Paulo de Tarso Venceslau,
tem 53 anos, é economista, quadro petista respeitado e pertence
ao conselho editorial da revista do partido, Teoria & Debate. Já
foi secretário de Finanças de duas das mais expressivas administrações
petistas:
-
Campinas (gestão Jacó
Bittar - 89/92)
-
São José dos Campos
(gestão Ângela Guadagnin - 93/96)
e ocupou uma diretoria da CMTC
na gestão da prefeita Luiza Erundina (89/92).
Paulo de Tarso Venceslau
RG 3.563.157 SSP/SP
Militante e ex-presidente
do DZ Pinheiros
Ex-membro do Diretório
Municipal de São Paulo
Membro do Conselho de Redação
de Teoria e Debate
| Na
longa entrevista que se segue, toda ela gravada, Paulo de Tarso vai dizer
que o PT tem uma banda podre. Regida por dois maestros - Lula e Zé
Dirceu -, afinada pelo trabalho dos "bate-paus" Paulo Frateschi e Paulo
Okamoto (a quem também chama de "coletor" do dinheiro público)
e azeitada pela omissão de músicos ilustres da cúpula
do partido. |
| Por que Paulo de Tarso
vem a público para tão severas acusações? |
Porque, segundo
ele, todas as instâncias máximas do PT ignoraram, solenemente,
por pelo menos dois anos, denúncias fundamentadas e auditadas contra
uma empresa privada que presta serviços sem licitação
a diversas prefeituras do partido. A empresa chama-se Consultoria para
Empresas e Municípios (CPEM) e, como a entrevista deixará
sobejamente claro, tem ligações no mínimo nebulosas
com uma pessoa muito cara (sem trocadilho) a Lula: o bem-sucedido empresário
Roberto Teixeira, aquele que entre outros favores diversos lhe empresta
até hoje a confortável casa em que mora de graça há
oito anos (o aluguel, pelos preços de mercado, está em torno
de R$ 1.400 mensais). Roberto Teixeira é compadre de Lula
- padrinho de seu filho caçula, LLuís Cláudio.
|
| Como você avalia
a postura do Lula em relação ao que você diz na carta? |
O Lula, no mínimo,
no mínimo, foi conivente com todo esse processo. A partir do momento
em que ele não toma nenhuma iniciativa, em que a carta é
dirigida pra ele, em que eu tenho a preocupação de vir a
São Paulo explicar pra ele todo o processo, ele intermedeia o relacionamento
com a CPEM. E na hora que eu quero discutir a questão e mostrar
a relação direta que existe entre as coisas ele se cala e
se omite. E consegue fazer com que grande parte da direção
petista também se omita. E consegue calar, não sei através
de que meios. A partir do momento em que o silêncio acaba predominando,
em que você se recusa a apurar as responsabilidades que estariam
por trás desse relacionamento da empresa com militantes petistas,
a partir disso prevalece a omissão. E quem omite, consente.
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| Então, na sua
visão, é um problema de postura política? |
Exatamente. Não
é mais jurídico, não é mais judicial, não
é mais de processar, porque a empresa está processada e condenada.
Ela teve que devolver os US$ 10 milhões e não recebeu os
outros US$ 5 milhões. Para mim é um fato estritamente político.
Acho que para não ser jogado na vala comum dos partidos que negociam
votos, alianças, verbas públicas, e fazem as trambicagens
todas de que a história do Brasil está cheia, o PT não
pode ter rabo preso com esse tipo de processo. E o Lula, nossa principal
liderança, que deveria capitanear, puxar, dirigir o processo, se
omite e se cala porque envolve o compadre, a empresa que envolve o compadre
e
a empresa que, segundo o Okamoto, financiou a Caravana da Cidadania, que
passava dinheiro para o partido. Isso são palavras do Paulo Okamoto,
não são minhas não. O Lula, no momento em que eu lhe
mostrei todo o envolvimento da empresa, deveria romper com essa situação
toda, independentemente de quem quer que seja. Deveria manter pelo menos
um afastamento crítico, isento. Mas não. Ele intermedeia
o processo de negociação, que leva pra onde levou, e se cala,
se recusa a ver as provas que eu tenho. Se recusa em saber onde é
que nós chegamos. O silêncio do Lula, a resistência
da direção do partido em tomar conhecimento disso, são
completamente comprometedores.
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| O Lula pra você
perdeu completamente a credibilidade? |
Hoje eu sou anti-Lula.
Perdi a confiança nele. Em 94 eu já não votei nele.
O Lula pra mim hoje é um pouco aquilo que na história do
sindicalismo no mundo apareceu muito. Pessoas que não conseguem
resistir às tentações que o mundo lhe abre. Eu assisti
companheiros que foram presos, pessoas que muitas vezes vêm de uma
origem humilde e ficam deslumbrados diante de determinadas possibilidades.
O Lula pra mim hoje é um deslumbrado. As referências dele
são mero discurso. Pura demagogia. O Lula fazer um discurso defendendo
a ética, criticando a corrupção, é a mesma
coisa que ouvir o discurso do ACM e do Paulo Maluf falando de moralidade.
Eu coloco no mesmo nível de demagogia - ou de hipocrisia, melhor
dizendo.
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| Por que hipocrisia? |
Porque se o Lula
falar sinceramente ele não poderia ter deixado um caso desses em
brancas nuvens, deixar passar desse jeito como deixou. Estou falando isso
dois anos depois que ele recebe a carta, quatro anos depois dos primeiros
alertas.
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| Para você o que
pesou na balança foi a ligação com o Roberto Teixeira? |
Não tenho
a menor dúvida.
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| Como você vê
a ligação entre o Lula e o Roberto Teixeira? |
É uma relação
tão misteriosa e tão cheia de nuvens que no mínimo
é altamente suspeita. Se o Lula quisesse falar sério, e quisesse
ser respeitado, ele no mínimo teria que estar preocupado em provar
a ausência de vínculos com uma empresa como a CPEM. Como esse
silêncio extremamente incômodo passou a dominar o ambiente,
nada mais resta do que achar que o Lula é um "déjà-vu".
Acabou a grande esperança que se tinha, a capacidade renovadora
que ele representava dentro do PT e tudo o mais. Ele se lançou na
vala comum dos políticos deste País. Não precisei
ler isso em lugar nenhum, não precisei ser convencido por nenhuma
reportagem. É a minha reportagem de vida. Se isso me trouxer alguma
conseqüência de natureza jurídica, e vierem me incomodar,
eu vou até achar estranho, porque até hoje prevalece o silêncio.
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| Quem é o Roberto
Teixeira pra você? |
Ele nada mais é
do que um empresário que bota as fichas dele onde dá dinheiro.
E o Lula vai continuar amigo dele enquanto estiver rendendo alguns trocos.
Quem me deixou explícita essa relação entre o dinheiro
da CPEM com o partido foi o Paulo Okamoto.
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| Por que você está
dando uma entrevista tão dura e tão grave? |
Eu não tenho
opção partidária neste País. E eu confio muito
no PT, nos quadros que o PT tem, na seriedade desses quadros. Eu não
tive só experiências ruins no PT. Eu tive experiências
ótimas, fantásticas. Mesmo aqui na administração
da Luiza Erundina. Ela foi pressionada pra fazer acordo com o Roberto Teixeira
e se recusou.
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| Como foi essa pressão? |
Houve um almoço
em que estavam presentes o Lula, a Erundina, o Roberto Teixeira e nessa
discussão toda pra pressionar a contratação da CPEM
pra fazer esse serviço que eu contei aqui.
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| Fonte:
http://www.geocities.com/reportagens/petista.htm |
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