1. A REDE TELEFÔNICA
1.1.
SISTEMA TELEFÔNICO
Existem
vários tipos de redes que prestam serviços de comunicações: redes de TV a
cabo, redes de radiodifusão, redes de comunicação de dados, redes de
telefonia móvel celular, redes de telefonia fixa sem fio, redes de telefonia
fixa, etc...
A
rede
telefônica fixa, muitas vezes citada como Rede de Telefonia Pública
Comutada (RTPC), existe desde o começo do século XX. Um sistema de telefonia
fixa é constituído por centrais de comutação telefônica, terminais de serviço
telefônico, rede de cabos de interligação entre os assinantes do serviço de
telefonia pública e a central pública de comutação telefônica e por
entroncamentos de transmissão entre as várias centrais telefônicas.
As
centrais
telefônicas são constituídas de várias posições, denominadas terminais
telefônicos. Elas têm a função de gerenciar e efetuar a comutação de conexões
entre estes terminais telefônicos. A quantidade de terminais telefônicos
instalados em uma central pública varia, dependendo do tipo de central, desde
algumas centenas de terminais até várias dezenas de milhares de terminais.
O terminal telefônico é uma posição de comutação da central pública. Os terminais telefônicos são identificados por um número que é único dentro da central a que pertence. Para que os terminais de uma central telefônica possam ser diferenciados de outra central e acessados de todo o mundo, foi criado um plano de numeração universal:
00 XX PP AA CCCC MCDU
00
- Prefixo para ligações internacionaiss;
XX
– Código da operadora;
PP
– Código do país;
AA
– Código de área do telefone;
CCCC
– Prefixo da central telefônica;
MCDU
– numero do terminal telefônico.
As
centrais públicas de comutação telefônica são responsáveis pela realização
das conexões telefônicas. Define-se por conexão
telefônica, o circuito estendido entre dois terminais telefônicos para
transmissão de uma conversação. A central pública identifica os terminais
originador (assinante A) e chamado (assinante B). Procura um caminho livre para
conectá-los. Sinaliza o terminal chamado com o toque de campainha (ring).
Quando o assinante B retira o fone do gancho, completa-se a ligação, ou
estabelece-se uma conexão telefônica. A conexão será desfeita quando
qualquer um dos terminais desligar.
1.2.
CLASSIFICAÇÃO DAS REDES TELEFÔNICAS
Para
permitir a instalação do aparelho telefônico na residência do assinante
(linha telefônica), existem as redes de distribuição telefônicas. Uma rede
telefônica é, fundamentalmente, uma malha de cabos que interligam as
centrais telefônicas e os assinantes. Em detalhes, veremos que a rede telefônica
possui outros elementos além dos cabos telefônicos.
A rede telefônica pode ser classificada, segundo sua abrangência, em rede de assinantes, rede local e rede interurbana.
Rede
de Assinantes é a rede de acesso que liga os assinantes até a central de
comutação.
Rede
Local é a rede de entroncamento entre centrais, no âmbito de uma cidade.
Rede
Interurbana é a rede de entroncamento entre centrais de diferentes cidades.
A
rede telefônica urbana pode também ser classificada em:
·
planta
externa (I): rede de acesso e rede de distribuição de acesso;
·
planta
interna (II): de central e de assinante;
·
rede
transporte (III): transmissão e entroncamento.
1.3.
PLANTA INTERNA DE CENTRAL Entre
o equipamento da central telefônica e a saída dos cabos para a rua, existe a
planta interna de central. Os cabos saem da central telefônica, passam pelo
distribuidor geral, descem para a galeria de cabos e ganham a rua. Cabe
diferenciar rede interna de planta interna: planta interna envolve tudo o que
está dentro do prédio da central telefônica e rede interna é a interligação
entre a central e o distribuidor geral. A interligação entre o distribuidor
geral e a galeria de cabos, embora seja da planta interna, pertence a rede
externa. 1.3.1.
DISTRIBUIDOR GERAL (DG) Os
terminais telefônicos das centrais são disponibilizados no Distribuidor Geral
(DG). O cabo que interliga o DG e a central é a rede interna de central. Muitas
vezes existem várias centrais dentro do mesmo prédio. Todas têm seus
terminais terminados no DG. O DG é constituído de uma estrutura de metal que
suporta blocos para a terminação de cabos, permitindo a interligação entre
os cabos provenientes da central e os cabos provenientes da rua.
Do lado da central, os blocos de conexão são organizados em uma seqüência
horizontal. Do lado da rua, os blocos são organizados na seqüência vertical.
Nos blocos terminais no lado da rede externa, existem as proteções de rede
contra descargas elétricas. Os
dispositivos responsáveis pela proteção são chamados de módulos de proteção.
Antigamente esta proteção era feita separadamente através de fusíveis
associados com centelhadores. Os módulos de proteção atuais protegem a planta
interna contra surtos de tensão (descargas elétricas) e sobrecorrentes, através
de um único dispositivo. Existem módulos que operam por bobinas térmicas, por
centelhadores a gás e por dispositivos de estado sólido (PTC). 1.3.2.
GALERIA DE CABOS Normalmente
está abaixo do nível do solo e imediatamente abaixo do DG. Os cabos que chegam
da rua são de elevada capacidade – da ordem de 2.400 pares – e as colunas
do DG onde são terminados, normalmente, têm capacidade para 800 pares. Na
galeria de cabos, o cabo que chega da rua é distribuído em outros cabos de
menor capacidade, que sobem diretamente para as colunas verticais do DG. Na
terminação do cabo, denominada de cabeçote, existe a pressurização do cabo
e os medidores de pressão interna. A pressurização com ar seco evita infiltração
de água no cabo, nos casos de defeito na camada isolante externa do cabo ou de
alguma emenda subterrânea. Existe uma monitoração de bombeamento específica
para cada cabo. Se o bombeamento de ar para um determinado cabo começar a
subir, significa que há vazamento. Este vazamento precisa ser localizado e
reparado antes que aumente e produza conseqüências mais graves. 1.4.
PLANTA EXTERNA Entende-se
por planta externa como sendo toda a porção da rede entre o prédio da central
telefônica e a edificação do cliente. Quanto a concepção, podemos
identificar dois tipos de redes de distribuição externa: redes rígidas e
redes flexíveis. 1.4.1.
REDES RÍGIDAS As
redes rígidas saem da central e chegam diretamente no cliente, sendo também
chamadas de redes dedicadas. Esta rede é empregada para o atendimento de
grandes edifícios que, em razão da demanda de terminais telefônicos a serem
instalados no mesmo endereço, justifica uma grande quantidade de pares
(facilidades de rede) dedicados a ele. Algumas vezes, o cabo todo é dedicado a
um único endereço. O cabo que sai do centro telefônico é denominado cabo
alimentador e suas ramificações são chamadas de cabos laterais.
As redes rígidas têm seus pontos positivos e negativos. Entre os positivos está
o fato de dispensar qualquer trabalho na rua, por ocasião de instalação de um
terminal no endereço. Em conseqüência, ganha-se na agilidade, na redução da
mão de obra e na segurança, pois a rede não é facilmente acessível
externamente. Mas esta vem também a ser a desvantagem. Quando existe falta de
facilidades de rede nas imediações do trajeto do cabo, para atendimento de
outros assinantes, mas existe abundância de facilidades vagas no cabo direto,
elas não podem ser utilizadas. É necessário o lançamento, ou ampliação, de
outro cabo.
1.4.2
REDES FLEXÍVEIS As
redes flexíveis se caracterizam pela subdivisão em duas redes: rede de
distribuição de acesso e rede de acesso. A
rede de distribuição de acesso é composta por cabos de alta capacidade,
conhecidos como cabo primário, que levam as facilidades do DG até pontos de
distribuição denominados de Armários
de Distribuição. Um cabo primário pode alimentar vários armários de
distribuição. Em geral, deixa uma contagem de 600 pares primários em cada armário.
No armário de distribuição está terminada a rede de acesso. Composta de
cabos de menor capacidade, geralmente de 200 pares, conhecidos por cabos secundários.
A rede de acesso pulveriza o atendimento até os assinantes.
1.5.
PLANTA INTERNA DO CLIENTE Existe
um ponto definido como limite entre a rede externa e a rede interna do cliente.
Este ponto é chamado de Ponto
de Terminação
de Rede
(PTR). Nas instalações residenciais caracteriza-se pelo XT2 instalado no poste
ou parede externa da edificação. Nas instalações de condomínios, existe um
distribuidor geral ou caixa interna, onde ocorre a junção entre a rede externa
e a interna do cliente. Nas
instalações residenciais, a conexão à rede secundária dá-se através de
Caixas de Emenda Ventiladas (CEV) aéreas. Nas instalações condominiais, o cabo
de entrada é emendado diretamente no cabo da rede externa e é terminado na
caixa interna do condomínio. A partir da caixa interna tem início a rede
interna de distribuição. No caso dos condomínios verticais, existe a prumada,
que é a distribuição ao longo dos andares. Nos andares existe a distribuição
para as unidades.




Na figura acima, temos a representação da prumada de um edifício. Note a emenda subterrânea entre o cabo da rede externa (que poderá ser secundário ou primário) e o cabo de entrada. Observe ainda a prumada que sobe pelos andares, distribuindo facilidades pelos andares através de caixas intermediárias. As caixas atendem, normalmente, 3 andares: o de cima, o de baixo e o próprio andar.