2.2.1. O Emprego na Administração Pública

A experiência tem mostrado que a legislação laboral é um quadro de referência para a própria legislação da Função Pública.

Na Administração Pública, tal como no sector privado, a coincidência entre as opções estratégicas do governo e do capital são bem demonstrativos da ausência de uma clara política de emprego que aposte na valorização da força do trabalho, que crie emprego e, elimine as várias formas de precariedade e que ponha termo aos processos privatizadores.

Neste contexto, não deixa de ser preocupante que um governo PS teime em governar à direita e insista hoje, como ontem, numa política de emprego que não deu e não dará a resposta adequada à dimensão dos problemas enfrentados no sector.

A política de emprego na Administração Pública tem-se caracterizado no fundamental por:

- Continuação de elevados níveis de estagnação profissional face aos inadequados e desajustados quadros de pessoal, ao congelamento de abertura de vagas a exigir uma verdadeira e profunda reformulação do actual sistema, que passe por romper com o aparelho em que se transformou o sistema retributivo e pela criação de um sistema de carreiras novo.

- A precarização do emprego está longe de ser resolvida. Antes foi acrescentada uma nova geração de trabalhadores nessa situação a todos os que abrangidos pelo Dec. Lei 81/A/96, ainda, se mantém na situação de contratados há vários anos, sem que este tempo conte para efeitos de progressão de carreira.

- Ao não pôr fim ao congelamento das admissões para a Administração Pública acentuam-se e diversificam-se as várias formas de trabalho precário (contratos a prazo, administrativos de provimento, à hora); ao mesmo tempo que se reforça e incentiva o recurso à exploração de obra mais barata (tal como faz o patronato), limitando por outro lado o acesso dos trabalhadores dos quadros a carreiras e categorias mais qualificadas.

- Crescimento dos contratos e subcontratos com empresas privadas que operam nos serviços de Administração Pública.

- Prosseguimento do processo de privatizações, ocultando o governo as suas enormes responsabilidades na situação existente, em vez de apostar numa Administração Pública moderna, com melhoria da qualidade, racionalidade, diversidade e amplitude dos serviços, recorrendo e aproveitando os meios e mecanismos internos.

É assim que se assiste a um sério ataque de desmembramento do Estado e das suas funções com a proliferação de diplomas orgânicos que mais não visam que empurrar os trabalhadores para fora do regime de emprego com vínculos públicos.

A oferta mais generalizada é o contrato individual de trabalho com sérios e graves implicações negativas na vida dos trabalhadores na organização do trabalho e para a unidade entre os trabalhadores.

Por outro lado, o cidadão continua a contribuir para o Estado mas os serviços por ele prestado passam para entidades privadas ou na sua orbita, visando o lucro, onerando e penalizando ainda mais a bolsa dos cidadãos sem que se veja a qualidade e resposta dos serviços melhorada.

Fomenta por esta via, a promiscuidade entre o público e o privado sendo que os investimentos são públicos e os lucros privados.

Na Administração Local, o emprego precário tem vindo a proliferar sob as mais diversas formas, estando a aumentar consideravelmente o recurso aos Programas cupacionais, em paricular nas Juntas de Freguesia e a contratação, em termos gerais, nas autarquias do distrito.

Por outro lado, o esvaziamento dos quadros de pessoal das autarquias é uma relidade preocupante, dando lugar ao aumento da entrega de serviços ao exterior por via de concessões e prestações de serviços.

Fruto das políticas de direita dos Governos de Cavaco Silva/PSD seguidas e agravadas pelos Governos de António Guterres/PS, a ofensiva privatizadora tem vindo a tomar proporções incontroláveis na Administração Local, alimentando o apetite do capital em áreas tão importantes como a gestão e a exploração da água, saneamento básico e resíduos sólidos.

 A aplicação de tais medidas tem posto em causa ao vínculo público, conduzindo à degradação das condições de trabalho e à retirada de direitos e regalias aos trabalhadores, ao mesmo tempo que se verifica o encarecimento das tarifas e a diminuição da qualidade e quantidade dos serviços prestados à população, realidade comprovada desde a privatização dos serviços Municipalizados de Setúbal ao Grupo Luságuas/Águas do Sado.

 Paralelamente a publicação da Lei n.º 58/98 de 18 de Agosto, que visa regular a criação das Empresas Municipais, Intermunicipais e Regionais, ainda que essencialmente distinta da concessão/privatização, reconduz a gestão municipal a regras fundamentalmente privadas, o que não deixa de significar uma alteração substancial na concepção do serviço público com implicações na forma e organização do Poder Local e nos direitos dos trabalhadores, em especial aqueles que vierem a integrar esta  empresas.

As Câmaras Municipais de Palmela e Alcácer do Sal foram pioneiras na criação de empresas municipais no distrito.

Os trabalhadores destas empresas devem ser acompanhados no sentido da sua sindicalização, na eleição dos seus delegados sindicais e na elaboração de cadernos reivindicativos, por forma a garantir o respeito dos seus direitos no local de trabalho consagrando-os em Acordos de Empresa.

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