Silêncio

O campo de batalha: Hogsmead. O alvo: Darkness. Conhecido como Sirius Black, para os poucos que obtinham esta informação. Os comensais da morte geralmente só o reconheciam pelas notáveis extravagâncias do espião que se autoentitulava Escuridão. Desde que os ataques do Lord das Trevas começaram, Sirius vinha agindo como um espião, sempre ajudado pelo seu parceiro Remo Lupin. Escolhidos por Dumbledore para descobrir segredos sobre as armas inimigas, lá iam eles, o lupino domado e o cão das sombras. Snape conseguira uma poção oriental para dominar a besta que assolava o ex-professor nas noites de lua cheia, transformando-o em um perfeito lobo de olhos atentos. O diretor de Hogwarts tentava manter tudo em sua perfeita ordem, escondendo de todos, inclusive alunos, sua empreitada para a derrubada dos poderes das trevas. E conseguia.
O campo de batalha: Hogsmead. O alvo: Brightness. Conhecido como Remo Lupin, entre a rede de espiões que se formava lentamente em Hogwarts. Mas desta vez não estava na escola de bruxaria e sim em seu retiro particular, em Hogsmead. Como espião, só trabalhava por debaixo do disfarce de um lobo, então não havia com o que se preocupar na modesta casa no povoado mágico. Estava com sua dupla de segredos, Sirius/Darkness. Mas estavam enganados em relação a segurança do local que haviam escolhido para descansar. Chovia bastante.
O fogo crepitava na lareira, estalando a turfa, exalando um cheiro agradável e mantendo a sala quente. Darkness observava impacientemente uma taça de vinho, enquanto Brightness lia um livro. O silencio caiu sobre os dois companheiros, parecendo estranhamente ensurdecedor. Sirius levantou os olhos, somente para acompanhar a folha do livro sendo virada pelas mãos cansadas do ex-professor. A calmaria perturbadora foi quebrada pelo som da taça se estilhaçando na lareira, enquanto o vinho manchava o tapete da sala. Remo apenas levantou os olhos, encarando-o.
- COMO VOCÊ AGÜENTA ISSO???????????
- Sirius, calma...
- É a décima terceira vez que fala isso! Caansei! Cansei de ser calmo! Esta...esta falsa paz em que estamos, como se nada estivesse acontecendo lá fora! - gritou apontando um dedo para a janela - Como... - com a voz embargada, se dirigiu a Remo, ajoelhando com um baque no chão e agarrando-o pela gola da camisa - me diga, como você agüenta tudo isso???? - na frase, sua voz não soou com agressividade.
O silêncio, de novo. Remo fechou o livro, deixando-o no colo e pousando a mão quente sobre a face do amigo. De repente, com um estrondo enorme, a porta da casa veio ao chão. Nada menos que quinze comensais da morte, esperando do lado de fora, seus sorrisos sarcásticos desenhando-se em seus rostos. Todos traziam suas varinhas em punho, prontos para atacar. E atacaram.
- PARA CIMA! - gritou Darkness, enquanto teentava atrasa-los com um feitiço de atordoamento. Enquanto corriam as escadas, mãos brancas agarravam as roupas dos dois espiões e os puxavam para baixo e então se ouvia barulho de coisas explodindo na sala. Outro feitiço e as mãos os largaram, dando-lhes mais um pequeno espaço de tempo para correrem até os quartos, Remo batendo e trancando a porta.
- Isso não vai adiantar por muito tempo... - enquanto Sirius estendia-lhe a mão apressadamente, por fora da janela. A porta caiu com uma explosão, estilhaços acertando o rosto e as costas dos dois, enquanto eles escalavam até o teto. Ouviam-se gargalhadas sinistras d quarto, o mais jovem comandando o grupo.
- Eles não tem para onde escapar! Lá em cimma, meus comensais! - gritava, correndo as escadas e se postando em frente a casa.
De fato! Recuaram até a beira do telhado, Sirius tomando a frente, se transformando em cão e fincando as garras no peito do comensal mais a frente.
- Cruentus Claritas - se deixou ouvir as paalavras entoadas em baixo, pouco afastado da casa. Uma explosão enorme veio em seguida, tomando os comensais e também aos dois espiões.
Campo de batalha: Hogsmead. Alvo: Darkness e Brightness. Um rastro de destruição. Fora apenas isso e alguns cadáveres carbonizados que restou do retiro dos dois maiores coletores de informações de Hogwarts. Ainda havia fumaça, e uma marca negra pairava sobre a cena. Alguma coisa se mexe na fuligem. Uma mão sangrenta e escombros caem para o lado enquanto um corpo de move. Um corpo com longos cabelos negros, agora cobertos de poeira. O rosto ferido, olhos em lágrimas, enquanto tentava alcançar algo nos restos da explosão. Algo caído no chão de bruços, a cabeça pendia de lado, o braço esticado para o invisível. O rosto deste algo tinha uma expressão de dor inconfundível, mas como sempre mantinha a calma extraordinária. Os fios castanho-claros inconfundíveis aos olhos de Sirius se espalhavam pelo chão aonde estava jogado. Ainda estavam vivos. Feridos mortalmente, mas ainda assim vivos. Darkness continuava em sua desesperada procura pelo amparo da mão de Brightness. Quando finamente a alcançou, seu rosto se contorceu em um sorriso verdadeiro, as lágrimas escorrendo inevitavelmente pelo rosto. Remo também sorriu e apertou delicadamente a mão de seu amor. Ficaram em um silêncio que antes fora tão perturbador e agora era-lhes confidente, confortante. As únicas palavras, sussurradas roucamente pelos dois, em um tom baixo, deixaram-se ouvir naquele cenário de tormenta.
- Eu te amo, Remo.
- Eu também, Sirius.

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