Coração de Dragão

Capítulo I

Draco esquadrinhou a masmorra com seus costumeiros olhos acinzentados, fazendo-os parecer tão frios quanto o ar que soprava na sala de poções. Fingindo um desdém incrível, seu sorriso encontrou os olhos do ser que lhe instigara a agir e fingir tão bem. Harry tentou desviar-se daquele cinismo e voltou-se para a cauda de salamandra chinesa que estava picando, irritado com a silenciosa provocação de Draco.
- Será que o famoso Potter não se importa ccom o que disse sobre o tamanho da cauda de salamandra? Se colocar tanto assim, acho que ao invés de seu amiguinho Weasley dormir, ele vai desmaiar por um mês - ouviu a voz gélida do professor Snape ecoar pelas paredes da masmorra, seguidos de risadas da parte Sonserina da turma.
Depois de 10 pontos perdidos e um dedo quase cortado, Harry conseguiu ouvir os elogios do professor mais uma vez direcionado a Malfoy. Com tudo isso sua cabeça foi esquentando, um zunido estranho em seus ouvidos.
- Harry, calma - sussurrou Mione enquanto ttrocava de caldeirão sorreitoramente com um Neville desesperado.
Finalmente a aula de poções acabou e, enquanto todos saiam, Harry viu Draco e Snape conversando em um tom de voz baixíssimo. "Hn... não deve ser nada de mais. Ando pensando muito nas artes das trevas, credo!" pensou consigo, guardando um último olhar de fúria ao dono dos olhos de prata.

- Professor Snape, eu realmente tenho que ffazer isso?
- Ah! Entendo...então não quer mais aquela poção que faz as pessoas...
- Não! Espere...ahn.... - a voz arrastada ee sarcástica de Draco logo sumiu frente à menção da maldita poção.
Com um movimento só, ele alcançou o professor sentado calmamente na cadeira e foi aproximando o rosto com os olhos bem fechados. Quando seus lábios encostaram-se aos de Snape, o menino logo se sentiu agarrado pela cintura e puxado bem para perto. O beijo durou alguns minutos, o bastante para a mão do professor correr livremente por debaixo da capa de Draco. O menino o empurrou.
- Bem...o senhor prometeu, hein! Vamos ver se vai manter sua promessa daqui a um mês.
- Palavras não foram feitas para serem quebbradas. Agora vá Malfoy! Não quero que ninguém veja porque se atrasou!
E o garoto saiu correndo para a próxima aula, a imagem daquele beijo áspero e sem sentimento lhe incomodando a mente.


Capítulo II

Harry finalmente descansou a mochila no chão do dormitório. Suspirando fundo, se jogou na cama, o coração doendo, tentando dar sentido aos sentimentos e razão aos pensamentos. "Por que aconteceu isso?" pensava "Por que sinto meu coração bater mais rápido quando o encontro? Por que logo ele! Lógico que esperava me apaixonar por uma pessoa, mas...Céus, tudo o que acontece comigo é fora do comum! Há! Imagine uma manchete n' O profeta Diário, iria ganhar a primeira página: "Escândalo em Hogwarts" e embaixo "Harry Potter, o garoto que sobreviveu, já não tem uma vida comum, mas não satisfeito com isso ainda se apaixona pelo melhor amigo. Será que já não lhe bastam as preocupações com o Lord das Trevas?". Hmpf! O que quero agora é apenas paz, mas como ter isso consciente que você gosta de alguém do mesmo sexo? Isso é errado, não é?" as palavras voavam na mente, enquanto olhava para o teto. Um barulho de porta abrindo anunciou a entrada de alguém. Rony fechou a porta silenciosamente com um largo sorriso no rosto e caminhou, sentando na cama onde Harry estava.
- Harry, Harry, você não adivinha que acaboo de saber pela Ginny!
- Uhn? Fala, pelo visto deve ter sido algo fantástico - disse Harry, tentando esconder seu rubor pela aproximação do amigo.
- Ela me contou que a Hermione está gostanddo de alguém!
Harry ergueu uma sobrancelha. Sabia que a irmãzinha de Ron nunca contaria algo tão importante assim a ele. Devia ter acontecido algo.
- E de quem a Mione gosta?
- Ah Harry!! A Hermione gosta de mim!


Capítulo III

O Natal estava chegando e com ele a neve e o frio. Os alunos andavam para lá e para cá com echarpes de lã, gorros e uma infinita gama de cores de luvas. Apesar do frio, estavam todos animados com as festas de fim de ano. Em Hogwarts, Dumbledore havia planejado um enorme baile de Natal contando com uma orquestra toda composta por Veelas. Era uma correria para arranjar um par para o baile, nunca vista! Harry recusava automaticamente todos os pedidos, dando a desculpa de já ter alguém. Rony e Mione? Já estava muito claro que iam juntos. Fred e Jorge tiraram Angelina e Katie Bell para acompanha-los, embora os gêmeos não parecessem muito satisfeitos com esta escolha. Harry andava desolado pelos corredores, pensando em nada mais que seu amor não correspondido. De repente, duas mãos exatamente idênticas pousaram em seu ombro. Ele se virou, meio assustado, mas seu coração desacelerou ao perceber que eram apenas os gêmeos Weasley.
- Harry precisamos conversar. - começou Freed, com um estranho semblante sério. "Definitivamente não combina com eles" pensou Harry, intrigado.
- Uhn... eu estava indo a biblioteca, mas....
- Ah, deixa disso e vem com a gente! E nadaa de "mas.."!! - e os dois arrastaram garoto até uma sala de aula vazia.
- Harry... ah o garoto que sobreviveu esconnde tão mal! - começou Fred, andando de um lado ara o outro, fazendo uma imitação cômica de alguém preocupado.
- Ahn?
- É!! Olha, não adianta nos esconder! Para nós não é nenhuma novidade! - completou Jorge, abraçando seu irmão pela cintura.
- O que...que...?
- Você, meu caro e jovem Harry Potter, estáá...simplesmente apaixonado! Ai que bonitinho! E pelo visto não é alguém comum, não é? - riu Fred, sendo beijado no pescoço pelo seu próprio irmão - Acho que alguém como Rony deveria saber, não é?
Vendo isso, Harry andou par trás, assustado, até bater na mesa e cair no chão. Duas coisas estavam o chocando de uma vez só. A primeira que eles sabiam de seu segredo. E insinuaram que Rony também deveria saber! Será que eles haviam contado, ou isso estava tão transparente assim?
E a segunda era o que seus olhos não conseguiam acreditar. Os dois irmãos Weasley agora estavam...estavam se beijando! Eles são garotos! E...e irmãos! Gêmeos ainda por cima!
- Ahh!! - e veio a voz sarcástica de Fred -- Vai me dizer que você nem desconfiava? - perguntou, entrelaçando delicadamente os dedos nos de seu espelho.
- N-não! Mas...mas como vocês souberam que eu...o Rony...?
- Já dissemos!
- Você esconde mesmo muito mal! Bem, pense sobre isso, ok? Estaremos sempre a disposição, se quiser conversar. E..Ah! Observe BEM as pessoas! Pode perceber algo muito valioso! - completou Jorge, e os gêmeos saíram da sala, deixando um confuso Harry a pensar.

Na hora do jantar, Draco desceu atrasado. Tinha demorado demais no banho, tanto que nem secou seus cabelos tão bem cuidados normalmente. Sentou-se impacientemente na mesa e serviu-se da comida sem nada falar. Pousou seus olhos em Harry, que já estava mais que animado na mesa da Grifinória, comemorando algo que ele desconfiava. "Ele deve ter conseguido convidar aquela apanhadorazinha ridícula para ir ao baile. Cho Chang. Que nome! Ridículo, assim como a dona" uma ponta de ciúme tocou seu coração de gelo "HMPF! Eu não deveria sentir isso!!" se repreendeu "Harry Potter e sua cicatriz nojenta! Meu pai tem razão em odiá-lo! Mas ele precisava demonstrar isso tão brutalmente...!Não! Eu não posso pensar nesta possibilidade! Mesmo que ele faça o que faz, ainda é meu pai!" pensou antes de dar a última garfada na comida e se levantar da mesa, fazendo sinal para os dois gorilas-guarda-costas o seguirem. Mal se levantou, Snape o olhou, da mesa dos professores e fez um sinal para que o acompanhasse. Malfoy dispensou os dois brutamontes, que recomeçaram a comer, e caminhou até a masmorra de poções, a esta hora vazia e gelada.

- Fred....Fred! - murmurou uma voz no escurro do dormitório - Vamos, eu sei que não está dormindo...me responde, ai...
- Uhn, Jorge...me deixa descansar! O que é agora?
- Você acha que fizemos direito? Quero dizeer, com o Harry...ele me pareceu tão assustado quando saiu da sala...não podíamos simplesmente ter dito "Vamos lá confesse seu amor pelo seu melhor amigo!"?
- Como assim....bem, ele ainda ia ficar na dúvida, coitado...se fizéssemos isso, ele poderia agora mesmo estar colocando uma corda no pescoço, pensando "Oh, eles sabem de meu pecado, nossa, devo morrer agora!" - exclamou Fred num tom sarcástico imitando um movimento com uma corda imaginária - Qual é, Jorge, ele deve ter entendido nosso recado!
- Ahn, isso pode até ser verdade, mas mesmoo assim deveríamos ter maneirado - disse o ruivo virando-se para o outro lado da cama.
- Então acho que pela primeira vez, você nãão entendeu o que pelo menos eu queria tirar da cabeça de Harry! - bufou, desanimado - Queria que ele parasse de pensar que está cometendo o maior erro da vida dele. Que ele parasse para pensar que existem coisas piores do que se apaixonar pelo seu melhor amigo. Queria que Harry soubesse que o pior não é amar alguém do mesmo sexo, que há algo ainda mais "errado", por assim dizer.
- Eu te amo, Fred - sussurrou Jorge de costtas para o irmão, que o abraçou e disse.
- Eu também...eu também.

"Eu não quero perde-lo, eu não quero perde-lo, eu não quero perde-lo, eu não quero..." "não faça nada que o ameace, pare com esta brutalidade sem fim!".
Snape andava de um lado para o outro na masmorra de poções, absorto em pensamentos.
"Por que eu o trato tão asperamente?" e uma voz vinda de seu subconsciente "Por que você foi tratado assim. Um mero boneco, nas mãos de quem amava. Oh, sim, e agora quer vingança. É por isso que tanto o deseja!" "Não! Não é isso! Pouco me importa o passado!" "Você sabe que é isso... pura vingança! Quer algo mais covarde que machucar o herdeiro de quem o feriu?" "Eu não quero feri-lo! Não mesmo, mas... aqueles olhos... e o rosto pedindo ajuda... na minha aula me controlo, pois ele ainda veste a máscara de frieza e sarcasmo. Ele é simplesmente perfeito. Nas minhas mãos é frágil, delicado... algo mais precioso que uma jóia. E na frente de todos, um ser forte, sarcástico e frio. Por detrás do muro que construiu em volta de seu coração sei que há algo muito diferente do que o gelo de seu pai. Ele sim merecia uma lição! Mas por mais forte que eu seja, sempre terei medo de me aproximar dele".
- Boa noite, Draco. O jantar lhe agradou? <
Malfoy fez que sim com a cabeça e fechou a porta da masmorra, a mascara mencionada nos pensamentos de Snape caiu ao chão no exato momento em que ele desencostou da porta.
- Bem... aqui estou... o que quer comigo? - Discutir sobre a poção que me encomendou.... amanhã já é Natal e o caldeirão já está pronto, como prometi. Mas você tem agido muito estranho ultimamente. Algo lhe incomoda?
Draco sentiu vontade de falar tudo o que o afligia, mas se segurou. Que droga, não tinha realmente ninguém para conversar sobre seus sentimentos. Era esse o preço?
- Não professor, não é nada. - ele abaixou a cabeça enquanto Snape se aproximava e ajoelhava diante dele. No primeiro gesto carinhoso que tivera desde que começara esta relação com o professor, Snape afagou seu rosto, o olhando de um modo diferente.
- Tem certeza? - Draco estranhou a gentilezza da pergunta.
- T-tenho sim...
E Snape voltou a sua postura fria e indiferente, tirando a mão do rosto do menino e se levantando, fingindo observar algumas poções engarrafadas numa estante.
- Venha até aqui, Draco. - chamou o garoto,, fazendo um gesto - Antes de lhe dar a poção, gostaria de lhe avisar que isso foi feito com um fio de cabelo seu e um de Potter, e não funcionará em qualquer outra pessoa. Aliás, funcionará, mas terá um efeito colateral gravíssimo. - e ele olhou severamente para Malfoy - Não quero que nada dê errado e que ninguém, ninguém mesmo, suspeite que ando preparando poções de amor para os alunos, entendeu?
- Sim, professor. Eu farei como havíamos coombinado, derramarei metade no cálice dele, enquanto eu bebo a outra metade, não é? Farei isso na manhã de Natal.
- Perfeito. Alguma dúvida?
- Quais são os efeitos colaterais? - pergunntou, com algum receio da resposta, mas só o que teve foi um sorriso malvado de Snape.
- Você perceberá se algo ocorrer errado. E quanto o seu pagamento...quero você aqui, daqui a dois dias, contando do efeito da poção, certo?
- Certo. - e Draco subiu para o seu dormitóório, caindo direto na cama, tendo um sono sem sonhos.


Capítulo IV

O Natal amanhecera frio e nublado, mas nem isso condenou toda a alegria que girava em torno do baile à noite. Quando acordou, Draco viu a pilha de presentes ao lado do cortinado verde de sua cama. Depois de desembrulhar uma caixa de chocolates, cartões diversos e um misterioso amuleto, descobriu um pequeno embrulho em forma de garrafa. Rasgou o papel, já sabendo o que era. Um belo recipiente de cristal, em uma forma estranha, contendo um líquido rubro apareceu diante de seus olhos. Destampou, e pode sentir um aroma de cereja muito forte que logo tomou o dormitório. Mesmo pesando que era uma dose pequena demais, Draco pôs a rolha no lugar e foi se vestir, acomodando a garrafinha no bolo interno da capa. Desceu nervosamente as escadas até o salão comunal da Sonserina e algo lhe veio a mente. Não tinha par para o baile de noite! Mas como poderia ter deixado isso chegar a este ponto?! Com estes pensamentos, deu de cara com um espaldar alto de uma das poltronas no frio salão e uma voz irritante, sebosa, lhe dirigiu.
- Bom dia, Draco! Feliz Natal! - em um tom nada convincente, Pansy Parkinson se aproximou do garoto de cabelos platinados que respondeu apenas com um aceno - Você já tem algum par para o baile? - era impressão de Draco ou ela corou levemente?
- Não... - e já ia responder "Nem querro", mas parou. Seria uma pena boatos sobre sua masculinidade rondando Hogwarts, e sabia que Pansy era bem capaz de fazer isso. Então, tomando coragem, perguntou - E você?
- Eu também não - respondeu ela, num tom quue seria inocente se a cara de buldogue não atrapalhasse - Quer ir comigo?
- Er... - olhou em volta do salão, não tinhha nenhuma garota que pudesse convidar. Como fora idiota, deixando isso para cima da hora - Esta bem então. Te pego aqui no salão às 8 em ponto, ok?
- Claro, Draquinho! - e uma ponta de raiva cutucou o ego do menino - Até mais! - saiu correndo, pegando uma das amigas insuportáveis e saindo pelo quadro na parede.
Sozinho no salão de novo, Draco olhou para o anel de serpente que havia há muito ganho de Snape e para o medalhão que desembrulhara minutos atrás e que agora estava debaixo das vestes. Notou alguma semelhança entre os dois, mas nada que gritasse para sua atenção, então, se dirigiu para o quadro e foi tentar comer algo de café da manhã.
- Hey, Goyle, ele não tá meio estranho?
> - Tá sim, Crabbe, mas nós devemos perguntarr?
- Não sei, ele vai brigar com a gente.
- Tá! Então me passa o bolo de chocolate. Foi entre este diálogo estúpido que Draco chegou, fazendo os dois brutamontes se calarem e comerem como sempre faziam, especialmente no natal, quando as mesas estavam entupidas de tanta comida especial, que faria Hermione torcer o nariz pensando no trabalho que os elfos domésticos teriam.

Foi com uma dificuldade enorme que Harry conseguiu sair debaixo das cobertas aconchegantes naquela manhã fria do dia 25. Com um puxão, se livrou do cortinado de sua cama, para descobrir que Rony ainda não tinha levantado. Pé ante pé, Harry foi até a cama do amigo e com um receio enorme afastou lentamente o veludo vermelho. Rony ainda estava adormecido, as mechas de cabelo ruivas espalhados pelos travesseiros, seu corpo metade descoberto, estava suado e pelas marcas de lágrimas no rosto agora sereno do amigo, Harry deduziu que ele havia tido um pesadelo. Sentou-se na cama e afastou delicadamente alguns fios grudados na testa dele, chamando-o baixinho.
- Ron...Ron? Acorda... - e o ruivo se virouu na cama, resmungando algo inteligível e abraçando de repente a cintura de Harry. Foi quando ele abriu os olhos. Primeiro ainda ficou algum instante agarrado, mas depois se dando conta de onde estava segurando, pulando para trás, assustado.
- H-harry!! Desculpa! - e um olhou para a ccara do outro, começando a rir alto - Feliz Natal, amigo! - e se abraçaram.
- Hey, hey! Vamos ver os presentes, uh? Olhha o quanto você ganhou! - falou Harry, tentando disfarçar o rosto corado, pulando de novo na própria cama e abrindo o primeiro da pilha de presentes, um suéter Weasley vermelho com um H dourado.
- DE NOVO COR DE TIJOLO??? Ela já devia sabber, hnf.
- Ron! Venha aqui! - gritou Harry enquanto examinava o presente que acabara de abrir. Era uma espécie de medalhão de ouro, com uma serpente de olhos de rubi. Quando se olhava para a serpente, parecia que os olhos se mexiam.
- WOW! Quem deve ter te dado isso? O que háá escrito no cartão?
- Não tem cartão! Mas, nossa, isso é estrannho. E também deve ter sido caro!
- Quem iria dar isso a você?
- Não sei. - falou rindo - Talvez algum outtro prisioneiro de Azkaban que afinal é meu tio. De qualquer jeito, é desfeita não usar. - com estas palavras, Harry pôs o medalhão no pescoço e os dois desceram as escadas rindo.

Capítulo V

O salão principal geralmente ficava vazio nesta época do ano, mas por causa do baile deste dia, estava lotado de estudantes alvoraçados. A decoração também não deixou por desejar, com quatro enormes pinheiros em cada canto, representando as quatro casas e decorados com as suas respectivas cores, o céu fora encantado para pelo menos hoje parecer um céu limpo e não o nublado lá fora e caia uma neve mágica colorida que desaparecia alguns segundos depois de tocar algo. Os gêmeos (que não foram vistos desde a noite passada) de repente entraram no salão com uma sacola enorme de doces da Dedosdemel e garrafas e mais garrafas de cerveja amanteigada. Fred se aproximou de Harry, animado até a alma.
- Feliz Natal! - riu trocou o cálice das mããos do menino por uma cerveja
- Para você também, Jorge...
- EU SOU O JORGE! - uma voz vinda do final da mesa, seguida de uma pequena explosão - Obrigado por achar meus caramelos explosivos, Dino! - falou o gêmeo enquanto Neville soltava de repente um doce que acabara de pegar.
E dali a alguns instantes a maioria das casas estava reunida em volta da mesa da Grifinória, que contagiara a todos com a animação de Natal. No meio de toda aquela festa, uma voz arrastada e fria chega aos ouvidos de Harry.
- Aonde conseguiu isso? - disse Draco, pegaando o medalhão do peito do garoto - Ganhou de quem? Pergunto isso é claro porque Weasley teria de vender a sua irmã aos árabes para comprar um desses. - ao ouvir este comentário, Rony se levantou socando a mesa e levantando Draco pela gola da camisa.
- Repita isso, Malfoy! - enquanto isso, Draaco discretamente levou a mão por debaixo das próprias vestes, desarrolhando o recipiente com a poção. Num movimento rápido, derramou um pouco mais que a metade na garrafinha de cerveja de um confuso Harry.
- Que a sua irmã vale tanto ou menos quantoo este medalhão.
- Oras, seu - quando Rony ia acertar um socco em Draco, a Prof. Mc Gonagall os alcançou.
- Sr. Weasley! Sr. Malfoy! O que está havenndo? - sabendo que ia levar uma detenção por ter começado a agredir Draco, Ron falou.
- N-nada, professora, só estava...uhn...enddireitando a camisa dele! - completou esta frase com um sorriso amarelo. - Não é, Draco?
- Sim, é claro...bem, agora vou para a minhha mesa! - disse o quartanista Sonserino, se esgueirando pela multidão que se formou em volta da briga, murmurando para si maldições por ter derramado mais do que devia.
Quando se sentou-se à mesa Sonserina, Draco já ia suspirando fundo por toda a parte difícil do serviço já ter acabado, quando uma visão lhe deu um calafrio na boca do estômago. Fred, um dos malditos gêmeos Weasley, estava...estava bebendo na garrafa de Harry! E agora!! Com metade das esperanças mortas, constatou que Harry já havia bebido quase tudo, mas que ainda sobrara um pouco. E se o Weasley...não! Não pensaria nisso e ponto final! E recomeçou a comer, olhando de soslaio para a mesa dos professores, onde percebeu um olhar frio e sarcástico, vindo de Snape, como se perguntasse "E agora?".

O vento corria livre pelas masmorras Sonserinas, causando um arrepio no menino loiro que andava com olhar ora nervoso, ora desconfiado. Draco parou um instante, apreciando a pequena garrafa que continha a poção do amor. Ainda restava um pouco, o bastante para uma segunda dose. Foi pensando nisso que Draco ouviu o barulho de passos no corredor. Enfiou a garrafa nas vestes e se virou, mantendo a máscara de frieza mais que óbvia.
- Weasley. O que um pobre aluno da Griffinóória vem fazer nas masmorras? - disse enquanto o gêmeo ruivo se aproximava. Recuou alguns passos, já desconfiando do que era, mas não conseguiu evitar ser puxado para junto de Fred.
- Oras, se não é o grandioso Malfoy, com suua igualmente grandiosa boca. Pena que ela vai se calar daqui a pouco. - disse o ruivo, não contendo um olhar de raiva.
- Vai fazer o que? Me bat... - Draco foi innterrompido com um beijo violento de Fred que o abraçou pela cintura, apertando com a outra mão o pescoço do menino. Se debatendo, fingindo não saber do que isso se tratava, tentou empurra-lo, se debatendo.
- Ssshh...ou quer que alguém saiba que tem um certo cara de fuinha recebendo poções de amor em troca de uns beijos? - riu o garoto mais velho, aproveitando o momento de fraqueza dele para deita-lo no chão, sentando-se na cintura do menino e assim quase o imobilizando por completo.
- Me solta, Weasley!!! - gritava Draco, enqquanto seu pensamento sabia que ele não ia fazer isso. Então era assim que a poção funcionava? Talvez seja pela mistura de dois sentimentos fortes, um provocado pelo veneno, paixão, e o outro que já existia, ódio, puro e profundo. Recebia beijos e mais beijos, seguidos de mordidas. Parecia que Fred estava lutando internamente contra esses dois sentimentos, um para não beija-lo, outro para não mata-lo.
- E o que vai fazer para isso? - risada sarrcástica, seguida de um barulho de costura se abrindo. Os botões do uniforme escolar de Draco rolaram pelo chão de pedra, até baterem em uma bota de couro negro, característico de alguém.
- Professor Snape!! - gritou, enquanto aindda se debatia para livrar-se do peso do corpo de Fred.
- Sr. Malfoy...Sr. Weasley. Expliquem-se. -- ouviu-se a voz fria do professor de poções.
- Er..ele! Ele me agarrou em pleno corredorr! Eu não tenho toda a força de um batedor! Não tive como...
- Quieto! Sr. Weasley?
- Sim, professor? - disse o ruivo, fitando o nada. Parece que a poção o havia afetado em mais algo.
- Vá direto para a ala hospitalar. Diga a MMadame Pomfrey lhe dar este antídoto. - e rabiscou algo em um pedaço de pergaminho. - Quanto a você, Malfoy...quero que vá até minha sala depois do que acontecer hoje, ok?
- E-está bem.
Os dois se retiraram, Fred ainda se sentindo confuso pelo que havia passado, Draco foi direto para o dormitório se aprontar para o baile de Natal.


Capítulo VI

A atmosfera quente e agitada do salão principal foi crescendo assim que chegava a hora do baile. Harry e Rony receberam, atrasados, um presente de Sirius por um falcão cor de bronze. Rony deu graças a Merlin pelo amigo ter se lembrado que as suas vestes de gala eram ridículas e usou com muito gosto a veste azul escura com arebescos cinzas. Harry ganhou uma vinho, com os mesmos motivos dourados, e vacilou entre usa-la ou a que a Sra. Weasley tinha comprado para ele, de tão chamativa que era. Desceram já meio atrasados, mas em um ponto do caminho, percebeu que Rony não o seguia. Encontrara Hermione no caminho e os dois estavam conversando muito sem graça. Harry sentiu uma pontada fria de ciúmes, mas continuou seu caminho, pensando que teria de tirar seu par na festa mesmo. Assim que entrou no salão, percebeu que suas vestes não estavam deslocadas. O lugar inteiro estava decorado com castiçais prateados, sem as costumeiras velas flutuando, as paredes de pedra foram decoradas com um tipo de veludo mágico que cada aluno que olhasse veria a cor de sua casa. O chão estava forrado com pétalas que formavam um tapete e que a qualquer brisa levantavam-se. Não se via no teto o céu daquela noite e sim um eterno crepúsculo avermelhado arrematando o toque romântico do baile. Perplexo, Harry caminhou pelo tapete de pétalas, procurando sentar-se nos vário sofás espalhados pelo salão.
Harry ficou observando o movimento das pessoas que entravam. Não demorou muito e ele viu Rony e Hermione entrarem de mãos dadas pelas grandes portas adornadas com fadinhas que piscavam. Harry sentiu a pontada fria do ciúme lhe acertar o peito e ele logo descobriria que não ia ser a primeira vez naquela noite que sentiria isso. Entraram pouco depois Gina e Neville também de braços dados e pareciam estar muito entretidos conversando um com o outro. Neville devia ser um cara muito divertido, pois a menina ruiva não parava de rir o tempo todo. Os pares foram entrando. Entre eles Harry viu, para sua surpresa, um dos gêmeos Weasley acompanhado de Katie Bell e Lino Jordan com Angelina Johnson. Pelo par que o acompanhava, Harry percebeu que aquele devia ser Jorge. Ficou se perguntando onde estaria Fred e porque seu par, Angelina, estava com Lino Jordan... Não ficou muito tempo fazendo isso pois, logo em seguida, entrou no salão alguém que ele com certeza não fazia questão nenhuma de encontrar: Draco Malfoy. Estava acompanhado pela garota com cara de buldogue da Sonserina, que já lhe era conhecida, a tal Pansy Parkinson.
Harry estava se sentindo totalmente deslocado... Não tinha ninguém pra conversar pois Rony e Hermione estavam sentados bem longe dele e conversavam baixinho, encabulados e entre risinhos... Harry não estava gostando mesmo daquilo. Ele tentou desviar o olhar tentando esconder de si mesmo o fato de que estava muito aborrecido. O que veio a seguir apenas confundiu ainda mais sua cabeça.
Enquanto corria o olhar pelos casais que dançavam pelo meio do salão, a música suave pareceu sumir de repente de seus ouvidos: Draco Malfoy estava beijando Pansy Parkinson! Harry não pôde acreditar no que seus olhos viam... Mas ele não pôde realmente acreditar que estivesse se importando com o que seus olhos viam.
Ele desviou o olhar perturbado, não conseguindo conter a pontada funda e gelada atravessando seu peito. Ficou olhando para as próprias mãos, tentando entender porque se sentia assim. Se não o tivesse feito, teria visto Draco afastando Pansy num solavanco e falando alguma coisa com ela muito aborrecido. Mas como ele demorou-se para olhar novamente para o salão, viu apenas Draco retirando-se pela porta apressado e Pansy meio estática no meio do salão. Isso, aliás, a seus olhos pareceu que tinha sido o efeito arrebatador do beijo de Draco.
"Pare de pensar sobre os efeitos dos beijos de Draco!! O que é isso agora?", pensou consigo mesmo.
Harry também não viu um Prof. Snape muito aborrecido levantar-se da mesa dos professores e sair apressado do salão.
Harry estava se sentindo cada vez pior naquele baile. Cada vez mais isolado... cada vez mais melancólico... cada vez mais confuso... Ficou muito tempo perdido em seus pensamentos e nos seus sentimentos. A noite já ia pela madrugada... Conversou um pouco com Jorge que lhe contou que Fred estava na ala hospitalar, mas achou melhor não falar nada sobre o que sentira ao ver Malfoy beijando Parkinson.
Ele já estava disposto a se retirar, depois deter comido e bebido tudo o que podia, e pensou em se despedir de Rony e Hermione que alternavam entre dançar um pouco pelo salão e ficar entre risinhos no canto... Ele levantou-se para falar com eles mas, antes mesmo que desse um passo naquela direção ele viu o rosto de Rony aproximar-se do de Hermione... e em seguida os dois perderem-se num beijo doce e longo...
Harry estatelou no chão. Sentiu as lágrimas preencherem seus olhos e a garganta apertar para sufocar um soluço. Antes que fizesse alguma bobagem, ele girou nos calcanhares e seguiu pelos corredores escuros...
A Sala Comunal da Grifinória ainda estava vazia quando ele entrou. E lá, afundando-se numa das poltronas mais afastadas, Harry deixou as lágrimas correrem como nunca antes. O que acontecera aquela noite? O que estava acontecendo com ele?
Se Harry tivesse ficado mais alguns minutos no baile, e estivesse próximo suficiente para isso, ele teria visto uma expressão estranha no rosto de Rony após ter beijado Hermione... Ele teria visto um Rony quase tão confuso quanto ele... Se Harry tivesse visto esse Rony, talvez não estivesse chorando agora...

Capítulo VII

Draco realmente estava irritado. Além daquele incidente no final da tarde, que teria de pagar depois, a maldita Parkinson lhe fizera passar aquela humilhação no meio do salão. E o pior, Harry acompanhara tudo com os olhos. Agora encontrava-se a caminho do dormitório masculino, pisando duro e falando coisas sem sentido. Foi depois de um "maldito Potter" que uma mão tapou-lhe a boca e puxou para as sombras do corredor. Aquela voz normalmente fria sussurrou-lhe perto do pescoço.
- Presumo, Sr. Malfoy, que ainda queira vê--lo... - Snape o virou para frente em um movimento, segurando-lhe o queixo e fixando o olhar em seus olhos. O garoto tremeu ao fazer um breve aceno com a cabeça - Venha comigo... - e o professor de Poções saiu das sombras, o puxando pelo corredor, ignorando as indagações do menino. Tapou os olhos dele e o guiou pelo que parecia ser um labirinto, até parar tão de repente quanto começou. Tirou a mão dos olhos de Draco, estava em frente a uma porta de pedra, em um corredor escuro e frio.
- Igneus Argentum - parecia um tipo de senhha, pois a porta lentamente ia se transformando em algo como prata líquida que o chão absorvia. Snape empurrou o aluno, que caiu no chão forrado com carpete - Fique aqui, esperando enquanto trarei sua "presa". Não faça nenhum barulho, por enquanto ainda há professores rondando os corredores para por alunos como você na cama - com essas palavras o mestre de Poções se virou para o corredor, mas algo o impediu e o fez virar de novo pala o aluno. Agarrou um punhado dos cabelos loiro-platinados e o puxou para um beijo, se divertindo com a luta de Draco para se soltar de sua mão. - Até mais, diabinho. Espero que esteja consciente de suas ações - riu e pronunciou a senha de novo, passando pela porta de metal liqüefeito e murmurando a contra-senha para a porta se refazer.
O ar da sala era pesado, com aroma forte de canela, cravo e algumas especiarias, misturado com o cheiro de turfa sendo queimada, a iluminação suave e fraca, vinda da lareira. Draco percebeu que a decoração era à moda antiga, misturando alguns estilos, com um luxo até exagerado para uma sala abandonada de Hogwarts. Em cada canto havia colunetas de um metal prateado, cravejadas com pedras verde-escuras, prendendo panos que cobriam o teto, da cor das pedras. Dois divãs estavam espalhados pela sala, de madeira escura, forrados com veludo verde. No fundo, havia uma cama com dragões de prata na cabeceira e colunas sustentando um dossel emoldurado, que exibia uma pintura com veelas dançando em volta de um lago. Suas cortinas também eram prateadas, caindo pesadamente sobre as almofadas de veludo verde. Pelas cores da decoração, estava em território Sonserino.
Draco se jogou no divã longe da lareira, sentindo um sono repentino lhe fechar os olhos. Realmente, estava um calor sufocante na sala, os aromas pesados ajudando em um delírio doce e suave. Entreabriu as pálpebras, fitando os tecidos do teto, e levantou a mão, olhando para o anel que Snape havia lhe dado. A cobra prateando pela jóia e abocanhando uma esmeralda, parecia-lhe viva aquele momento com seus olhos vidrados nos dele. Era um tipo de marca, para lhe lembrar que ele estaria sempre lhe observando. Ele. Severus Snape, o mestre de poções. Será que nunca se livraria daquela perseguição...
Uma voz tremulou rente a porta e o afastou de seus pensamentos, dizendo a senha. A medida que a porta se desfazia, Draco ia reconhecendo cada linha da pessoa que aparecia naquela remota sala da Sonserina, cada mecha dos cabelos negros e revoltos, cada brilho dos insuportáveis olhos verdes. Esta noite, Harry iria pertencer a ele.
Confuso, Harry entrou na sala e seu coração parou ao fitar a criatura que estava parada, sentada no divã no canto da sala. Se sentiu tonto e apoiou a mão trêmula na parede. Seria por causa do cheiro abafado de incenso ou da pessoa, que se levantou de onde estava e caminhava até ele próprio, cada passo significando uma pontada aguda em seu coração. Até ficarem a um palmo de distância, a dor ia se intensificando, até se transformar em uma batida acelerada, e ele sentir o sangue corar suas faces.
- M-Malfoy? - balbuciou, andando para trás,, até encostar na parede do quarto,
mas a cada passada que dava, era uma que ele seguia.
- Shhh... suas palavras não tem mais sentiddo neste domínio. - e então Draco
pressionou seus lábios contra os de seu rival, que durante algum tempo tentou resistir, mas a cada segundo ia se rompendo a linha entre o amor e o ódio que tanto os separava. O garoto de cabelos louros sentiu um toque quente na nuca, afagando desajeitadamente, e sorriu para si mesmo. A poção funcionara. Enlaçou então a cintura de Harry e debruçou seu corpo, colando-se ao dele, terminando o beijo e o encarando. Como era bela aquela figura totalmente assustada e ao mesmo tempo consciente do que estava fazendo, chocado com seus próprios sentimentos! Afagou de leve o rosto do garoto e começou a desabotoar as vestes cor de vinho e a camisa por debaixo delas, enquanto passava os lábios frios pelo seu pescoço de leve, arrancando de sua boca, algo mais que as costumeiras palavras duras que eram-lhe dirigidas. Sentiu então a mão de Harry se esforçar para abrir os botões de sua veste de gala, que iam até o pescoço. Draco deslizou as mãos pelo peito do garoto, devagar, demorando-se na cintura e depois indo para no ombro, abaixando as vestes dele até caírem no chão, junto com a camisa social, e forçando-o a se sentar no chão, ajoelhando-se entre suas pernas e terminando de tirar suas próprias roupas, primeiro a capa negra, depois a camisa, ficando só de calça, assim como o garoto a sua frente. Os olhos de prata fitaram por alguns segundos a figura caída a sua frente, desprotegida e arfante, enquanto concluía que esta era a cena que mais desejara em toda sua vida. O beijou apaixonada e profundamente, enquanto suas mãos correram da cintura até os quadris do garoto, delineando a barra da calça, até achar o fecho e ouvir um gemido abafado.
- Nnn..! - Harry empurrou Draco, interrompeendo o beijo - Calma aí, Dra,
quero dizer, Malfoy!! - ia começar a falar algo, quando os lábios dele se fecharam contra os seus, lacrando-se em outro beijo. O botão da calça do garoto de olhos verdes se abriu, e pela mesma mão, o zíper também. Ele tentou em vão afastá-lo, mas o aluno da Sonserina era mais ágil e segurou suas duas mãos com uma só, a outra abaixando a única peça de roupa que lhe restava.
- Se você falar mais alguma coisa, eu juro que conto para um certo professor de
poções que vi um aluno da Griffinória rondando domínios verde e prata, mais ou menos uma hora da manhã ! Então, fique calado, se não quer que sua casa perca a copa este ano! - e o dono da voz que o ameaçava, o fez se ajoelhar em sua frente. - Além do mais, quando eu terminar, você vai me agradecer por isto. - Se convencendo disto, Draco começou a beijar a cintura de Harry, deslizando a língua até o membro do garoto e o abocanhou de uma vez. O garoto engoliu um gemido, enquanto seus sentimentos se reviravam no peito, misturando amor com ódio, prazer e uma repulsão incrível, o deixando totalmente zonzo, enquanto o ser causador de tanta confusão continuava a enlouquece-lo. Sem se dar conta, Harry desceu sua mão na cabeça de Draco e o empurrou contra seu corpo, enquanto com a outra, se apoiava na parede. De repente, o aluno da Sonserina levantou seu rosto, murmurando baixinho no ouvido dele.
- Me. Possua.
Inconsciente, o garoto obedeceu, deitando-o suavemente no chão e debruçando-se por cima, desta vez era ele que começava o beijo, enquanto a mão foi direto abrir o fecho da calça de Draco, abaixando-a de uma vez só. Neste momento, se deu conta de que não sabia o que fazer, tendo que agir por puro instinto. Ajeitou-se entre suas pernas e começou a forçar-se contra o garoto, arrancando-lhe um gemido, seria de dor ou de prazer? Não soube distinguir, estava preso aquela sensação que o controlava. Mais e mais, continuava a possuir aquele ser pálido debaixo de seu corpo, que inclinava a cabeça para trás e segurava em seus ombros, com uma expressão em seu rosto que se mostrava cada vez mais desprotegido. À primeira estocada, o corpo de Draco estremeceu, e ele arqueou as costas, quase gritando, e Harry não se importou mais se estava acertando ou não, somente continuou os movimentos, levantando as pernas do garoto e as apoiando no ombro. A cada investida, a medida que ele ficava mais escorregadio, Harry ia mais fundo, e mais, até uma sensação de êxtase percorrer todo seu corpo e um líquido quente invadir Draco. Deixou-se cair sobre o garoto louro, arfando e todo suado. Depois de alguns minutos deitado, o garoto em baixo dele fechou os olhos e não dormiu, desmaiou. Foi como se o torpor daquele mundo tivesse acabado de repente. O aluno da Griffinória se levantou, chocado, ao se lembrar das últimas ações, ficando parado, em pé. Ao voltar seus olhos para o corpo adormecido do garoto no chão reconheceu quem era. O sentimento de choque logo se transformou em desespero. Pegou as roupas espalhadas e se vestiu rapidamente, saindo daquela sala dizendo uma senha estranha que sua mente lhe informava e não sabia como havia conseguido, e saiu correndo, em direção a torre da Griffinória.
A porta de prata se transformou em líquido de novo e uma sombra entrou no quarto, levantando o corpo adormecido com facilidade e pegando as roupas do chão.
- Eles deviam ter usado a cama... - murmuroou Snape para si mesmo, balançando
a cabeça e caminhando em direção ao dormitório da Sonserina, devolver o aluno que faltava, sem antes deixar de admirar o corpo pálido e desprotegido em seu colo e depois o vestir.

Capítulo VIII

Draco acordou na manhã de Domingo, com os raios de sol passando pelas cortinas entreabertas e batendo em seu rosto. Se sentou na cama de baldaquino e olhou o quarto vazio, com uma expressão estranha no rosto. A dor latejou em sua cabeça quando lembrou de todos os acontecimentos da noite. Diferente do que achava que iria ficar depois de tudo, não sentia alegria, nem satisfação, muito pelo contrário. Um sentimento veio lhe amargando o peito, subindo até a garganta, como se fosse sufocar, mas ao invés da morte chegar, em seus olhos brotaram lágrimas, mas não de tristeza e sim frias lágrimas de raiva. Entendera o porque da sensação e agora, mais que tudo, queria que aquilo não tivesse acontecido. Queria ter entendido antes, mas a obsessão lhe chegara completamente, lhe mostrara um amor falso. Droga, droga, mil vezes droga! Amaldiçoou-se a cada minuto por ter se deixado levar, se deixado acreditar em algo que sempre jurou não existir. Afinal, não o amava. Sim, o queria, desejava tê-lo em suas mãos, manipular, brincar com seus sentimentos. Mas isto, meu caro, não é amor. A voz ecoava em sua cabeça, soando severo como um sino de igreja, o condenando. Se levantou da cama, meio zonzo e então notou um bilhete, em cima da cabeceira, escrito com letras caprichosas, em tinta verde.
"Espero que tenha aprendido alguma lição. Estarei esperando depois do jantar.
S.S."
Esboçou um fraco sorriso ao ler e saiu para se trocar, com a consciência ainda pesando, mas com certeza mais leve.

"Ele estava olhando para mim.". Foi a frase que veio a cabeça de Harry, quando um par de olhos azul-mar se encontraram com os seus. Rony estava ao lado de Hermione, a uma distância de três pessoas de Harry, que sustentava o olhar do amigo. O ruivo sorriu de um jeito carinhoso e voltou a conversar com Simas, deixando um Potter absorto em seus pensamentos. Esquecera totalmente o que havia acontecido, um dos efeitos da poções de Snape e agora tentava organizar os sentimentos, naquele alegre café-da-manhã. O afeto que percebeu no olhar do amigo dissolvia aos poucos a pontada de ciúmes que sempre sentia quando o via com Hermione. Não sabia ao certo do que, mas uma certeza o preenchia e agora parecia que o completava. "O tempo vai resolver. Enquanto eu puder ter a amizade dele para me apoiar, tudo estará bem. Por hora, o verdadeiro sentimento pode dormir sossegado, que saberá a melhor hora para despertar. Até lá, a espera não será mais angustiante.". E com esse pensamento Harry sorriu e se levantou, indo sentar perto do casalzinho e entrar na conversar, animado como nunca.

Fim

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