Solitarium

 

 

 

Quem és tu, que agora desatina meu coração

E o deixa a palpitar de ansiedade?

Quem és tu que faz-me tocar o céu

E pertencer as estrelas?

Que me inunda o peito de eternidade...

Quem és, oh! Tu. Que faz-me encantada,

Que faz-me indagar o sol, a lua...

A madrugada...

Não sabes quem és,

Nem qual é a felicidade que me dás.

Não sabes tão pouco os caminhos que trilhei

Para até a ti chegar,

Nem quais os limites,

As labutações para te encontrar...

Não sabes também que em ti está meu aliviar.

Esse fogo que tu arrancas de meu ventre...

Banindo assim de minha alma

Toda essa dor que infesta meu coração...

Num árduo desejo que repele meu corpo...

Aflando em meus lábios frases de amor...

Declarações que se manifestam

Tão docemente de teus lábios.

Enlaçada em teus amavios

Permaneço atenta às tuas mãos

Que transgridem meu corpo... meus seios...

E deslizam a caminho de minhas coxas...

Flameja o meu ventre

Em virtude da aproximação de teus dedos...

Por que me mataria meu amado?

Poderia morrer sim, por teus beijos...

Permaneceria com a face ao vento

Sentindo a suave brisa

E em teus sussurros faz-me-ia renascer...

Ressuscitar...

E em teus braços pretendo morrer.

Porque se finda o teu amor,

Faz-me sentir dor

Mas, se ainda assim o sentir...

Por uma eternidade hei de viver...

Por que tu me pedes desculpas?

Antes do teu pedido,

Eu já havia dado o meu perdão...

E se assim não o fosse,

Não saberia mais viver

Porque não suportaria saber

Que poderias tu sofrer

Um só segundo que fosse.

Quão é grande meu amor por ti...

Não sabes a infinidade

Que colocas em meu coração...

Não sabes que outrora eu já te amava...

Dantes mesmo que eu compreendesse

Que poderia... já te sentia.

Compreendes agora minha aflição?

Compreendes porque não posso ver-te sofrer?

Tenho lhe dito que em ti está meu aliviar.

Porque sem ti nada quero desejar...

Nada posso amar...

Sem ti perder-me-ei em lamentar....

Digo-lhe que ainda hoje deitar-me-ei contigo

E mesmo que me recuses,

Ter-te-ei em meus braços...

Porque quão infinito é meu amor,

Que mesmo distante te sinto em meu leito.

Foram caminhos de rosas...

Perfumadas...

Assim como agora teu corpo exala...

Margaridas... maravilhosas margaridas...

Tão puras... não mais que ti...

Para roubar-te a tua beleza... o teu encanto...

Encanto que faz-me amar... faz-me viver...

E quando em teus braços estou,

Me sinto eleita.

Podei dizer se sem ti eu viveria?

Se sem tuas mãos eu prosseguiria?

Porque em ti encontrei o meu caminho

E contigo quero continuar

E em teus braços quero me deitar...

E é em tua boca que eu quero fenecer...

Por tanto te amar.

Sejas tu o meu maior bem...

E sem saberdes já tendes minha alma

Porque nela está meu amor... minha vida.

Vida que a ti tenho dedicado

Para todo o sempre,

Porque nem a morte me tiraria do peito

Essa imensidão que sinto por ti

E se tentasse seria em vão,

Porque meu amor por ti não morre...

Adormece sempre e amanhece mais puro e fiel

Como a ti sou agora:

Tua amada para toda a vida

E para toda a morte.

Por que em ti meu amado, já esta minha vida

E se morresse agora, te levaria comigo

Dentro de meu peito,

Que flama de amor e paixão.

 

 

 

Nina Cavalcante

13.06.2000

 

 

 

 

 

 

 


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