Poema Lírico - Absurdo
(Versos de um Poeta Pateta)
Clarismunda Querida
Oh! Clarismunda, doce Clarismunda.
Quando eu a vejo apontando seu doce sorriso para mim
(eu não me importo que uses dentadura),
fico fascinado.
Seu doce olhar
(eu não me importo que sejas um pouco vesga)
me deixa em um estado de mansidão.
Sua cinturinha fina e suas curvas formosas
(eu não me importo que tenhas celulite)
me convence de que és a mais bela entre as belas.
Suas pernas belas e bem torneadas
(eu não me importo que tenhas varizes)
parecem obra do mais hábil dos escultores.
Seus cabelos graciosos, caídos em seus ombros
(eu não me importo que sejas
um pouco careca e uses uma peruca),
me banham o olhar, como a brisa mais suave.
Seus pezinhos graciosos como os de uma boneca
(eu não me importo que calces
quarenta e quatro, bico largo)
parecem frutos de um sonho encantado.
Suas formas frágeis e femininas
(eu não me importo que pratique boxe e halteres)
me deixam deslumbrado.
Seu jeitinho delicado e maneiras de princesa
(eu não me importo que arrotes em qualquer
lugar e perto de qualquer um)
me fazem um homem orgulhoso, quando saio contigo.
Sua educação, comparável à mais nobre dama
(eu não me importo que tenhas a boca suja
e que não leves desaforo para casa)
faz com que você seja uma pessoa maravilhosa.
Os seus dotes de inteligência e cultura
(eu não me importo que tenhas abandonado
os estudos enquanto fazias o pré - primário)
são incomparáveis, você é simplesmente perfeita.
O seu estado de virgindade e a sua pureza
(eu não me importo que já tenhas quatro filhos,
todos de pais desconhecidos)
me encantam, tu és comparável à mais belas das musas.
O amor fiel e sem segundas intenções que tu me dedicas
(eu não me importo que gastes todo o meu
salário com teus caprichos e vaidades,
e ainda digas que sou um pobretão)
me deixa cada vez mais confiante em ti.
Tu és uma mulher rara.
Os teus carinhos e afagos
(eu não me importo que enchas a mão
em minha cara toda vez que tento te beijar)
me deixam cada vez mais apaixonado por ti.
É por isso que nunca deixarei de afirmar:
Pode tremer a terra, o céu e o mar,
mas mulher como tu, jamais irei achar.
Autor de tamanha besteira:
José Carlos Justino dos Santos
(1988)
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