Cadê os escultores de uma era derradeira,
Que esculpiam no gesso, na pedra e na madeira?
Cadê os pintores, que o destino não conservou,
Que o misturar das cores, tanta gente fascinou?
Cadê os músicos, na orquestra, na sinfonia,
Que já não tocam acordes, nem tão doce melodia?
Cadê os artistas, que nos palcos já não estão?
Só restou deles lembranças, na mais triste solidão.
Cadê a arte, nossa arte, velha arte?
Já se foi... Já se foi... Já se foi...
 
 
 
Cadê os professores, que nas escolas já não estão,
Que ensinavam os alunos e passavam a lição?
Cadê os matemáticos, que viviam a calcular,
E os numerais, que passavam a desvendar?
Cadê o filósofo, o físico, o astrônomo?
Cadê o doutor, o engenheiro, o agrônomo?
Cadê o poeta, o artesão, e o progresso?
Já se perderam, num caminho sem regresso.
Cadê a cultura, nossa cultura, velha cultura?
Já se foi... Já se foi... Já se foi...
 
 
Cadê os rios, que outrora foram límpidos,
E hoje estão sufocados, com tantos produtos químicos?
Cadê as florestas, as matas, a vegetação?
Hoje já são desertos, massacrados sem perdão.
Cadê as aves, que com seus cantos encantavam?
Hoje já estão extintas, obra dos que as caçavam.
Cadê os animais, os peixes e as flores?
Cadê o arco-íris, que já não ostenta belas cores?
Cadê a natureza, nossa natureza, velha natureza?
Já se foi... Já se foi... Já se foi...
 
  
 
José Carlos Justino dos Santos
(1988)

 

 

 

 

 

 

 

 


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