabos com isolante de polietileno (plástico sólido e plástico expandido) apresentam condutância constante e de valor muito menor que os cabos anteriores.

 

 

 

 

 

 

 

 

Podemos concluir que quanto menor é a condutância, menor serão as perdas e também, melhor será o cabo.


3.5.     CAPACITÂNCIA ENTRE FIOS

Dois condutores de área “A”, separados a uma distância “d” e isolados por um material de constante dielétrica e, constituem um capacitor:

C = e(A / d)  [F]

No caso dos pares telefônicos, a e b, surgirá também um capacitor cujas placas serão formadas pelas áreas externas dos condutores a e b. Quanto maior o comprimento do cabo, maior será a área externa do condutor e também sua capacitância. 

O valor típico de capacitância para o papel e polietileno é 50nF/Km. Já o PVC apresenta capacitância da ordem de 120nF/Km.

 

3.6.     INDUTÂNCIA ENTRE FIOS

Quando um circuito é percorrido por uma corrente elétrica variável, ele produz um fluxo magnético fcapaz de induzir uma corrente em outro condutor nas imediações (Lei de Lenz).

  f  =  B.A. cos a      [Wb] 

A corrente do circuito determina o valor do vetor indução magnética B e a área externa do condutor ao longo do comprimento do cabo, determina a área A. O ângulo a é determinado pelo ângulo entre os condutores em questão. Note que para condutores paralelos, o ângulo vale “0” e o coseno vale “1”, implicando no máximo fluxo devido à geometria. Para reduzir a indução, os pares são trançados, provocando uma alternância no sentido do vetor B ao longo do cabo, de forma que a resultante de B tende a ser nula. 

 

 

3.7.     IMPEDÂNCIA

A impedância característica (Zo) de uma linha de transmissão é a impedância de uma linha, de comprimento supostamente infinito, e é dada pela relação entre a tensão e a corrente de pico na linha.

A impedância de uma linha não depende de seu comprimento, mas dos detalhes construtivos e da constituição da mesma.

A impedância da linha varia com a freqüência do sinal aplicado.

 

Aplicação

Freqüência

Impedância

Voz

1KHz

950W

Dados

> 80KHz

135W

 

3.8.     CIRCUITO BALANCEADO 

Um circuito balanceado é um circuito de dois condutores, no qual ambos os condutores apresentam a mesma impedância em relação ao potencial terra.

O balanceamento faz com que o ruído na linha seja igual nos dois condutores, de forma que eles se cancelem na carga. Se um dos fios possuir uma impedância para o potencial de terra menor que a do outro, surgirá um corrente de fuga para o terra e uma tensão parasita sobre a linha, maior que a gerada pelo ruído na outra linha. Assim, a diferença da amplitude do sinal induzido pelo ruído no final da linha aumenta.

 

3.9.     ATENUAÇÃO

A atenuação representa as perdas na linha devido à resistência e à condutância. As perdas ôhmicas são as preponderantes. Quanto mais longa e menor o diâmetro da linha, maior a atenuação. A atenuação aumenta com o aumento da freqüência.

Na figura abaixo, representamos os valores típicos de atenuação para cabos com isolamento plástico, em função da freqüência e da bitola do cabo.


 

 O tipo de isolamento dos pares no interior do cabo também interfere na atenuação. Nas tabelas apresentadas na página seguinte, pode ser observado que a atenuação introduzida por cabos de isolamento de papel é maior que a dos cabos de plástico.

Vejamos alguns valores típicos de atenuação, em dB/Km, para cabos de polietileno rígido (plástico):

Freqüência (KHz)

0,90mm

0,65mm

0,50mm

0,40mm

2,5

1.0

1.7

2.2

2.8

10

1.9

3.0

4.1

5.4

30

2.1

3.8

5.8

8.3

40

2.3

4.0

6.2

9.0

50

2.5

4.2

6.4

9.5

100

3.4

5.1

7.3

11.0

150

4.2

6.1

8.2

11.9

200

4.9

6.9

9.0

12.6

300

6.1

8.5

10.7

14.3

500

8.1

11.2

13.7

17.5

1000

11.6

16.2

19.6

24.8

 

Vejamos alguns valores típicos de atenuação, em dB/Km, para cabos de isolamento de papel:

Freqüência (KHz)

0,90mm

0,65mm

0,50mm

0,40mm

2,5

1.0

1.7

2.2

2.8

10

1.9

3.1

4.1

5.4

30

2.4

4.2

6.2

8.3

40

2.6

4.5

6.5

9.2

50

2.8

4.7

6.8

9.8

100

3.8

5.7

7.9

11.4

150

4.8

6.7

8.9

12.5

200

5.7

7.8

9.9

13.5

300

7.3

9.8

12.0

15.5

500

9.8

13.2

16.1

19.8

1000

14.6

19.8

24.3

29.4

 

3.10.   dB e  dBm:

Em telecomunicações, a medida denominada decibel é muito utilizada. O decibel é uma unidade relativa, que representa uma relação logarítmica entre dois valores lineares. A unidade principal é o Bell. Como o Bell é uma unidade muito grande, o foi adotado o submúltiplo decibel como padrão para representação dos valores de ganho e atenuação em sistemas de telecomunicações.

O ganho logarítmico de potência medido em decibel é definido como:

 G(log) = 10 log (Psaída / Pentrada [dB]

O nível da amplitude dos valores lineares pôde ser representado na escala logarítmica. Foi adotada a unidade dBm como unidade de potência relativa à potência linear de 1mW. 

 

 P(log) = 10 log (P[mW] / 1mW [dBm]

As razões para se adotar as unidades logarítmicas em telecomunicações são várias:

·        A nossa audição tem sensibilidade logarítmica das freqüências;

·        A grande variedade de magnitudes de sinais manipulados;

·        A simplicidade da matemática na escala logarítmica.

É importante salientar a correspondência entre as operações matemáticas na escala linear e na logarítmica:

·        Multiplicar na escala linear eqüivale a somar na escala logarítmica;

·        Dividir na escala linear eqüivale a subtrair na escala logarítmica;

·        Potenciar na escala linear eqüivale a multiplicar na escala logarítmica;

·        Radiciar na escala linear eqüivale a dividir na escala logarítmica;


3.11.   EXEMPLOS DE CARCTERÍSTICAS DE CABOS TELEFÔNICOS

Os fabricantes de cabos telefônicos obedecem à nomenclatura:

CTX - APL – YYCC - PPPP

 CT = Cabo Telefônico;

X = P (plástico), S (Foam Skin) ou Papel (sem letra);

APL = capa isolante e protetora externa à base de polietileno, com blindagem de alumínio;

YY = sem letra (cabo normal), AS (auto-sustentado) e G (geleado);

CC = Calibre do par (40, 50, 65, 90);

PPPP = capacidade de pares do cabo (200, 400, 600,..,2400,...).

 

CT-APL

Material de Isolamento: Papel seco e ar.

Resistência elétrica média (0,40mm): 140,2 W/Km.

Desequilíbrio resistivo: <2%.

Capacitância: 45 a 54nF.

Resistência de isolamento: 5.000 MW.Km.

Impedância característica a 1KHz: 950 W.

Atenuação a 1 KHz: 1,79 dB/Km.

Aplicação: Rede externa, cabo tronco ou primário, subterrâneo.

 

CTP-APL

Material de Isolamento: Polietileno ou polipropileno.

Resistência elétrica média (0,40mm): 140,2 W/Km.

Desequilíbrio resistivo: <2%.

Capacitância: 45 a 54nF.

Resistência de isolamento: 15.000 MW.Km.

Impedância característica a 1KHz: 950 W.

Atenuação a 1 KHz: 1,79 dB/Km.

Aplicação: Rede externa, distribuição ou secundário, subterrâneo/aéreo.


CTP-APL-AS

Material de Isolamento: Polietileno ou polipropileno.

Resistência elétrica média (0,40mm): 140,2 W/Km.

Desequilíbrio resistivo: <2%.

Capacitância: 45 a 54nF.

Resistência de isolamento: 15.000 MW.Km.

Impedância característica a 1KHz: 950 W.

Atenuação a 1 KHz: 1,79 dB/Km.

Aplicação: Rede externa, distribuição ou secundário, aéreo.

 

CTP-APL-G

Material de Isolamento: Polietileno ou polipropileno.

Resistência elétrica média (0,40mm): 140,2 W/Km.

Desequilíbrio resistivo: <2%.

Capacitância: 45 a 54nF.

Resistência de isolamento: 16.000 MW.Km.

Impedância característica a 1KHz: 950 W.

Atenuação a 1 KHz: 1,79 dB/Km.

Aplicação: Rede externa secundária, em dutos ou diretamente enterrados.

 

CTS-APL

Material de Isolamento: Polietileno expandido (Foam Skin).

Resistência elétrica média (0,40mm): 140,2 W/Km.

Desequilíbrio resistivo: <2%.

Capacitância: 50nF.

Resistência de isolamento: 15.000 MW.Km.

Impedância característica a 80 KHz: 135 W.

Aplicação: Rede externa, instalações subterrâneas em dutos.

 

CTS-APL-G

Material de Isolamento: Polietileno expandido (Foam Skin).

Resistência elétrica média (0,40mm): 140,2 W/Km.

Desequilíbrio resistivo: <2%.

Capacitância: 50nF.

Resistência de isolamento: 10.000 MW.Km.

Impedância característica a 80 KHz: 135 W.

Aplicação: Rede externa, instalações subterrâneas em dutos.

 

CCE-APL

Material de Isolamento: Polietileno ou polipropileno colorido.

Resistência elétrica média (0,50mm): 89,5W/Km.

Desequilíbrio resistivo: <1,5%.

Capacitância: 56nF.

Resistência de isolamento: 15.000 MW.Km.

Impedância característica a 1 KHz: 750 W.

Atenuação a 1 KHz: 1,43 dB/Km.

Aplicação: Conexões externas, instalação aérea ou subterrânea em dutos.

 

CI

Material de Isolamento: Polietileno ou polipropileno cinza.

Resistência elétrica média (0,50mm): 97,8W/Km.

Capacitância: 120nF.

Resistência de isolamento: 600 MW.Km.

Impedância característica a 1 KHz: 750 W.

Atenuação a 1 KHz: 1,43 dB/Km.

Aplicação: Uso interno em centrais telefônicas e prédios, PABX, KS, PBX.

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