A lança de um nada me perpassa

E a taça vaza uma lembrança cheia...

De teia em cada saudade voando no ar...

A falar de um não sei de dia morrendo

Trazendo perfume de flores dormidas

Esmaecidas nas páginas do tempo...

Tento preguiçar anulando meu empenho

Tenho na alma uma canção de ninar,

A musicar a tarde que se despede...

E mede o que vislumbro além da noite...

Açoite que me separa do sono,

Dono da minha asa que se parte,

N'arte de reviver um sonho de amor.

Um olor da terra de ventre ardente,

Mordente, invade as narinas do dia

Que se desfia e se despede a cair...

Pra ir dormir nas veias da terra,

Que encerra a dança colossal,

Imortal, do humus e das águas...

Mágoas de um passado com fome,

Sem nome, exalam um suspiro ao céu,

Véu de mornas lembranças,

Que nas danças do voltar pra taça

Caça o orvalho na teia da saudade.

 

 

 

 

 

 

Lizete Abrahão

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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