O dia estava calmo

A noite

Chegara de mansinho

O sol espargia

Seus últimos raios à terra

 

O mar

Sussurrava sua canção baixinho

Maravilhado!

Pela luz,

Que a tudo transformava

Num soneto de amor e paz!

 

Toda natureza compreendia

Que a tarde se findara

E tal contemplação

Não terminara

Aos poucos... o manto negro da noite

Salpicado de estrelas

Confundindo-nos

Que a terra era o céu

E que a terra era o mar.

A espuma branca

Cravejada de brilhantes

Osculava a praia

Ainda aquecida

Pelo sol que já se fora.

O encanto era grandioso!

Os rochedos

Invocavam através da brisa

A presença do embalo do mar!

Para que pequenos seres

Que dependessem desta canção de ninar!

Pudessem adormecer,

Prostrados

Entre o aconchego

Do céu

Da terra e do mar.

 

   

 

 

Ana Maria Passos

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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