Lágrimas Incandescentes - Record of Lodoss War

Dançando ao vento,
no deserto na palma da minha mão
é onde meus pensamentos estão .

O dourado vacilante
do sol desfalecendo
queima tudo.
Eu vejo.

Não diga mais nada.
Eu não posso ouvir.
Bem, somente os murmúrios de meu coração
distante...

Você sorri,
e torna-se uma sombra fascinante.
Muito além de meus braços

Mais quentes que as areias queimadas do deserto
lágrimas escorrem
de meu coração.

Antes que o céu queime-o completamente
eu quero saber
para qual tipo de lugar
este pássaro flamejante está retornando

Não diga mais nada
Não posso escutar
Bem, somente os murmúrios de meu coração
crescendo distante...

Se algum dia eu reencarnar
vou ser a chama que te protegerá
E então, nunca mais...

Sirius abraçou-se forte. Estava frio na caverna que escolhera para dormir. O vento dançava pelas pedras, como um elemental, tocando com seus fios de gelo a pele que lutava para manter-se quente. Mas a única fonte de calor aquela noite eram suas lágrimas que escorriam grossas sobre sua face, ora esquentando, ora congelando. E os pensamentos dançam pelos caminhos que elas abrem em seu rosto, soltando-se no ar, silfos pairando diante de seus olhos cansados de todos aqueles anos em Azkaban. Estende o braço, pendendo a cabeça de um modo gentil, a brincar com aqueles seres alados imaginários. Sua única companhia durante estas noites geladas. A caverna é escura e Sirius quase vê pequenos olhos vermelhos a observa-lo. Seriam os elementais das trevas, há muito o atormentando? Seriam eles que jogavam com sua sanidade, mas sempre, sempre a devolviam? Pena. Isso existe de verdade? Seus pensamentos o rodeiam, enchendo sua visão, aproveitando aquele débil momento de sua mente e lhe pregando peças. Por alguns momentos você esquece o frio, a fome, a solidão e fica observando os seres a sua frente com o olhar mais doce que consegue. E depois deste devaneio ele continua a se perguntar sobre as mesmas questões de sempre. A se perguntar, a falar consigo próprio, assim Sirius vai sobrevivendo, conseguindo manter a consciência. Proteger. A única razão que consegue dar a sua existência. Tinha que o envolver com chamas, para ninguém o ferir, ninguém o tocar. Tão frágil, tão vulnerável...um garoto de vidro? Talvez...Mas tinha de admitir que nunca atacaram seu sobrinho pelo lado mais quebradiço. Precisaria ele realmente de suas chamas? Não importa agora. Os raios de sol alcançam a caverna e vão invadir os sonhos do ex-prisioneiro. O sono já bate e é hora de alçar vôo com ele.

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