ANTI - PT
O Caso CPEM : Denúncias de Paulo de Tarso Venceslau, um petista militante
Entrevista concedida ao Jornal da Tarde (26 de maio de 1997)
Petista revela esquema de corrupção do partido
Paulo de Tarso Venceslau, tem 53 anos, é economista, quadro petista respeitado e pertence ao conselho editorial da revista do partido, Teoria & Debate. Já foi secretário de Finanças de duas das mais expressivas administrações petistas:
  • Campinas (gestão Jacó Bittar - 89/92)
  • São José dos Campos (gestão Ângela Guadagnin - 93/96)
e ocupou uma diretoria da CMTC na gestão da prefeita Luiza Erundina (89/92).

Paulo de Tarso Venceslau
RG 3.563.157 SSP/SP 
Militante e ex-presidente do DZ Pinheiros 
Ex-membro do Diretório Municipal de São Paulo 
Membro do Conselho de Redação de Teoria e Debate
 

Na longa entrevista que se segue, toda ela gravada, Paulo de Tarso vai dizer que o PT tem uma banda podre. Regida por dois maestros - Lula e Zé Dirceu -, afinada pelo trabalho dos "bate-paus" Paulo Frateschi e Paulo Okamoto (a quem também chama de "coletor" do dinheiro público) e azeitada pela omissão de músicos ilustres da cúpula do partido.

 
Por que Paulo de Tarso vem a público para tão severas acusações?
Porque, segundo ele, todas as instâncias máximas do PT ignoraram, solenemente, por pelo menos dois anos, denúncias fundamentadas e auditadas contra uma empresa privada que presta serviços sem licitação a diversas prefeituras do partido. A empresa chama-se Consultoria para Empresas e Municípios (CPEM) e, como a entrevista deixará sobejamente claro, tem ligações no mínimo nebulosas com uma pessoa muito cara (sem trocadilho) a Lula: o bem-sucedido empresário Roberto Teixeira, aquele que entre outros favores diversos lhe empresta até hoje a confortável casa em que mora de graça há oito anos (o aluguel, pelos preços de mercado, está em torno de R$ 1.400 mensais). Roberto Teixeira é compadre de Lula - padrinho de seu filho caçula, LLuís Cláudio.
Como você avalia a postura do Lula em relação ao que você diz na carta?
O Lula, no mínimo, no mínimo, foi conivente com todo esse processo. A partir do momento em que ele não toma nenhuma iniciativa, em que a carta é dirigida pra ele, em que eu tenho a preocupação de vir a São Paulo explicar pra ele todo o processo, ele intermedeia o relacionamento com a CPEM. E na hora que eu quero discutir a questão e mostrar a relação direta que existe entre as coisas ele se cala e se omite. E consegue fazer com que grande parte da direção petista também se omita. E consegue calar, não sei através de que meios. A partir do momento em que o silêncio acaba predominando, em que você se recusa a apurar as responsabilidades que estariam por trás desse relacionamento da empresa com militantes petistas, a partir disso prevalece a omissão. E quem omite, consente.
Então, na sua visão, é um problema de postura política?
Exatamente. Não é mais jurídico, não é mais judicial, não é mais de processar, porque a empresa está processada e condenada. Ela teve que devolver os US$ 10 milhões e não recebeu os outros US$ 5 milhões. Para mim é um fato estritamente político. Acho que para não ser jogado na vala comum dos partidos que negociam votos, alianças, verbas públicas, e fazem as trambicagens todas de que a história do Brasil está cheia, o PT não pode ter rabo preso com esse tipo de processo. E o Lula, nossa principal liderança, que deveria capitanear, puxar, dirigir o processo, se omite e se cala porque envolve o compadre, a empresa que envolve o compadre e a empresa que, segundo o Okamoto, financiou a Caravana da Cidadania, que passava dinheiro para o partido. Isso são palavras do Paulo Okamoto, não são minhas não. O Lula, no momento em que eu lhe mostrei todo o envolvimento da empresa, deveria romper com essa situação toda, independentemente de quem quer que seja. Deveria manter pelo menos um afastamento crítico, isento. Mas não. Ele intermedeia o processo de negociação, que leva pra onde levou, e se cala, se recusa a ver as provas que eu tenho. Se recusa em saber onde é que nós chegamos. O silêncio do Lula, a resistência da direção do partido em tomar conhecimento disso, são completamente comprometedores. 
O Lula pra você perdeu completamente a credibilidade?
Hoje eu sou anti-Lula. Perdi a confiança nele. Em 94 eu já não votei nele. O Lula pra mim hoje é um pouco aquilo que na história do sindicalismo no mundo apareceu muito. Pessoas que não conseguem resistir às tentações que o mundo lhe abre. Eu assisti companheiros que foram presos, pessoas que muitas vezes vêm de uma origem humilde e ficam deslumbrados diante de determinadas possibilidades. O Lula pra mim hoje é um deslumbrado. As referências dele são mero discurso. Pura demagogia. O Lula fazer um discurso defendendo a ética, criticando a corrupção, é a mesma coisa que ouvir o discurso do ACM e do Paulo Maluf falando de moralidade. Eu coloco no mesmo nível de demagogia - ou de hipocrisia, melhor dizendo.
Por que hipocrisia?
Porque se o Lula falar sinceramente ele não poderia ter deixado um caso desses em brancas nuvens, deixar passar desse jeito como deixou. Estou falando isso dois anos depois que ele recebe a carta, quatro anos depois dos primeiros alertas. 
Para você o que pesou na balança foi a ligação com o Roberto Teixeira?
Não tenho a menor dúvida.
Como você vê a ligação entre o Lula e o Roberto Teixeira?
É uma relação tão misteriosa e tão cheia de nuvens que no mínimo é altamente suspeita. Se o Lula quisesse falar sério, e quisesse ser respeitado, ele no mínimo teria que estar preocupado em provar a ausência de vínculos com uma empresa como a CPEM. Como esse silêncio extremamente incômodo passou a dominar o ambiente, nada mais resta do que achar que o Lula é um "déjà-vu". Acabou a grande esperança que se tinha, a capacidade renovadora que ele representava dentro do PT e tudo o mais. Ele se lançou na vala comum dos políticos deste País. Não precisei ler isso em lugar nenhum, não precisei ser convencido por nenhuma reportagem. É a minha reportagem de vida. Se isso me trouxer alguma conseqüência de natureza jurídica, e vierem me incomodar, eu vou até achar estranho, porque até hoje prevalece o silêncio.
Quem é o Roberto Teixeira pra você?
Ele nada mais é do que um empresário que bota as fichas dele onde dá dinheiro. E o Lula vai continuar amigo dele enquanto estiver rendendo alguns trocos. Quem me deixou explícita essa relação entre o dinheiro da CPEM com o partido foi o Paulo Okamoto. 
Por que você está dando uma entrevista tão dura e tão grave?
Eu não tenho opção partidária neste País. E eu confio muito no PT, nos quadros que o PT tem, na seriedade desses quadros. Eu não tive só experiências ruins no PT. Eu tive experiências ótimas, fantásticas. Mesmo aqui na administração da Luiza Erundina. Ela foi pressionada pra fazer acordo com o Roberto Teixeira e se recusou.
Como foi essa pressão?
Houve um almoço em que estavam presentes o Lula, a Erundina, o Roberto Teixeira e nessa discussão toda pra pressionar a contratação da CPEM pra fazer esse serviço que eu contei aqui.
Fonte: http://www.geocities.com/reportagens/petista.htm
índice
administração petista
Hosted by www.Geocities.ws

1